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Corsa GL: cabeçote retrabalhado e suspensão firme
Descobri o site e pretendo ser
um visitante habitual, tal a qualidade com que vocês abordam esse objeto
fascinante que é o automóvel. Parabéns. Tenho um Corsa GL 1.6 (8
válvulas) com rodas 14" e pneus 185/60. Gostaria de saber: 1) quais os
resultados de um remapeamento do sistema de injeção e retirada do
catalisador, preço provável do serviço e quem o executa; 2) que fazer
para melhorar a estabilidade mantendo os pneus (trocar amortecedores,
barra estabilizadora, molas); 3) além do remapeamento, o que aconteceria
retrabalhando o cabeçote e quanto custaria.
Ricardo Roma
rarm@elogica.com.br
O remapeamento de injeção e ignição, desde que bem-feito e realizado
especificamente para seu motor, traz um ganho perceptível em torque e
potência, da ordem de 5%. Deve-se evitar a compra de chips já
reprogramados, pois o ganho do remapeamento está justamente em ajustar a
injeção a seu carro e modo de dirigir. A compra de chips prontos traz
resultados inferiores aos de um remapeamento específico. A remoção do
catalisador, com consequente redução da restrição aos gases de
escapamento, é benéfica para o desempenho -- aliada ao remapeamento, bem
entendido -- mas certamente trará problemas numa vistoria de trânsito.
Sugerimos apenas a adaptação da injeção, cujo preço oscila na faixa dos
R$ 400.
O retrabalho no cabeçote deve ser efetuado com critério para não
prejudicar o torque. Consiste em polir e aumentar o diâmetro dos dutos
de admissão e escapamento e, em certos casos, substituir as válvulas por
outras de maior diâmetro. O objetivo é reduzir a restrição à passagem do
ar, mas o efeito só é sentido em rotações mais altas, e em baixos
regimes o funcionamento pode até piorar (clique
aqui para saber mais).
O simples polimento dos dutos pode resultar em aumento do consumo e das
emissões e piora no desempenho. A eliminação das rugosidades de seu
interior reduz a turbulência do escoamento e por consequência a
emulsificação (mistura com o ar) do combustível, o que compromete a
queima e traz efeitos indesejáveis. Nos motores modernos, contudo,
sobretudo com injeção multiponto -- em que a mistura ocorre praticamente
na entrada dos cilindros --, a mistura depende pouco da rugosidade dos
dutos.
Obter um bom resultado pode exigir a troca dos coletores de escapamento
e admissão por outros apropriados ao novo escoamento de ar permitido
pelo cabeçote. Assim, se a área de admissão e escapamento for aumentada
no cabeçote, os coletores devem ter os diâmetros de duto aumentados para
que não se transformem no "gargalo" do sistema. Da mesma forma deve-se
pensar na borboleta de admissão, pois área de passagem de ar
insuficiente também prejudica o fluxo e reduz os ganhos com a
preparação.
O aumento do diâmetro das válvulas é de difícil execução, pois requer
usinagem de altíssima qualidade -- nada fácil de encontrar -- e ainda
pode exigir, de acordo com o peso das novas válvulas, um reprojeto do
sistema de acionamento para evitar flutuação e até quebras. Mas os
resultados são bastante expressivos, pois são as válvulas que ditam, em
último caso, a quantidade de mistura que será admitida: são, portanto, o
elemento que permite o maior aumento de eficiência do cabeçote.
O custo de um retrabalho de cabeçote pode variar de R$ 100, para um
simples polimento, até mais de R$ 2.500 com um grande retrabalho,
aumento do diâmetro dos dutos e das válvulas, troca de comando, molas,
tuchos e os necessários coletores. O resultado é proporcional ao preço:
pode-se obter um ganho de até 50% na potência, ou cerca de 45 cv, com a
preparação mais completa -- o que levaria o Corsa de 0 a 100 em menos de
7,5 segundos e a uma velocidade máxima superior a 200 km/h. Mas haveria
sensível prejuízo à dirigibilidade, pela grande redução do torque em
baixa rotação.
O ganho de desempenho obtido com um retrabalho leve de cabeçote não
requer grandes mudanças na suspensão do Corsa GL, que já vem com
estabilizadores dianteiro e traseiro, inexistentes nas versões de 1
litro. Se a necessidade de melhor controle em curvas já existe no carro
atual, porém, sugerimos a adoção completa ou parcial do conjunto
empregado no extinto GSi, composto por molas 33% mais firmes na frente e
20% atrás, amortecedores pressurizados de carga mais elevada e
estabilizadores mais grossos. A substituição dos amortecedores é
economicamente mais viável, pois são as primeiras peças entre as citadas
a apresentar desgaste; assim, seu carro pode já não estar com a carga de
um modelo novo. Os preços dos componentes podem ser obtidos num
concessionário GM ou numa boa loja de peças.
O simples acréscimo de carga nos amortecedores não diminui a inclinação
nas curvas, tarefa que cabe às molas e sobretudo aos estabilizadores. Na
troca de amortecedores convencionais por pressurizados, contudo, é
perceptível o ligeiro endurecimento da suspensão: é como se a presença
do gás nos amortecedores adicionasse carga às molas. Caso o resultado
não lhe pareça suficiente, adote também os estabilizadores do GSi --
deixe as molas esportivas por último, já que afetam mais diretamente o
conforto em retas.
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