Todos
têm um dia em que estão com pressa, e nesse eu estava. Ainda no bairro
em que moro, um carro à frente estava mais lento que o limite de rua
residencial, 40 km/h, e o ultrapassei. Para quê... Assim que pôde, o
imbecil me ultrapassou enraivecido. Pode o leitor apostar que o carro
tinha vidros completamente escuros, que vai ganhar... Pus-me a pensar,
enquanto dirigia, como as pessoas parecem cada vez mais agir fora dos
limites da civilidade e do bom convívio social. E como isso influencia
negativamente o trânsito, já falei muito a respeito disso na coluna. Mas
o imbróglio não é só em trânsito.
Agora estamos no festival de recordes de alta do petróleo, que
ultrapassou a marca dos 130 dólares o barril esta semana. Alegam os
analistas — gosto desse nome pomposo para palpiteiro, tanto quanto
"operador de veículos de deslocamento vertical" para ascensorista em
Washington, capital dos Estados Unidos — que os motivos da alta são a
desvalorização do dólar e o aumento do consumo dos países emergentes
diante da oferta estagnada. Então quer dizer que, de repente, o quadro
mudou, sei... É especulação da pior espécie, isso sim. A mesma que está
levando ao aumento dos preços dos alimentos, inclusive na terrinha, é
óbvio. Sem motivo. Não, errei: o presidente do Brasil disse que é porque
as pessoas estão podendo comer mais...
Deu mesmo a louca no mundo. Mazelas e problemas que normalmente têm
curso lento hoje surgem do nada, como explosões. Ainda está na lembrança
a crise do transporte aéreo que se desencadeou depois da colisão do
Legacy com o Boeing da Gol, em setembro de 2006. Da noite para o dia
o Brasil se viu às voltas com sério problema de controle de tráfego
aéreo. Durante a febre, a inconseqüente ministra do Turismo, Marta
Suplicy, veio a público dizer para os milhares de passageiros
desesperados nos aeroportos que "relaxassem e gozassem". E, como na
maioria das febres, a crise veio e foi embora. Está tudo normalzinho
hoje.
Na Finlândia, a turma do governo achou que rico tem de pagar mais que
pobre. E instituiu multas pesadas para quem tem mais dinheiro e
ultrapassou o limite de velocidade. Há o caso de um executivo da Nokia
ter pago mais de 103 mil euros (R$ 264 mil) por trafegar 15 km/h acima
do limite, que mais de 120 km/h não é. Daí surgiu o trocadilho com o
nome do país, de área próxima do estado do Mato Grosso do Sul e 5,2
milhões de habitantes: Fineland. O substantivo fine em inglês
significa multa, portanto país da multa.
Na Áustria, um tenebroso caso de incesto, pai em união carnal com filha
e sendo gerados filhos, e começam a vir à tona casos pelo mundo, como na
Argentina e até aqui. É algo inimaginável, coisa de louco mesmo. Ou de
animal.
Enquanto isso, no Brasil, em pleno século 21, índios passam ao ataque,
como aconteceu esta semana em Altamira, no Pará. O engenheiro da
Eletrobrás Paulo Fernando Resende, quando apresentava estudo sobre
construção de uma usina hidrelétrica, foi atacado a facão por índios
enfurecidos e feriu-se gravemente no braço. A loucura maior está em
índios, que são inimputáveis pela Constituição Federal, não terem sido
impedidos de adentrar ao recinto da apresentação portando facões, sob
alegação de serem objetos da sua cultura e, portanto, terem direito a
portá-los. Deu ou não a louca no mundo?
Como diria a Dra. Lorca em seu quadro no programa Zorra Total,
índio andar com facão para cima e para baixo, em qualquer lugar, PODE.
Já um cidadão útil, que paga impostos e contribui para a riqueza do
país, NÃO PODE.
A loucura vai mais longe. As tais paradas do orgulho gay, por exemplo.
Já pensou o leitor se todos os grupos resolvessem fazer paradas? Que tal
parada do orgulho de ser prostituta? Ou de ser metalúrgico? Ou de
motorista? O pior é que, no caso da São Paulo, a prefeitura, pela SP
Turis, vai despender R$ 450 mil, fora outras contribuições oficiais e
privadas. Vale a pena dar uma olhada na página do
site da prefeitura de São Paulo para ver tudo o que é investido
nessa parada sem sentido. Enquanto isso, hospitais, postos de saúde,
creches, estão do jeito que todo mundo sabe.
O pior é ver pais levando os filhos para assistir a essa "parada" —
apreciar o quê, alguém sabe explicar? —, além de tumultuar a vida da
cidade numa região crivada de hospitais, que ficam com os acessos
prejudicados. Se até o desfile cívico-militar Semana da Independência é
realizado no sambódromo da capital paulista, é uma ofensa à honra das
nossas Forças Armadas a parada do orgulho gay na Av. Paulista. Isso
precisa acabar.
Estamos mesmo vivendo um período estranho. Fez-se um auê tremendo,
medida provisória e tudo mais, para proibir a venda de bebidas
alcoólicas nas estradas, que acabou de ser derrubada, com todo o mérito,
pelo Senado. Como eu já disse aqui, sem essa de justo pagar pelo
pecador: nem todos que estão na estrada estão dirigindo e por isso não
podem ser privados do direito de ingerir uma bebida legal. Coíba-se o
danoso alcoolismo ao volante pelos meios legais à disposição.
E que tal o governo, mesmo vindo sendo batidos recordes sucessivos de
arrecadação com impostos — disse que diminuiria —, querer a volta da
CPMF? Chamo isso falta de vergonha na cara. Como foi falta de vergonha
na cara o presidente do Brasil dizer publicamente, no ano passado, que
quem era contra a famigerada contribuição é porque era sonegador de
impostos. Num país sério um presidente que dissesse isso seria impedido
de continuar no cargo.
Por fim, e fechando a coluna falando de automóvel, a General Motors
anunciou nova Flexpedition, desta vez uma "expedição" para visitar
portos brasileiros dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em nota
à imprensa, a empresa chama o programa de "aventura" e diz que
seu
vice-presidente, José Carlos Pinheiro Neto, participará como
"expedicionário" da primeira etapa, que começa no dia 26 próximo. Diz
ainda a nota que a iniciativa coincide com a comemoração do 200º
aniversário da abertura dos portos brasileiros "pela Família Real
Portuguesa". Ué, não foi ato do rei?
Deu mesmo a louca no mundo.
|