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Na
última semana, para produzir uma reportagem para uma revista, tive de
mergulhar no tema direção defensiva. Havia um certo tempo que não
conversava com pilotos e instrutores sobre o tema. O filão dos cursos
que ensinam como dirigir melhor foi descoberto pelas companhias de
seguro, parte muitíssimo interessada em reduzir o número de acidentes
no trânsito.
A procura por esse tipo de curso, porém, avança a passos muito lentos.
A quantidade de pessoas que acreditam piamente que nada de ruim vai
acontecer a elas continua insuportavelmente alta. Nos últimos três
anos, um desses cursos (sempre os mesmos, sempre os mesmos...) teve um
crescimento de 12% na procura.
Em geral, o aluno passa por uma aula teórica que nada mais é do que um
misto de noções básicas de física (inércia, lei da ação e reação,
força centrífuga, entre outros temperos desse arroz-com-feijão) com
aulas de boas maneiras (não ofuscar o motorista para “dar o troco”
caso ele tenha jogado um facho de farol alto em sua cara, não fazer
gestos obscenos no meio da rua, nem tampouco sair à perseguição do
condutor que lhe deu uma fechada logo atrás...).
Já fiz inúmeras vezes esses cursos. A parte teórica realmente é de
grande utilidade. Até então eu não imaginava que com as mãos no
volante na posição “dez para as duas (horas)” ou na “quinze para as
três” era possível dar conta de 70% das manobras do dia-a-dia. Isso
mesmo. Faça o teste – e nunca mais segure o volante de outra forma.
Dureza é assimilar a parte prática.
Mandei um e-mail para o Ingo Hoffmann, piloto da Stock Car. Ele
respondeu que o mais difícil a transmitir nesses cursos (o que ele
ministra, aqui e no exterior, é o BMW Driver Training) são aquelas
lições em que é preciso exatamente ir contra os próprios instintos –
entre eles, o de sobrevivência. Quando se perde a aderência em razão
de pista alagada, o mais comum (mesmo para pessoas que não têm carro
com sistema ABS, item que equipa uma minoria no Brasil) é pisar com
força no pedal de freio. É a melhor forma de perder o controle da
situação... O correto é tirar o pé do acelerador e deixar a velocidade
diminuir aos poucos para recobrar a aderência.
Ingo respondeu a todas as perguntas. Eu estava viajando, e o piloto
acabou deixando um recado em minha caixa postal: “Olha, Luís, as
perguntas que você faz simplesmente me obrigariam a descrever
praticamente o curso todo”. Esbocei um sorriso de satisfação. Estava
afinal cercando todas as possibilidades. O otimismo passa logo.
Afinal, quem vai de fato executar o que se aprende nesses cursos?
Seria necessário que se praticasse. E quem o fará, pelo menos de forma
segura?
Com certeza o motorista de um Vectra que flagrei na última
segunda-feira, na marginal Pinheiros, não o faria. Vinha eu de
motocicleta entre os automóveis parados na confluência entre aquela
via e a avenida dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. Por um
momento, pensei que era final de ano: o condutor aproveitava o tráfego
carregado para abrir a janela do carro e jogar papéis picados – coisa
que é muito pouco provável que ele repita no escritório de casa. Quem
nunca trocou o CD com o carro em movimento, ou aproveitou o sinal
amarelo-já-avermelhando, ou fez aquela conversão proibida "que não
atrapalharia ninguém", que atire a primeira pedra.
Infelizmente cidadania, racionalidade e disciplina não vendem
automóveis. O que vende são itens mais relacionados à contravenção,
como velocidade, potência, peripécias. Por conta disso, menos de 5%
dos motoristas seguem todas as normas que prescreve a boa vizinhança
automotiva. Os outros 95% acham que é bobagem – basta entrar no carro,
engatar primeira e acelerar. A eles, um argumento incontestável: antes
de se aventurar ao volante, em um trânsito que mata 50 mil por ano,
pense nas cinco pessoas mais importantes da sua vida. |

Jabá 1 - A Citroën
acertou em cheio ao lançar um filme que brinca com uma mania
nacional (que, aliás, independe de classe social): a de pedir
brindes. Esse é o tema da campanha da minivan Picasso
Automatique ("automática com preço de manual").
Jabá 2 - O vendedor diz que o câmbio automático é brinde,
para a surpresa do pretenso comprador. Depois emenda: “Se o
senhor preferir um chaveiro, tudo bem”. O cliente: “Não sei por
quê, acho que vou querer o câmbio automático”.
Massa coreana - A Kia Motors e a Hyundai são
patrocinadoras da Copa do Mundo de futebol entre 2007 e 2014. A
idéia é popularizar as marcas mundialmente.
Fórmula 1 - Digna de nota a classificação do Grande
Prêmio da Austrália. Pode ter sido exceção, mas a primeira vez
em que Rubens Barrichello fica à frente de Michael Schumacher
deve ser sempre lembrada – dure o quanto for.
Ainda F-1 - O outro destaque positivo do GP foi o
desempenho dos Renaults. E olha que tem gente graúda apostando
que seus dias na categoria estão contados, em razão da chegada
de Carlos Ghosn, o brasileiro famoso por recuperar empresas em
crise (mais um!).
Fiado 1 - A Anef (associação das financeiras dos
fabricantes) registrou no último ano um crescimento de 19,8% na
liberação de crédito (R$ 10 bilhões, contra R$ 8,3 bilhões em
2003). As vendas financiadas cresceram 8,1%, com 599 unidades
negociadas via CDC, Finame, leasing e consórcio.
Fiado 2 - De acordo com a associação, houve também uma
queda de 16% na inadimplência, que passou de 4,3% para 3,6% de
um ano para o outro. |
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Livro - Este
colunista recomenda a leitura do livro do colega jornalista
Flavio Gomes, O Boto do Reno. Traz crônicas com
histórias da cobertura da Fórmula 1 (em que ele está metido há
17 anos), além de relatos sobre povos e culturas dos lugares por
onde passou. Preço: R$ 39,90.
Espelho meu - A Metagal lança um retrovisor de desenho
esportivo e arrojado, a linha Indy Light. O espelho vem com
lente azul, para minimizar o ofuscamento, e é possível pintá-lo
todo na cor do veículo. Pode ser encontrada no mercado de
acessórios para Gol, Parati, Saveiro, Palio, Palio Weekend,
Strada, Classic, novo Corsa, Celta e Ka. |
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