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por Iran Cartaxo

Astra: de 0 a 100 em 8 segundos


Tenho um Astra hatch 2.0 MPFI ano 95 com pneus 195/50 R15 numa roda de liga leve 6 x 15 pol. Gostaria de saber uma receita de preparação turbinada e outra aspirada que não prejudiquem a vida útil do motor, e que façam o Astra acelerar de 0 a 100 km/h em 8 segundos aproximadamente.

Gil Rudge Cavalcanti de Albuquerque
grudge@unisys.com.br
Rio de Janeiro, RJ


Ter um carro que acelere de 0 a 100 km/h em 8 segundos não é tão comum, mas é perfeitamente possível em uma preparação, mesmo aspirada, até por ser o Astra um carro relativamente leve e com já ótimo desempenho. Como a ênfase de sua escolha está na durabilidade do motor, é importante lembrar que sua vida útil está mais ligada ao modo de dirigir o carro preparado do que à preparação em si.

As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Astra '95 original, com preparação aspirada média (em verde) e com turbo a 0,4 kg/cm² (em vermelho)

Como foram abertas duas vertentes como opções de preparação neste caso, deve-se tecer um comentário a respeito. Para fazer o Astra acelerar de 0 a 100 km/h no tempo desejado será necessário um incremento de potência aproximado de 30%, levando em consideração que tanto a suspensão como o conjunto de rodas e pneus sejam ajustados para o novo desempenho, conseguindo portanto transmitir esta potência extra ao solo.

Observa-se que 30% de ganho de potência encontra-se ainda na faixa ideal de custo-benefício de uma preparação aspirada. Para obtê-lo sem perder a dirigibilidade em trânsito são necessárias algumas mudanças, envolvendo trabalho no cabeçote, comando, válvulas e suas molas, tuchos, além da adequação do restante do conjunto, como escapamento e admissão. A faixa de aumento de potência onde a preparação aspirada se apresenta como a opção de melhor custo-benefício fica em até 40% para motores de mais de 50 cv/l (
saiba mais), podendo ir até 50% para motores de menor potência específica (saiba mais sobre este parâmetro). Acima disso já se supera uma preparação classificada como média e os custos serão bem maiores.

Além disso existe o limite de dirigibilidade, caracterizado pela curva de torque do motor. Esta curva começa a ficar muito deslocada para rotações altas em preparações aspiradas (não nas sobrealimentadas) quando se passa dos 75 cv/l. As próprias fábricas procuram não chegar a esse limite, mesmo tendo acesso a cabeçote multiválvula, comando e coletor variáveis e outros recursos que em uma preparação artesanal são inviáveis. Por isso, para não fugir deste limite em uma preparação aspirada mais forte, deve-se aumentar também a cilindrada -- procedimento mais caro e de precisão, que portanto precisa ser muito bem executado.

Como o Astra já possui desempenho bastante favorável, não será preciso tanto aumento de potência para atingir o objetivo de aceleração. Uma boa preparação aspirada média já resolve, sem comprometer demasiado a dirigibilidade, consumo ou durabilidade.

No campo da sobrealimentação, incluso neste o turbo, as coisas são bem mais fáceis quando se fala em aumento de potência. Não existe o problema do deslocamento da curva de torque para rotações muito elevadas e o limite fica por conta da resistência do motor. Para se ter idéia, uma preparação turbo com 0,4 kg/cm² de pressão -- muito fácil de ser executada -- é considerada leve e já atinge mais que o objetivo de desempenho traçado de 8 segundos.

Não se pretende definir que preparação turbo seja melhor que a aspirada, mas que cada uma tenha suas características e se apresentem como melhor escolha para objetivos diferentes.

Simulamos o desempenho atual de seu motor e o que seria atingido com as seguintes alterações:

Preparação aspirada: comando de válvulas com 20° a mais de duração de abertura e 1,1 mm a mais de levantamento de válvulas; válvulas de admissão de diâmetro 3 mm maior; aumento da taxa de compressão em 0,8 ponto; coletor de escapamento dimensionado.

Preparação turbo com 0,4 kg/cm² de pressão.

Ambas as preparações exigem reajustes na alimentação e ignição, feitas por um remapeamento ou com o uso de caixas de gerenciamento adicionais.
  Original Aspirada Turbo
Potência máxima 116 cv 151 cv 162 cv
Rotação de potência máxima 5200 rpm 5900 rpm 5200 rpm
Velocidade máxima 191 km/h 209 km/h 214 km/h
Rotação à velocidade máxima 5825 rpm 6365 rpm 6515 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h 9,9 s 8,0 s 7,6 s
Torque máximo 17,3 mkgf 17,5 mkgf 24,2 mkgf
Rotação de torque máximo 2800 rpm 3200 rpm 2800 rpm
Alongamento recomendado na relação de transmissão - 8,4 % 25,3 %
Aumento recomendado na injeção de combustível - - 33,3 %
Aceleração longitudinal no interior do veículo 0,63 g 0,77 g 0,81 g
A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão.
Algoritmo de simulação de preparação de motores desenvolvido pelo consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF.
É necessário também frisar que o conjunto de escapamento precisa ser adequado ao novo regime de funcionamento do motor, devendo ser trocado por um conjunto com dutos, abafador, silencioso e catalisador de maior diâmetro. Podem-se recorrer a componentes de outros carros que tenham potência semelhante à obtida em seu carro preparado.

A transmissão do Astra é bastante curta já no motor original, revelando-se inadequada à preparação turbo. Como seu diferencial já é longo, 3,72:1, a solução ideal passa pela substituição do câmbio "close ratio" (relações próximas entre si) pelo "wide ratio" (relações espaçadas) utilizado no Kadett 1,8, em que a quarta marcha correspondia à quinta de seu carro, com relação 0,89:1. A quinta desse câmbio, 0,71:1, representa 21% de alongamento da transmissão final, bem adequado ao turbo, assim como as marchas mais espaçadas mostram-se convenientes na aceleração do motor superalimentado (
saiba mais sobre relações).

Os pneus adotados em seu Astra são suficientes para o ganho de desempenho obtido com qualquer das receitas -- 195 mm é a largura utilizada, por exemplo, no Marea Turbo de 182 cv. Muito importante, mantêm o perímetro próximo ao dos 175/65 e 185/60 R 14 (
saiba mais), medidas empregadas no Astra vendido no Brasil. Melhor ainda se as rodas forem as do Vectra GSi, que conservam a profundidade de montagem correta, 49 mm (saiba mais). Modificações na suspensão, como amortecedores de carga mais alta, e nos freios, como pastilhas mais macias, são bem-vindas para que você desfrute desse hatch esportivo com segurança.

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