Apresentação
Ícone americano

Aos 45 anos, o Corvette chega à quinta geração
trazendo um show de tecnologia
Texto: Fabrício Samahá
Ainda se discute se é verdade que a vida começa aos 40,
mas se há um carro em plenas condições de provar isso é o Corvette. Com 45 anos
completos em junho de 1998 e já tendo ultrapassado um milhão de unidades vendidas, o
esportivo de fibra de vidro da GM permanece um ícone cada vez mais forte da indústria
norte-americana. Sua quinta geração, que estreou em janeiro de 1997, foi eleita Carro do
Ano nos Estados Unidos, já chegou às mãos dos europeus e pode desembarcar no Brasil
trazido pela própria marca (já houve importações dos modelos anteriores por empresas
independentes).
O coração da fera: um V8 de alumínio com 5,7 litros e 345
cv de potência
O C5, como é conhecido o "Vette" de quinta geração, traz muitas novidades.
Utiliza 34% menos componentes que o antigo C4. A resistência à torção e à flexão da
estrutura é quatro vezes maior, para o que concorre a aplicação de uma camada de balsa
- madeira leve e de baixa densidade - entre duas de material composto no assoalho. A
suspensão é toda nova e seus braços utilizam alumínio (exceto os inferiores
dianteiros). O mesmo ocorre com os subchassis, as pinças de freio, a bomba da direção
assistida e a estrutura do pára-brisa. Coluna de direção e pedais são montados em
suportes de magnésio.
O acelerador eletrônico dispensou o cabo e vem integrado aos controles de velocidade e de
tração. O sistema de escapamento é de aço inoxidável e alumínio. O porta-malas
dobrou de tamanho e os intervalos de manutenção foram espaçados: 160 mil quilômetros
para as velas, cinco anos ou 240 mil quilômetros para o filtro de ar e o líquido de
refrigeração, e a vida toda do veículo para o fluido do câmbio automático.
As linhas estão mais japonesas - há forte semelhança, por exemplo, com o extinto Mazda
RX-7 - mas mantêm o caráter e os detalhes que identificam a lenda. Tudo está mais
arredondado, do recorte das portas às tomadas de ar no spoiler dianteiro. O coeficiente
aerodinâmico (Cx) baixou de 0,34 para ótimo 0,29. Os faróis continuam escamoteáveis,
sistema abandonado por algumas marcas. A traseira, imponente, ficou tão larga quanto a da
versão esportiva ZR1 da geração anterior e traz quatro saídas de escapamento em
posição central. As lanternas estão ovaladas, mas são indiscutivelmente Corvette. As
rodas adotam pela primeira vez aro diferente entre as dianteiras (17 pol.) e as traseiras
(18 pol.) e podem vir pintadas em bronze. Por seus vãos se lê o nome do carro gravado
nas pinças de freio dianteiras.
Evolução técnica: uso intenso de alumínio, estrutura
quatro vezes mais rígida e uma camada de madeira balsa no assoalho
O interior é novo e traz recursos como alto-falantes Bose (reconhecidos pela qualidade) e
um computador de bordo em quatro idiomas - inglês, francês, alemão e espanhol. Não, o
Corvette ainda não fala português... O instrumento aponta qualquer anormalidade de
injeção, ignição ou no índice de emissões, armazenando a informação para futura
checagem em concessionária. Bancos e volante são de couro e o assento do motorista
oferece regulagem elétrica em seis direções. O sistema de memória é opcional e ajusta
não só os bancos e o volante, mas também a temperatura escolhida para o
ar-condicionado, os retrovisores externos e até a estação do rádio.
A alavanca do limpador de pára-brisa, herdada do Oldsmobile Aurora, tem uma história
curiosa: numa apresentação prévia do C5 à imprensa o então gerente geral da GM Jim
Perkins o acionou involuntariamente. Imaginando como se sentiriam os donos de Corvette
nessa situação, após horas lustrando o carro, Jim mandou transferir o comando (de
puxar) para um pequeno botão na alavanca, tornando menos provável o acionamento
indesejado.
O carro tem duas versões: cupê com parte do teto removível (targa) e conversível.
