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E o ano praticamente terminou. Tempo de festas, de alegria, de comer
aquele peru natalino, de encontrar os amigos e os parentes distantes
e os nem tão distantes assim, de promessas e resoluções que nunca se
tornarão realidade. Mas também é tempo de reflexões. De rever aquilo
que aconteceu no ano que passou e de projetar aquilo que vem aí no
próximo ano.
Reconheço, o tema é batido, ainda mais neste momento histórico em
que vemos uma grande fábrica — a Honda — abandonar a Fórmula 1 por
causa da crise econômica. Mas é sempre bom revermos o que aconteceu
no ano e não nos prendermos a apenas um tema. Ainda mais sendo um
tema um tanto pessimista.
Este foi o último ano da bonança econômica no automobilismo. Os dias
em que autódromos faraônicos brotam do nada, em que as equipes falam
de centenas de milhões de dólares como se fosse dinheiro de troco...
Enfim, estes dias de alegria e arrogância de Bernie Ecclestone e
seus asseclas parecem ameaçados para o ano que vem.
Um dos primeiros setores da indústria a ser atingidos pela crise
seria o mercado automobilístico. Afinal, o produto vendido por esta
indústria tem alto valor e não é exatamente de primeira necessidade.
E, como se temia, a crise realmente chegou a este mercado. Como hoje
o automobilismo não é muito mais do que uma ferramenta de
publicidade bancada pela indústria automobilística, era inevitável
que também fosse atingido pela crise.
Justamente por isso, a Honda deixou a Fórmula 1. Afinal, sua
presença era um luxo caro num momento de dificuldade econômica. Mas
não é a única a abandonar posições em campeonatos importantes por
causa da crise. A Audi também deixou as séries Le Mans na Europa e
na América do Norte — não confundir com a prova 24 Horas de Le Mans,
na qual ela permanece — depois que verificou o quanto a crise
atingiu seus números no balanço do terceiro trimestre. E, pelos
números negativos, estas podem não ser as únicas baixas no
automobilismo para a próxima temporada.
Com a crise se alastrando, alguns patrocinadores também podem deixar
o esporte. Bancos perderam dinheiro. O escocês RBS, que investe
algumas dezenas de milhões de dólares para estampar sua marca no
capô dos carros da equipe Williams, por exemplo, teve a maioria de
suas ações compradas pelo governo do Reino Unido no pacote de ajuda
aos bancos bretões. Não seria surpresa se tal banco simplesmente
deixasse de figurar no rol de patrocinadores da equipe inglesa. Isso
sem contar as dificuldades que as tradicionais três gigantes dos
Estados Unidos encontram para sobreviver. Será que isso influiria no
automobilismo? Certamente que sim, já que as três são as principais
apoiadoras da Nascar, a principal categoria naquele país.
É mesmo um fim de ano complicado, mas que reflete o começo do ano
tão complicado quanto, quando tivemos o Rali Dakar cancelado por
causa de ataques terroristas na Mauritânia. Era um prenúncio de que
o ano não seria assim tão positivo... Mas, convenhamos, pelo menos
nada de mais grave aconteceu — e o ano que vem promete começar com
uma bela disputa nos pampas da Argentina e do Chile. |
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O lado bom
Muito bem: é só desgraça para o ano que vem? O mundo vai acabar? O
automobilismo vai acabar? Não. O mundo — pelo menos é o que nos
parece — não vai acabar e o automobilismo segue pelo mesmo caminho.
Mas fica o alerta: as coisas tendem a ficar mais difíceis a partir
de 2009.
Lamentação à parte, do ponto de vista esportivo pouco resta a
reclamar. Sobretudo da Fórmula 1, que teve um campeonato muito
divertido nesta temporada. A disputa entre Lewis Hamilton e Felipe
Massa será lembrada por muito tempo. Pena, mas pena mesmo, pelas
alterações do regulamento depois de um campeonato tão interessante.
De qualquer forma, pelas mudanças feitas, o que podemos esperar é um
ano tão estimulante quanto o que passou. Mas prometi não falar muito
mais da Fórmula 1...
Mesmo a MotoGP teve um campeonato animado em 2008. Se acabou de uma
forma um tanto decepcionante, definida por antecipação, pelo menos
teve momentos de emoção. Valentino Rossi abriu muita vantagem no fim
do ano e conquistou seu oitavo título mundial (se contadas todas as
categorias). No decorrer da temporada, nomes como Casey Stoner,
Jorge Lorenzo e Dani Pedrosa chegaram a fazer sombra ao italiano.
Será que vão conseguir superá-lo na próxima temporada?
O Mundial de Rali (WRC) segue com sua toada. E a dupla Sebastien
Löeb/Daniel Elena parece imbatível em seu Citroën C4. Com 11
vitórias em 15 etapas, venceram o campeonato de forma até tranqüila.
Mas também esperada, já que, com a saída de Marcus Grönholm e com a
Subaru de Petter Solberg em baixa, Löeb se tornava o único grande
nome que abria a temporada como favorito. Mikko Hirvonen não
decepcionou totalmente e até ficou próximo de Löeb no fim do
campeonato, mas o título não poderia ter outro dono que não o
francês.
Para o futuro? Falam que Grönholm poderia voltar — para a Subaru.
Falam que Solberg poderia decidir pendurar o capacete. E falam que a
Citroën poderia dizer “cansei de ganhar de vocês e estou indo
embora”, dando como desculpa a má promoção do campeonato — o que é
uma verdade, convenhamos. Mas, por enquanto, nada certo. A única
certeza é que o Rali de Monte Carlo não fará parte do campeonato em
2009 e, no ano seguinte, não teremos o Rali da Suécia e o da
Finlândia. Uma quebra de tradições.
Enfim, espero que a temporada de 2009 seja tão boa quanto foi a de
2008 dentro das pistas. E que as ameaças às categorias do esporte
não se concretizem e as perdas sejam as mínimas possíveis. E, para o
caríssimo leitor que chegou até aqui, ficam os desejos de boas
festas e de que 2009 seja muito melhor. Até lá!
Como de hábito, a equipe do Best Cars faz uma parada no fim
de ano para recarregar as baterias, de 20 de dezembro a 4 de
janeiro. Esta é nossa última coluna do ano; a próxima sai dia 10 de
janeiro. |
A
Fórmula 1 teve um campeonato muito divertido nesta temporada; a disputa
entre Lewis Hamilton e Felipe Massa será lembrada por muito tempo |