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Entrevista
"Motorista e
motociclista precisam ser conscientizados da forma de fazer as coisas"
Wilson Yasuda
Gerente do Centro Educacional de
Trânsito da Honda e gerente de promoções e competições da empresa, na
qual trabalha há 32 anos
Autogiro – Na sua opinião, não é ingrata
a função de vender um produto que causa tantas mortes nas grandes
cidades (calcula-se que três por dia) como motocicletas?
Wilson Yasuda – Na verdade, se a gente tivesse condições de
minimizar certas situações ou descobrir por que elas acontecem... As
estatísticas nos fornecem um perfil muito frio da ocorrência. Não há
condições de ficar analisando. Não se sabe se a pessoa que se
acidentou tinha formação ou técnica adequada ou se era defeito do
produto, se estava dirigindo e um automóvel abalroou. É difícil
analisar do ponto de vista técnico. Não existe uma situação de análise
mais crítica para detectar o que aconteceu exatamente.
Se fosse fácil dar uma solução a esse problema, é claro que as
autoridades já teriam tomado alguma atitude. Eu diria que tarefa é
difícil porque você precisa, além de vender seu produto, buscar
investir na área de segurança. Temos o Centro Educacional, em que
existe um curso de formação de instrutores, há cursos para polícia,
frotistas... Fazemos atividades institucionais para passar experiência
dentro desse campo, o que pode colaborar para diminuir a incidência de
problemas. Mas detectar a causa exata é, sim, uma tarefa ingrata.
AG - A causa não seria uma conjunção de
fatores?
Yasuda – Sou partidário de que há a seguinte causa: má formação
do condutor. Isso significa que o processo de obtenção da habilitação
do candidato precisa ser um pouco mais técnico. Ou seja, fazer
abordagens de situações de pilotagem defensiva, de uso do produto, não
só de moto, mas de carro e caminhão. Se conseguirmos implementar um
material didático melhor, investir em formação de condutores e obter
maior nível de informação, vamos conseguir, ao longo de um tempo,
melhorar a qualidade do condutor.
AG – É verdade que o pior condutor de
moto é o experiente, pois tem mais autoconfiança?
Yasuda – Não, não creio que seja isso. Tem mais a ver com a
formação. Em São Paulo o exame [para obtenção da carteira de
motociclista] que é feito no Detran [Departamento Estadual de
Trânsito] nós que desenvolvemos. Aí você vai à sua cidade vizinha, no
ABC, todos os exames são diferentes um do outro. Não há um padrão.
Cada candidato vai treinar e buscar habilidade no seu. O ideal seria
padronização do exame. Temos 5.000 municípios em que 80% fazem exames
diferentes um do outro. Há um problema de base.
Quanto ao experiente, é o cara que anda há muito tempo, sabe que
existem problemas quando chove, anda com roupa mais clara à noite. Não
se pode ligar a experiência à velocidade. Eu sou uma pessoa
experiente, mas sei que tenho de trafegar na velocidade permitida.
AG – E qual é a solução?
Yasuda – No caso da moto, temos os profissionais do guidão, os
motoboys. Se eles andam na faixa do carro, o motorista buzina.
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A legislação não diz
que é errado andar no meio. Então é por lá que eles vão. O motorista
simplesmente nem olha no espelho e muda de faixa. Que dirá dar seta! O
próprio motorista e motociclista precisam ser conscientizados da forma
de fazer as coisas. Ninguém disse a ninguém o que é preciso fazer.
Há quanto tempo você não vê uma campanha de conscientização? No
interior há grande número de acidentes com ciclistas. Não sei se é uma
pessoa que conhece a legislação de trânsito. É um desafio trabalhar
nessa área. Procuramos desenvolver cada vez mais materiais de
informação para o público que adquire motocicleta.
AG - O público em geral pode fazer o
curso da Honda?
Yasuda – Pode. Tem de procurar uma concessionária Honda, que
tem material, filmes, apostilas. É de graça. Se aquela não tiver o
material, vá a outra concessionária. Só é preciso ter habilitação.
AG - É possível dirigir moto sem medo em
uma cidade como São Paulo?
Yasuda – Acredito que sim. Se você fala que o motociclista
corre na marginal, onde a velocidade é 90 km/h, é a permitida. As
pessoas têm a sensação de que o motociclista está correndo muito. Mas
ele está trafegando em uma situação normal, imprimindo sua velocidade.
Dirigir sem medo depende do condicionamento psicológico de cada um.
AG - Em que consiste o curso?
Yasuda – Para o público em geral, há o básico, que é dividido
em duas partes. Há aula teórica e prática, em um dia inteiro. Teórica
de manhã e prática à tarde. Na teórica há um filme que mostra como
dirigir, aspectos de inspeção, vestimenta, como se posicionar,
postura, postura em curva, frenagem, forças da física durante a curva,
enfim, vai lhe dar uma base sobre o que é dirigir. A moto consiste de
um motor, chassi, duas rodas... Se você tem bom equilíbrio, a condução
é mais fácil.
Quem quiser pode ligar para nós, no tel. (19) 3834-1573. A unidade de
Indaiatuba, SP, existe desde 1998. Desde então, fizemos atividades com
33.025 clientes, dentre os quais temos divisão em curso básico, básico
fora-de-estrada, curso de instrutores da rede, em geral... Básicos,
mais de 3.000 pessoas.
AG – Como se pode obter segurança total?
Yasuda – O trânsito é formado por homem, via e máquina. Fazer
as três coisas andarem direito é bastante difícil. Por isso insisto
que é preciso investir na formação inicial para o futuro. A Honda já
teve programas de segurança de trânsito para crianças do curso
fundamental. A gente precisa fazer um trabalho de base, de como as
pessoas devem se preparar. Vamos trabalhar o condutor. |