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Outubro de 2000. O Palio passava por sua primeira reestilização, e a
Fiat reuniu a imprensa especializada no Rio de Janeiro. A festa de
lançamento teve toda a pompa e circunstância digna da Cidade
Maravilhosa. O hangar em que houve a festa virou um sambódromo, com
direito a Carlinhos de Jesus e desfile de escolas de samba. No
produto, aquelas alterações que se podem fazer em quatro anos: nada
muito mirabolante. De lado, inclusive, o modelo quase não mudara.
Antes de sair para a tal festa, abro meu e-mail no quarto do hotel.
Era um leitor do jornal em que eu trabalhava, sugerindo algumas
alterações no Palio. Dizia algo assim: “A Fiat bem que poderia
ampliar o entreeixos, incluir um motor mais potente e carroceria de
alumínio”. Pensei: ótima sugestão. Mas será que esse leitor estaria
disposto a pagar o preço que o carro iria custar com tais “mudançazinhas”?
Essa história – como muitos outros exemplos nesses quatro anos e
pouco – voltou à minha cabeça no último fim de semana, em Recife,
PE, durante a convenção de imprensa do
Ranger com motor eletrônico.
Um dos engenheiros da Ford falou em instalar “a tecnologia certa na
medida certa”. Ou seja, o veículo não pode chegar às lojas muito
caro. Mas também não pode oferecer menos do que a concorrência.
Folgo em dizer que foi-se o tempo em que tecnologias eram
absolutamente inacessíveis. Existem equipamentos notáveis –
automóveis que avisam quando o motorista muda de faixa sem
sinalizar, uma infinidade de materiais leves e muito resistentes,
motores cada vez mais potentes e eficientes.
Tecnologia virou item de prateleira. O concorrente terá? Vou até a
estante e lá está o meu pacote, que só não usei até agora porque vou
perder mercado. Sim, a tecnologia é de quem pode pagar por elas. A
General Motors lançou o Astra
Multipower, “o primeiro tricombustível do mundo”. Não custa
nenhum absurdo a mais do que o modelo de linha, coisa de R$ 4.000.
Sabe quantas unidades foram faturadas desde dezembro? Cerca de cem.
Em seu legítimo direito, o consumidor quer mesmo mais por menos. Mas
está na hora de ter maturidade e saber que não existem milagres.
Quer esse, aquele e aquele outro item? O preço final será bem mais
alto. Ainda em seu papel, o pretenso comprador simplesmente acha
caro demais, vira as costas e vai embora. Não é preciso ir muito
longe. Para não ter de desembolsar R$ 2.500 a mais, o brasileiro
abre mão de se refrescar com um ar-condicionado no calor senegalês
que nos tem assolado neste verão, de frear com mais segurança graças
a um dispositivo eletrônico que evita o travamento das rodas (ABS),
de ter a vida preservada por bolsas infláveis caso os cintos não
dêem conta do recado.
Talvez a única exceção à regra no Brasil seja o sistema de navegação
por GPS. Mas o velho argumento de que não existe mapeamento das ruas
não serve mais – veja só a proliferação das empresas de bloqueio e
rastreamento, cada vez mais sofisticados, que servem tão bem aos
caminhões. A questão tem muito mais a ver com a ignorância de quem
no Contran (Conselho Nacional de Trânsito) deixou passar a proibição
de telas de DVD e GPS nos automóveis. Quem vai se dedicar a
tecnologias que são proibidas?
Diga-se que é louvável a coragem que multinacionais têm em investir
no Brasil. Um país em que um deputado, certa vez, quis aprovar uma
lei para obrigar os fabricantes a manter em linha um veículo pelo
prazo de dez anos – mas isso já abordei aqui, em uma das primeiras
colunas. Enquanto proíbem DVD e GPS, nada fazem contra (outra coisa
que esta coluna martela) engates sem reboques, películas escuras
irregulares, quebra-matos ameaçadores. Enfim, contra a falta de
cidadania no trânsito. Ao que parece, a ignorância, bem como a
tecnologia, não sabe o significado da palavra limite. |

O que vem por aí? -
A fábrica de motores diesel MWM terá de se esforçar para se
equiparar à concorrência. O motor eletrônico do Ranger, da
International Engines, tem 163 cv. O novo Toyota Hilux, a ser
lançado dia 28, deverá chegar a valor semelhante. Enquanto isso,
S10 e Frontier ainda penam com o propulsor de 132 cv. Comenta-se
que sua versão eletrônica terá 150 cv.
Furo! - Na consagrada linha “carros de novela”, esta
coluna obteve com exclusividade a informação de quem comprou um
Kia Sorento: foi Reginaldo (Eduardo Moscovis), o prefeito
corrupto de Senhora do Destino.
A mais elogiada... - O Brasil foi apontado como um dos
países que se destacaram para o aumento de vendas da Fiat Auto.
Houve crescimento de 3,4% no último ano, com 1,91 milhão de
unidades comercializadas. Outros mercados que mereceram menção:
Espanha, Holanda, Grécia, Dinamarca, Áustria, Argentina e
Turquia. |
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CD e MP3 - O
aparelho Roadstar RS2018, que inclui CD e
MP3, está sendo vendido a
partir de R$ 222.
Pegada - Uma boa opção para tornar a dirigibilidade mais
esportiva é o volante italiano Momo Driver, de couro costurado a
mão e acabamento de alumínio. Preço: R$ 1.490.
Clio elétrico -
O aerofólio com 30
LEDs para o Clio hatch, em
primer (preparado para a pintura), deixa o automóvel mais
atraente. Custa R$ 162. |
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