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Nos
últimos dias foram publicados no BCWS, como nos demais meios de
comunicação, os números da produção
automobilística no mês de setembro e o acumulado no ano. No
período foi verificado um resultado fantástico, quase superando uma
marca histórica obtida há alguns anos. Como de praxe, a informação
desse mês foi comparada com os números do mês e do período anteriores.
Dessa comparação verificou-se um crescimento espetacular em nossa
produção em um curtíssimo espaço de tempo.
A notícia não podia ser melhor, pois, como sabemos, a indústria
automobilística é como um termômetro da economia nacional. Isso
representa, portanto, um momento em que nossa economia está bem
aquecida, além de caminharmos a passos largos para um crescimento
econômico.
O grande problema que o governo deve enfrentar é não fazer com que
esse crescimento seja somente uma “bolha” em que, passado o momento de
euforia, os números retornem ao patamar anterior. O crescimento deve
ser sustentado, de maneira que os números ao menos estacionem nos
níveis atingidos atualmente.
Para que esse aquecimento se mantenha e se transforme em crescimento
sustentado, uma das ferramentas que o governo possui é a redução da
carga tributária a níveis aceitáveis. Como sabemos, a carga tributária
nacional é uma das mais altas do planeta. A redução de tributos é uma
manobra que já se mostrou eficaz para que ocorra o aquecimento e o
aumento de vendas, principalmente de veículos, e foi utilizada mais de
uma vez pelos governos federal e estadual para esse fim, sendo a
última delas cerca de um ano atrás (leia coluna a
respeito).
Naquela época o governo federal, atendendo um apelo da indústria
automobilística, reduziu em alguns pontos as alíquotas do IPI –
Imposto sobre Produtos Industrializados – por cerca de três meses como
forma de buscar um aquecimento nas vendas. O resultado foi um aumento
considerável nas vendas nesse período, sem perda de arrecadação, uma
vez que o que foi deixado de arrecadar com a redução das alíquotas
arrecadou-se com o volume maior de veículos comercializados.
Essa manobra também já foi utilizada por alguns estados da Federação,
que se valeram da redução do ICMS – Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços, de competência estadual – para que as vendas
de carros aumentassem. Novamente, mais vendas sem queda de
arrecadação, repetindo-se o efeito do IPI menor.
Ponto de equilíbrio
Alguns estudos na área tributária já demonstraram que a manutenção
de uma carga tributária alta reflete-se em arrecadação também alta,
mas só até determinado ponto. A partir de certo patamar essa alta
carga passa a ser um obstáculo para o consumo e a produção, fazendo
com que a arrecadação fique estagnada ou até mesmo diminua, em função
do peso que os tributos exercem no preço dos bens e mercadorias.
Analisando estudos dessa natureza, percebemos que o Brasil precisa
urgentemente de um reestudo da carga tributária incidente em nossa
produção e consumo. Embora estes venham crescendo e, conseqüentemente,
a arrecadação, os números obtidos poderiam ser maiores e – melhor –
mais concretos, compondo dados de um crescimento sustentado em bases
mais sólidas.
Naturalmente que essa manobra de redução da carga tributária não pode
e nem deve ser feita de maneira brusca. Deve ser feita de maneira
gradual, pensada e analisada a fundo, de maneira que os consumidores e
o governo efetuem um planejamento de adequação econômica ao novo
regime de carga tributária reduzida. Isso porque para a indústria
haverá um aumento de produção que precisa ser corretamente
dimensionado, sob pena de termos todo o esforço perdido em nome da
inflação que poderá ser gerada, caso ocorra uma demanda
desproporcional à oferta.
O planejamento do governo deve ser feito com extremo cuidado, uma vez
que a redução pode implicar perda de arrecadação. Nossos governantes
devem respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que não permite que
seja gasto pelas administrações dos três níveis mais do que foi
arrecadado. Mas, como já demonstrado, a revisão tributária não precisa
ser uma fonte de preocupação muito grande, pois o mercado sempre
respondeu de maneira positiva.
Devemos, sim, reconhecer e comemorar nosso crescimento e os resultados
alcançados por nossa economia. O que não devemos e não podemos fazer é
deitar nos louros dos bons resultados obtidos até aqui. |