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Muita gente havia acabado de vender parte do patrimônio (casa, apartamento, carro) para comprar outro, dias depois. Com o Plano Collor, essas pessoas ficaram sem nem um, nem outro. Ouvi relatos de suicídios. Nunca tive certeza da dimensão da tragédia. Empresas não tinham dinheiro para pagar o salário dos funcionários. Meu drama pessoal teve a ver com carro: minha mãe havia economizado dinheiro para comprar um Fiat Uno (já o havia escolhido; era um branco, usado). Havia recém-completado 18 anos. O sonho do primeiro carro virou fumaça. Coisa leve.

"Baby, bye, bye/ Abraços na mãe e no pai/ Eu acho que vou desligar/ As fichas já vão terminar/ Eu vou me mandar de trenó pra Rua do Sol, Maceió/ Peguei uma doença em Ilhéus/ Mas já estou quase bom/ Em março vou pro Ceará/ Com a bênção do meu Orixá/ Eu acho bauxita por lá/ Meu amor..."

A indústria nacional tinha de se mexer para competir com os produtos importados, que chegavam para demonstrar com fatos o que aquele presidente de olhos esbugalhados, que gostava de usar camisetas para transmitir mensagens à sociedade, havia dito. Até hoje o Brasil paga a conta por ter ficado tanto tempo fechado, com a falta de escala na produção de equipamentos eletrônicos que fariam os veículos ficarem mais seguros do que são. Não sei se alguém se lembra, mas nem a cultura do uso do cinto de segurança existia há 15 anos...

Sempre resisti à idéia de que um determinado governante fez isso ou aquilo. Ou seja, não acredito que o governo Collor tenha o mérito de abrir as importações. Era uma onda, algo a que não era possível resistir. Conheci gente que votou nele pela jovialidade (foi eleito aos 40 anos), porque "era bonitão". E lá ia o "caçador de marajás" com seu brilhantismo dizer que uma recessão poderia ocorrer, pequena... Pois sim.

Todos os sinais vitais da economia despencaram, sobretudo os ligados ao mundo do automóvel. A produção de automóveis caiu a 914.466 unidades, voltando aos seis dígitos. Números assim só haviam sido registrados em 1987 (920.071, efeitos do Plano Cruzado) e nos idos dos 80, também época de recessão (1981 registrou a produção de 780.841). As vendas internas caíram de 1989 para 1990 de 761.625 para 712.626. Produção, vendas internas e exportações despencaram de 253.720 para 187.311 unidades. Para dar uma idéia, em 2003, ano considerado ruim, esse total foi de 534.745.

"Bye,bye Brasil/ A última ficha caiu/Eu penso em vocês night´n day/ Explica que tá tudo OK/ Eu só ando dentro da lei/ eu quero voltar podes crer/ eu vi um Brasil na TV/ Peguei uma doença em Belém/ Agora já tá tudo bem/ Mas a ligação está no fim/ Tem um japonês atrás de mim/ Aquela aquarela mudou/ Na estrada peguei uma cor/ Capaz de cair um toró/ estou me sentindo um jiló/ Eu tenho tesão é no mar Assim que o inverno passar/ Bateu uma saudade de ti/ Estou a fim de encarar um siri/ Com a bênção do Nosso Senhor/ O sol nunca mais vai se pôr."

Depois de Collor, nada mais foi como era antes. Vieram Itamar Franco, FHC e uma política econômica baseada no aperto fiscal (seguida por Lula), mas pelo menos em uma cultura de fiscalização permanente da sociedade. A competição tirou o sono de muita gente acostumada ao tempo em que apenas quatro fabricantes tomavam conta do mercado, e as concessionárias eram tiradoras de pedidos.

Se o manobrista do estacionamento ainda escreve que o Audi A3 é importado (para que ter dois trabalhos, o de mudar a opção para nacional e depois para importado de novo?), muita coisa mudou: fala-se em respeito à vida, em conseguir mais itens de segurança e conforto pagando menos e (viva a internet!) é possível, com um clique, saber o quão defasado seu automóvel está em relação ao mesmo modelo na Europa ou nos EUA. Coisas da globalização.

País que há 15 anos era o das carroças hoje tem, para a fabricação e automóveis, um dos maiores parques industriais instalados. A capacidade ociosa ainda é alta, mas a economia dá bons sinais de crescimento. A euforia, desta vez, foi galgada aos poucos e de novo à custa de muito sofrimento.

Agora já tá tudo bem. Será?

Novo lema 1 - A nova campanha publicitária da Volkswagen, sob o tema "perfeito para a sua vida", procura realçar valores como tecnologia, acessibilidade, confiabilidade e durabilidade da marca.

Novo lema 2
- A idéia é resumir características e diferenciais da Volkswagen, obtidos por meio de clínicas e pesquisas, de modo a afirmar que os produtos da marca são "a solução ideal ou viável para um momento qualquer do cotidiano de uma pessoa".

Bye, bye, Thunder - Apenas três anos depois de relançar, na linha retrô high-tech, o legendário Thunderbird, a Ford anunciou que deixará de produzi-lo. O modelo reformulado vendeu 55 mil unidades.
 
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