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Era dia 7, segunda-feira de Carnaval. Vou fazer uma ligação telefônica
do meu celular e, antes que a chamada se complete, começa uma
musiquinha velha conhecida (que já me provoca tanta aversão quanto a
do plantão da TV Globo dá pânico em muita gente). “A Vivo quer falar
com você”, diz a gravação. Em sete meses, meu celular foi clonado pela
terceira vez.
Cheio de boa vontade, o atendente me dá a notícia de que eu teria de
trocar de aparelho e, para tal, teria “descontos de 60% a 70%”,
dependendo do modelo que escolhesse. Criador de caso — e consciente
dos direitos de consumidor —, argumentei que o prestador de serviço
tem a chamada responsabilidade objetiva. Ou seja, ele está encarregado
de zelar para que eu não saia no prejuízo.
Em outras palavras, eu exigia uma simples troca, sem que tivesse de
absurdamente pagar algo por isso. Eis que o bondoso interlocutor me
indica três ou quatro aparelhos com muito menos recursos do que o meu.
Eram o que colegas do setor automobilístico chamariam de “celular
1.0”, em alusão aos carros de 1,0 litro. Tudo bem que o uso de celular
se popularizou — em algumas cidades, como Brasília, há mais telefones
do que habitantes, segundo estatísticas mais recentes. Mas daí pensar
que usuário é sinônimo de otário...
Façamos uma analogia muito simples. Suponhamos que eu tenha comprado
um Fiat Stilo, cheio de itens de conforto e segurança. Escolhi um
repleto de opcionais. Custou algo como R$ 50 mil. Após certo tempo de
uso, descubro que, por um determinado defeito de fabricação (ora, a
possibilidade de clone nada mais é do que uma brecha técnica), meu
automóvel é vulnerável em relação a furtos. Em contato com o
fabricante, receberia a boa nova: poderia trocar de carro
desembolsando apenas de R$ 15 mil a R$ 20 mil.
Caso esbravejasse por não achar uma proposta das mais razoáveis, a
fábrica abriria uma exceção e “doaria” (sim, é esse o termo que eles
usam) um outro veículo com 100% de desconto: um Mille! Tudo bem, é um
bom carro, me leva daqui pra lá, mas não tem a mesma ergonomia, os
mesmos apetrechos eletrônicos, bolsas infláveis, sistema ABS nos
freios e nem teto solar Sky Window. Isso porque paguei por mais
sofisticação pouco tempo atrás.
Ao telefone, continuo esperneando. O atendente da Vivo me diz,
faltando poucos minutos para que o relógio anuncie que já estamos na
terça-feira gorda, que não pode fazer absolutamente nada. Meu aparelho
continua então impossibilitado de fazer chamadas e, além disso, quem
me liga invariavelmente troca dois dedos de prosa com o clonador. Sou
jornalista, uso o celular em meu ofício e ficar sem ele significa
perder trabalho. Quanta gente não passa por situação semelhante quando
o automóvel quebra?
Para isso seguradoras (e hoje até fabricantes) lançam mão do
carro-reserva. Além disso, inventaram já há décadas a figura do
recall, tão popular nos últimos anos e para o qual muitos ainda
torcem o nariz. Mas será que errar é tão terrível assim? Pior não é
tentar tapeá-lo na cara dura — e, o mais irritante, usando um gerúndio
por frase? “Vamos estar analisando para ver o que podemos estar
fazendo e vamos estar retornando...”
A Vivo certamente trabalha com probabilidades. Pelo visto a maior
parte de seus clientes se sente privilegiada com o “descontão”, não
está nem aí com a responsabilidade objetiva etc. Sinto informar que as
gerações mais novas não sabem o que é esperar anos por um celular e
estão muito mais conscientes de seus direitos. Eis por que a indústria
automobilística, que não é mais restrita a meia dúzia de modelos,
também teve de se reciclar.
Sei que, até o momento em que escrevi esta coluna, ainda estava em
litígio com a Vivo (!). Tenho certeza de que tudo vai se resolver da
melhor forma possível. Já comecei até a procurar um novo aparelho. Em
uma dessas buscas, uma vendedora me contou que, por ser cliente fiel
há oito anos, tinha direito de resgatar, em razão de uma pontuação que
eu nem sabia que existia, um aparelho novo, a escolher entre vários
modelos — justamente aqueles que iriam me oferecer por “doação”. Ou
seja, tinha direito a vários “Milles”.
Pior não é a tentativa de ser enganado, mas sim a sensação de ser
chamado de estúpido sem nenhum escrúpulo. É, pelo visto, as empresas
de telefonia ainda têm muito o que aprender. Poderiam começar mirando
no exemplo da indústria automobilística.
A entrevista da semana é com Wilson Yasuda, gerente do Centro
Educacional de Trânsito da Honda. Ele fala sobre a segurança de quem
anda de moto nas grandes cidades. Continua |

Mercado 1 - O
licenciamento de veículos caiu 40,1% entre dezembro do ano
passado e janeiro deste ano. Foram emplacados 106,6 mil, contra
178 mil do último mês de 2004. Os dados são da Anfavea
(Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
Mercado 2 - A associação, no entanto, não vê o número
como uma queda. Dezembro é que teria sido um mês atípico.
Afinal, se comparado a janeiro de 2004, a queda foi desprezível
(0,7%). Foram 106,6 mil veículos, contra 107,4 mil de janeiro do
ano passado.
Aniversário 1 - Por ocasião de seus 80 anos de Brasil, a
General Motors divulgou uma série de números curiosos a respeito
de sua operação no país. Exemplo: juntos, os complexos
industriais da GM em São Caetano do Sul, São José dos Campos,
Mogi das Cruzes (SP), Gravataí (RS), o centro de peças de
Sorocaba (SP) e o campo de provas de Indaiatuba (SP) somam
19.050.554 m², território 26% maior do que uma cidade do porte
de São Caetano.
Aniversário 2 - Dois outros números também mostram como o
mercado mudou: o Opala foi produzido no país por 23 anos, tendo
saído da linha de produção em abril de 1992 após 1 milhão de
unidades fabricadas. Já o Monza foi produzido de 1982 a 1996,
tendo vendido 950 mil unidades.
Espiadinha - Tatiana Pink e Alan, participantes do Big
Brother Brasil, visitaram a fábrica da Fiat em Betim, MG, na
última segunda-feira. Participaram de uma prova de economia a
bordo do Palio ELX 1,25 Flex. O desafio é tradicional em eventos
da fabricante.
Armazém Renault - Já está em operação uma nova área de
estocagem de peças da Renault do Brasil, agora em São José dos
Pinhais, PR. A novo local atende também a Nissan, em conjunto
com o armazém de Jundiaí, SP, que funciona desde 1997. O
objetivo é atender os mercados da região Sul, além de Argentina
e Chile. |
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Calotas - O jogo de
quatro calotas aro 15 Universal Sport DX76, da marca Di Fatto, é
uma boa opção para quem quer dar um ar esportivo a modelos com
rodas de aço, sem gastar tanto na compra de um jogo de alumínio.
Custa R$ 94,90.
Alarme - Lançado pela Olimpus, o GX Plus traz sirene,
bloqueio de partida do motor, botão de pânico e travamento
automático das portas quando se dá a partida. Traz controle
remoto resistente a água. Custa R$ 190. |
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