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Alguém anotou a placa? Não é que 2004 prometeu um espetáculo de
crescimento e, até os Jogos Olímpicos de Atenas, nada acontecia.
Lembro que no café da manhã de 85 anos da Ford no Brasil conversei com
o então novo presidente da Anfavea (Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores), Rogelio
Golfarb, que não se mostrava assim tão otimista em relação aos
sinais de crescimento.
De repente, tudo mudou – e falou-se até em “ritmos chineses”. O
balanço do final de ano da Anfavea (associação de fabricantes)
confirmou: nunca o Brasil produziu tantos automóveis. Foram 2,2
milhões de veículos, um quinto (20,7%) a mais do que em 2003. Tudo bem
que as grandes responsáveis por esse aumento foram as exportações –
seus US$ 8,3 bilhões responderam por um aumento de 51,8% em relação ao
ano anterior. O mercado interno cresceu de maneira mais modesta –
vendeu 1,58 milhão ou 10,5% a mais.
Para este ano, a associação continua otimista, mas acredita que o
ritmo não será assim tão frenético: 2,3 milhões é sua aposta, um
número apenas 5,4% maior do que em 2004. As vendas internas, para a
Anfavea, devem aumentar 4%, atingindo 1,64 milhão de unidades. As
exportações devem alcançar US$ 8,9 bilhões – 7% a mais do que no ano
passado. Tais projeções podem ser consideradas um tanto conservadoras,
sobretudo se levado em conta o ritmo frenético registrado no último
trimestre.
Quem saiu ganhando entre os fabricantes, no final das contas, foi a
General Motors, que assumiu pela primeira vez a liderança no país. Seu
discurso nestes anos todos, dominados por Volkswagen (até 2000) e Fiat
(de 2001 a 2003; o raio desta vez não atingiu a árvore), fabricantes
de modelos pequenos (em tamanho e motorização), foi de que de nada
adiantava ter a liderança do mercado sem ter lucratividade. Isso
porque as margens são diretamente proporcionais ao tamanho (e preço)
do veículo. É possível constatar agora por que a GM atuou tanto nos
bastidores para que houvesse a tal alíquota intermediária de IPI
(Imposto sobre Produtos Industrializados).
Enquanto a venda de modelos 1,0-litro caiu de 63,3% do mercado em 2003
para 57,3%, a de modelos com cilindrada entre 1,0 e 2,0 litros
aumentou de 36,2% para 42,3%. Acima disso, o percentual (que já é
baixíssimo) pouco variou: de 0,5% para 0,4%. Pois então o leitor
pergunta: “Isso é bom?” A resposta é sim. Não houve só um crescimento
na quantidade de carros vendidos, mas em sua qualidade. Modelos
maiores são mais bem equipados, o que tende, com a escala, a baratear
a tecnologia.
Em que pese toda a propaganda que a GM tem razão em fazer em torno
desse fato, não há apenas o que comemorar. Alguns modelos
especificamente estão defasados, caso de Astra, Vectra, Blazer e S10,
já substituídos no exterior (o Celta nunca existiu lá fora, mas é uma
derivação do antigo Corsa). Mas o caminho está traçado – modelos mais
confortáveis e seguros parecem ser a tendência dos próximos anos.
Brasileiro é gato escaldado em termos de crescimento (não se pode
esquecer que o slogan do Plano Cruzado, de 1986, era “tem que dar
certo”). Mas há motivos para ser otimista.
Continuo ouvindo por aí ingênuos e idealistas argumentos segundo os
quais “a vida humana não tem preço” (mais parece propaganda de cartão
de crédito). Só que tem, sim. Sistemas de bolsa inflável para
motorista e passageiro custam R$ 2.500 em média. Não perder o controle
da direção em certas condições sai por R$ 2.500 (o valor de freios
antitravamento ABS). Ou seja, cerca de R$ 5.000 podem fazer a
diferença de não bater e, caso isso aconteça, não morrer. Quanto maior
o poder aquisitivo, mais segurança se compra – e a vida vale mais.
Continua |

Os mais 1 - Saiu a
relação dos carros de passeio mais emplacados de 2004. O
campeão (por quase duas décadas) é o Gol, com 177.892, seguido
por Palio (130.171), Corsa (125.483, o que inclui hatch e
sedã, novo e antigo), Celta (122.616) e Mille (92.773).
Os mais 2 - Campeão entre os "comerciais leves", o Ford
EcoSport ficou com 38.696, seguido por Fiat Strada (29.721),
Chevrolet Montana (21.601), VW Saveiro (17.898) e Chevrolet
S10 (14.037).
Novas baianas - A fábrica da Ford na Bahia comemora um
aumento de 41,26% na produção em relação ao ano anterior.
Foram 195.652 unidades produzidas em 2004. No último ano, a
fábrica lançou o EcoSport 4x4 e o novo Fiesta Sedan.
Recorde - A Honda também registrou recorde de
emplacamentos. Foram 5.230 unidades em dezembro – a marca
supera setembro, que teve 4.651. No ano todo houve um aumento
de 57,7% (foram emplacados 50.694 veículos).
No sul - A General Motors anunciou recorde na
produção de 2004 no complexo de Gravataí, RS. Foram fabricadas
136.114 unidades – 18% a mais que no ano anterior. Foi preciso
trabalhar aos sábados para dar conta da demanda.
Lá 1 - Europa se prepara. Este será um dos anos mais fartos em
lançamentos dos últimos tempos. São aguardados em média 15
lançamentos por mês, entre modelos e versões renovados.
Lá 2 - Entre as maiores novidades, é possível
destacar o utilitário esporte da Audi, o novo Renault Clio, o Citroën C1
e o Peugeot 1007. |
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Localize-se - Para
os perdidos de plantão, a Garmin oferece o GPS de pulso, muito
bom para ser usado em aventuras de automóvel. O modelo
Forerunner 21 custa R$ 367.
Para crianças - Uma boa pedida é o triciclo infantil
Razor. Vem com um sistema de freio de mão ajustável de acordo
com a velocidade que a criança pode atingir com segurança. Traz
guidão de borracha e assento com ajuste de altura. Custa R$ 400. |
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