Desenvolvida em paralelo ao cupê, esta não oferece acionamento automático da capota
porque a fábrica julgou o sistema manual leve e prático o bastante. O teto recolhido
ocupa pouco espaço no porta-malas.

O interior é todo em couro e o
painel completo inclui um computador de bordo
com informações em quatro idiomas
O coração do C5, denominado LS1, carrega uma longa tradição: é um V8 da veterana
família de small blocks (blocos pequenos), de 5,7 litros, com comando no bloco e
duas válvulas por cilindro. Na atual configuração é construído todo em alumínio, tem
válvulas mais leves - permitindo girar mais alto sem flutuação - e injeção
seqüencial. O resultado é a maior potência líquida já atingida por um small block
Chevrolet de uso em rua: 345 cv. A fábrica divulga 277 km/h de velocidade máxima e
apenas 4,7 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h (5 segundos com câmbio automático).
O câmbio é montado na traseira diretamente sobre o eixo e oferece duas opções. O
manual de seis marchas é um Borg-Warner, com a última extremamente longa que permite
rodar a 100 km/h com menos de 1.500 rpm. Um sistema eletrônico faz passar diretamente da
1a. para a 4a., em vez da 2a., se o motorista sair de modo tranqüilo. O diferencial
autobloqueante usa carcaça de alumínio. A outra opção é um automático de quatro
marchas e controle eletrônico.
De 0 a 100 em cinco
segundos: ótimo desempenho a um preço atraente -- nos EUA
A suspensão é nova e totalmente independente, com braços curtos e longos. Não utiliza
molas helicoidais, mas uma mola transversal de plástico composto. A altura é ajustada na
fábrica em função do peso de cada carro com os opcionais. Dois conjuntos de suspensão
esportivos são oferecidos: o Z51, com molas, amortecedores e barras estabilizadoras mais
firmes; e o eletrônico F45, que modifica a atuação conforme o tipo de estrada - até
cem vezes por segundo! Este oferece um comando no painel para ajustar a suspensão entre
três modos: passeio, esporte e desempenho. Uma ótima distribuição de peso (50%/50%)
concorre para um comportamento em curva ideal.
A direção do novo Corvette é a Magnasteer, com variação eletrônica de assistência
de acordo com a velocidade do carro e a aceleração lateral. O sistema antitravamento dos
freios é um Bosch de quinta geração, capaz de modular a pressão 18 vezes por segundo.
As pinças dianteiras são de quatro pistões e os canais de ventilação em curva
permitem melhor dissipação do calor dos discos, que são 100% produzidos pela Varga
brasileira.
Acabou? Não. Os pneus de mobilidade estendida (EMT) da Goodyear são capazes de rodar
vazios por até 300 quilômetros, graças aos flancos reforçados. Como a pressão é
continuamente monitorada, o computador de bordo indica quando ela cai em qualquer dos
pneus - alerta necessário, pois a alteração no comportamento do carro é imperceptível
para o motorista comum.
Todo esse show de tecnologia sai por um preço bem convidativo nos EUA: a partir de US$
37.800, contra mais de US$ 65.000 do Dodge Viper RT/10, o carro mais barato capaz de
rivalizar com o Vette num "quarto-de-milha" (aceleração de 0 a 400 metros). No
Brasil, contudo, o preço da lenda está estimado em cerca de US$ 90.000.
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CÂMBIO - manual, 6 marchas, ou automático, 4 marchas; tração traseira. FREIOS - dianteiros e traseiros a disco ventilado; antitravamento. DIREÇÃO - de pinhão e cremalheira; assistência hidráulica; diâmetro de giro, 11,7 m. SUSPENSÃO - dianteira e traseira, independente com braços curtos e longos, mola transversal e barra estabilizadora. RODAS - dianteiras, 8,5 x 17 pol.; traseiras, 9,5 x 18 pol.; pneus dianteiros, 245/45 ZR 17; pneus traseiros, 275/40 ZR 18. DIMENSÕES - comprimento, 4,566 m; largura, 1,870 m; altura, 1,211 m; entre-eixos, 2,656 m; capacidade do tanque, 72,3 l; porta-malas, 187 l (versão cupê; fabricante); peso, 1.745 kg. |
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