"Oi, coração/ Não dá pra
falar muito não/ Espera passar o avião/ Assim que o inverno passar/ Eu
acho que vou te buscar/ Aqui tá fazendo calor/ Deu pane no ventilador/
Já tem fliperama em Macau/ Tomei a costeira em Belém do Pará/ Puseram
uma usina no mar/ Talvez fique ruim pra pescar/ Meu amor..."
A
letra de Bye, Bye, Brasil, que salpico na coluna de hoje,
pretende ajudar o leitor a fazer uma ponte entre os anos 80 e os 90.
Uma e outra foram, respectivamente, a "década perdida" e aquela em
que, com muito sofrimento, o Brasil se encontrou com suas próprias
deficiências. Quando notei que o texto desta semana iria ao ar
justamente na terça-feira, 15 de março, passou na cabeça um filme em
flashback, com cenas indeléveis: um presidente (o mais jovem
eleito para o cargo na história), um plano econômico, poucas
explicações lógicas, muita dúvida no ar...
Uma frase de efeito não sai da cabeça de quem sempre acompanhou a
indústria automobilística: "Os automóveis nacionais são verdadeiras
carroças!". Tal assertiva parecia simplista, mas fazia parte da (é
preciso dar a mão à palmatória) grande habilidade que Fernando Collor,
cuja posse completa 15 anos, tinha para se comunicar. Vale lembrar que
isso ocorreu bem antes de o marketing político virar um lugar-comum.
Época de preços congelados (as tabelas sairiam todo dia 1º), salários
prefixados (todo dia 15) e uma coisa em comum em todas as contas
correntes: só Cr$ 50 mil disponíveis.
"No Tocantins/ o chefe
dos Parintintins/ vidrou na minha calça Lee/ Eu vi uns patins pra
você/ Eu vi um Brasil na TV /Capaz de cair um toró/ Estou me sentindo
tão só/ Oh, tenha dó de mim/ Pintou uma chance legal/ um lance lá na
capital/ Nem tem que ter ginasial/ Meu amor..."
Líderes de associações de empresários também foram à TV dizer que a
tal frase das carroças conseguiu sintetizar (e portanto explicar) o
que havia anos tentavam dizer: os efeitos da economia fechada sobre o
desenvolvimento da indústria automobilística. Carroça nada mais é do
que uma estrutura, em geral de madeira (por acaso aqui era de metal),
com duas rodas, puxadas por um animal — um cavalo. Collor exagerou.
Mas, pensando bem, nem tanto assim... Seu governo durou coisa de dois
anos e meio. Logo em seguida vieram os "populares", no início carroças
motorizadas.
Enquanto me deparo com colegas que cobriram o lançamento do Opala, o
primeiro carro de passeio aqui fabricado pela General Motors, lembro
que uma de minhas primeiras tarefas como jornalista de automóveis foi
buscar um "carrão" para teste, o Volkswagen Logus. Uau! Sinal dos
tempos de um Brasil cujos resquícios até hoje estão aí, com
presidentes, da República e da Câmara, que se orgulham por terem sido
formados pela "faculdade da vida". O Logus era Autolatina, a
associação entre Ford e Volkswagen cujas medidas tomadas por Collor
decretaram a sentença de morte, como tão bem retratou o gerente da
Ford Hélio Perini.
"No Tabaris o som é que
nem os Bee Gees/ Dancei com uma dona infeliz/ que tem um tufão nos
quadris/ Tem um japonês atrás de mim/ Eu vou dar um pulo em Manaus/
Aqui tá 42 graus/ O sol nunca mais vai se pôr/ Eu tenho saudades da
nossa canção/ Saudades de roça e sertão/ Bom mesmo é ter um caminhão/
Meu amor..."
Veículos de toda sorte de nacionalidades invadiram o país que trocara
o cruzado novo pelo cruzeiro — lembro-me de ter dirigido vários da
Peugeot, Citroën, Honda, Mercedes-Benz, entre outras marcas que mais
tarde se estabeleceriam por aqui. O Brasil que se via na TV mal pôde
saborear o fim da inflação, que voltou poucos meses depois com força
total, por inúmeros motivos — a incompetência que a equipe econômica
demonstrou logo no primeiro dia, quando tentou explicar o mirabolante
plano, a falta de uma política fiscal austera, que mais tarde se
traduziria em muita, muita corrupção, as tais torneirinhas de liquidez
que fizeram com que o dinheiro que havia saído de circulação voltasse,
entre outros. Continua |

De cara nova
- A Citroën lança na próxima semana o novo C5. Entre as
novidades estão bolsa inflável na coluna de direção, para
proteger tíbia e joelhos, e sensor
de estacionamento agora na dianteira. Os faróis, segundo a
empresa, têm "forma de bumerangue".
Scénic bebe álcool 1 - A Renault apresenta a minivan
Scénic com motor 1,6-litro 16V Hi-Flex, ou seja,
flexível em combustível. Com
115 cv, tem de série ar-condicionado, vidros traseiros
elétricos, computador de bordo, volante regulável em altura,
entre outros itens.
Scénic bebe álcool 2 - Sua versão mais em conta, a
Expression, custa R$ 56.490. A topo de linha (Privilége), a R$
60.890,00. O valor já inclui frete e pintura metálica (único
opcional).
Toyota no RS - A Toyota inaugurou um Centro de
Distribuição em Guaíba, RS, na Grande Porto Alegre. A instalação
passa a ser utilizada como apoio logístico na distribuição para
o Brasil da nova Hilux de e peças de reposição produzidas em
Zárate (Argentina). |
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