Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Omega de 3 litros com
turbo ou nitro vai a 250 cv
Possuo um Omega CD 3.0 e gostaria de
reprogramar o chip da injeção. Qual seria o ganho de potência,
torque e desempenho? Que outras sugestões seriam viáveis
(turbo, nitro, comando)? O diferencial aguentaria o tranco?
Marcos Aurélio Keiler
mkeiler@sti.com.br
Salto, SP
Tenho um Omega CD 3.0 com
câmbio automático. Gostaria de saber como ele ficaria com um
turbo de 0,5 bar de pressão, para não precisar abrir o motor.
Qual modelo e marca do turbo, pois há poucos ou nenhum modelo
para o Omega? Peço também uma preparação para andar um
pouquinho mais do que o de câmbio manual e ainda um nitro, que
seria o último caso de preparação.
Domingos Savio Bonelli
sbonelli@matrix.com.br
Encontrar kits de preparação prontos para o Omega de 3 litros
é um tanto difícil, pois a produção das versões que
utilizaram esse motor importado (CD até 1994 e Diamond) era
bastante reduzida. A preparação desse modelo deve ser encarada
como a de um carro importado, ou seja, o preparador vai enfrentar
maiores dificuldades de desenvolvimento do veneno, a preparação
será mais demorada e mais onerosa. Mas uma boa loja de
preparação pode desenvolver um kit de turbocompressor, óxido
nitroso ou mesmo uma preparação aspirada sem muitas
dificuldades.
Como as questões dos leitores Marcos e Domingos são semelhantes
e referem-se ao mesmo motor, respondemo-nas em uma só consulta.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Omega original (em azul), com remapeamento de
injeção (em marrom), com preparação aspirada (em rosa), com
turbo a 0,5 kg/cm2 (em verde) e com
nitro (em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
A opção mais simples de preparação é o remapeamento da
central eletrônica de injeção, serviço que quando bem-feito
traz benefícios tanto para a potência como para o torque,
melhorando o comportamento do motor como um todo. Pelo pequeno
aumento de potência e torque que traz, pode ser aplicada sem
restrições tanto para o Omega automático como para o manual,
sem afetar a vida útil do motor ou câmbio.
A maior dificuldade em realizar o remapeamento do chip será o
pouco conhecimento e prática dos programadores com essa central
de injeção. Pode haver dificuldade até mesmo para a compra de
um novo chip para reprogramar, pois recomenda-se sempre guardar o
original para uma futura reversão da preparação.
Na preparação aspirada, além dos problemas de adaptação da
injeção, pode ser difícil encontrar um comando de válvulas
mais bravo. Talvez tenha de ser importado, o que elevará em
muito o custo do veneno. Deve-se também desenvolver um coletor
de escape dimensionado -- não é provável que se encontre um
já pronto -- para este motor, mas já existem muitas lojas
capacitadas para fazer esse desenvolvimento, bem como a
fabricação do coletor de escape dimensionado, com bom nível de
qualidade. Uma observação: pelo peso elevado do carro e a
característica original do motor (torque em alto regime de
giros), um comando muito bravo pode tornar bastante desagradável
a condução urbana.
No turbo as dificuldades serão as mesmas enfrentadas para
conseguir um coletor de escape dimensionado, ou seja, terá de
ser fabricado um coletor de escape adequado para alojar a
turbina. Deve-se também fazer um reajuste do sistema de
injeção e ignição, mas aqui, bem como na preparação
aspirada, pode-se fugir do remapeamento e lançar mão de outros
recursos. Remapear é, contudo, preferível.
A aplicação da injeção de óxido nitroso (nitro)
para uso de rua não é recomendada -- ela é mais apropriada
para arrancada. Além de submeter o motor a um maior desgaste, em
função da elevação brusca de potência, tem custo operacional
alto e pequena autonomia, entre 30 e 50 injeções, após as
quais requer recarga. Mas sua fácil aplicação em qualquer
carro o torna uma aplicação viável nestes casos, pois não
exige adaptação da central de injeção, abertura do motor ou
grande desenvolvimento do veneno: basta adaptar os injetores de
óxido nitroso e gasolina, junto a seus dutos, ao motor.
Simularam-se então quatro preparações para o motor de
3 litros do Omega:
- Remapeamento que o deixará um pouco mais
rápido e ágil, o suficiente para o Omega automático superar o
carro original equipado com câmbio manual;
- Aspirada com comando de 20o a mais
de duração na abertura e 2 mm a mais de levantamento de
válvulas, aumento de 0,8 ponto na taxa de compressão e
escapamento dimensionado;
- Turbo com intercooler e 0,5 kg/cm2
de pressão;
- Nitro com 6 injetores de
óxido nitroso de 0,017 pol, um para cada cilindro, e 6 injetores
extras de combustível de 0,022 pol, também um para cada
cilindro.
Este é o desempenho estimado:
Remapeado |
Aspirada |
Turbo |
Nitro |
|
| Potência máxima | 178 cv | 224 cv | 256 cv | 248 cv |
| Rotação de potência máxima | 6000 rpm | 6750 rpm | 5800 rpm | 5800 rpm |
| Torque máximo | 25,3 mkgf | 22,7 mkgf | 36,5 mkgf | 35,3 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 4400 rpm | 4900 rpm | 4200 rpm | 4200 rpm |
| Aumento recomendado na injeção de combustível | - | - | 41,7 % | 41,7 % |
com câmbio manual |
Remapeado |
Aspirada |
Turbo |
Nitro |
| Velocidade máxima | 225 km/h | 244 km/h | 255 km/h | 252 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5860 rpm | 6330 rpm | 6620 rpm | 6540 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 9,1 s | 7,5 s | 6,6 s | 6,5 s |
| Alteração recomendada na relação de transmissão | 2,6
% mais curto |
6,3
% mais curto |
14,2
% mais longo |
12,8
% mais longo |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,68 g | 0,86 g | 0,98 g | 0,98 g |
com câmbio automático |
Remapeado |
Aspirada |
Turbo |
Nitro |
| Velocidade máxima | 218 km/h | 236 km/h | 247 km/h | 244 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 4860 rpm | 5250 rpm | 5500 rpm | 5430 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 10,1 s | 8,0 s | 7,3 s | 7,2 s |
| Alteração recomendada na relação de transmissão | 19,2
% mais curto |
22,2
% mais curto |
5,3
% mais curto |
6,4
% mais curto |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,61 g | 0,77 g | 0,88 g | 0,88 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
O câmbio automático não responde tão bem a alterações no
comportamento do motor, pois o sistema de troca de marchas levou
em consideração, durante o desenvolvimento, a curva de torque
do motor original. Quanto ao diferencial, deve suportar sem
problemas as preparações citadas, mas deve-se ter o cuidado
comum a todo carro preparado: não submeter as rodas a impactos
-- buracos, lombadas, etc. -- sob acelerações fortes, pois isso
pode comprometer tanto o diferencial quanto o câmbio.
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