Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Voyage 1,8 com turbo e
booster: 202 cv
Gostaria de saber como ficaria um
Voyage 1.8 a gasolina com turbo a 0,6 kg/cm² . O motor tem
75.000 km originais; rodas aro 15 e pneus 195/50. O que preciso
fazer: trocar escapamento, desligar o ar-condicionado? Qual meu
ganho em potência? Posso usar mais que 0,6 kg/cm2? Quanto eu
gastaria?
Ricardo Pasquotti
pasquotti@br.ibm.com
Sumaré, SP
O uso de turbo para aumentar a potência do motor Volkswagen AP
é muito simples atualmente e consiste em uma ótima opção para
quem quer preparar seu carro. Pelo alto desenvolvimento de
venenos para esse motor no Brasil, há muitas opções de turbo
que podem custar desde R$ 1.000 até estratosféricos R$ 15.000,
dependendo do aumento de potência e do desenvolvimento que o
cliente desejar.
As curvas de potência (as mais
altas) e de torque estimadas para o Voyage de 1,8 litro original
(em azul), com turbo a 0,6 kg/cm2
(em verde) e com turbo e booster ajustado para 1,2 kg/cm2
(em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
A pressão ideal para o motor AP de 1,8 litro, objetivando uso de
rua, está entre 0,4 kg/cm2 e 0,8 kg/cm2. Abaixo dessa faixa
o ganho de potência com o turbo não justifica seu custo, e
acima disso a potência fica muito alta para o tráfego do
dia-a-dia. A pressão de 0,6 kg/cm2 é ideal para o uso
comum, pois o ganho de potência é sensível, mas não tão alto
a ponto de dificultar o controle em arrancadas mais fortes ou
prejudicar em muito a vida útil do conjunto mecânico. Um motor
AP que tenha recebido os cuidados normais de utilização e
manutenção deve conservar boas condições de preparação aos
75 mil km.
Existe um recurso para quem quer utilizar um carro turbo no
dia-a-dia, sem deixar de contar com mais potência em caso de
necessidade: o booster. Esse equipamento é nada mais
que uma válvula solenóide que altera a regulagem da válvula de
alívio, responsável por limitar a pressão máxima do turbo.
Com esse artifício pode-se atingir pressões de até 1,2 kg/cm2 sem necessidade de reforços nas
partes internas do motor, pois tal pressão só será (ou deveria
ser) usada poucas vezes e por curtos períodos de tempo.
O problema do booster está exatamento no abuso de
alguns usuários, que gostam da sensação de elevação de
potência e passam a utilizá-lo com uma freqüência inadequada.
O abuso pode causar sérios danos ao motor, que não está
preparado para entregar tanta potência por tanto tempo e tantas
vezes. Mas usado com critério o booster é uma boa
opção. Por isso simulamos para seu caso um motor com turbo e
intercooler, primeiro regulado para 0,6 kg/cm2,
e depois com o booster acionado elevando a pressão para
1,2 kg/cm2. Confira o
desempenho estimado:
| Original | Turbo
a 0,6 kg/cm2 |
Booster
a 1,2 kg/cm2 |
|
| Potência máxima | 86 cv | 143 cv | 202 cv |
| Rotação de potência máxima | 5400 rpm | 5400 rpm | 5400 rpm |
| Velocidade máxima | 167 km/h | 197 km/h | 221 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5040 rpm | 5980 rpm | 6700 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 11,2 s | 6,9 s | 5,4 s |
| Torque máximo | 14,5 mkgf | 24,2 mkgf | 34,1 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 3000 rpm | 3000 rpm | 3000 rpm |
| Alongamento recomendado na relação de transmissão | - | 10,7 % | 24,2 % |
| Aumento recomendado na injeção de combustível | - | 50,0 % | 100,0 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,56 g | 0,93 g | 1,31 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
A instalação do turbo não requer a retirada do
ar-condicionado. Existem kits turbo para uso em carros com o
equipamento, mas são mais difíceis de achar -- então surgiu a
lenda de que é necessário retirar o ar para colocar o turbo.
Como é muito fácil achar equipamento para preparação dos
motores AP, é improvável que você tenha dificuldade de achar
um kit turbo compatível com o ar-condicionado.
Para a pressão de 0,6 kg/cm2 é muito
recomendável a troca do sistema de escapamento por um de maior
capacidade de exaustão. Isso vai permitir que seja dada vazão
ao maior volume de gases produzido pelo motor com turbo e
otimizar o funcionamento da turbina.
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