Consultório de Preparação
por Alexandre
Makoto e Iran Cartaxo
Gol:
carburador Weber 40 ou TLDE?
Como
ficaria um Gol 1.8 93 com carburador TLDE e comando 288º?
Poderia retrabalhar o carburador? Quais as mudanças no mesmo?
Qual a diferença do Weber de fluxo em pé e deitado, com
relação ao rendimento?
Leo Ruffato
ruffato@pro.via-rs.com.br
Coronel Vivida, PR
É possível retrabalhar o carburador Weber TLDE para ser usado
em conjunto com o comando de 288° no Gol, mas esse não é o
carburador mais adequado para tal comando. O TLDE, versão do
TLDZ com gerenciamento eletrônico -- possui uma válvula,
comandada por uma central eletrônica, que limita a ação da
bomba de aceleração --, pode não conseguir alimentar bem o
motor em baixas rotações, provocando perda de torque sensível
neste regime de giros pelo fluxo de ar insuficiente (possui
venturis muito pequenos). As mudanças para adequá-lo às
exigências do comando de 288° são:
- Aumentar a giclagem: apesar de o fluxo ar ser
maior com o uso do 288°, o que promove maior alimentação de
gasolina, os diâmetros reduzidos dos giclês exercerão grande
resistência à passagem do combustível, com prejuízo à
alimentação em rotações mais altas. Encontrar os diâmetros
ideais é um trabalho que requer paciência: deve-se adquirir
giclês de diversas medidas, pois são baratos, e trocá-los
aumentando aos poucos os diâmetros até chegar a uma medida a
seu gosto, adequada às condições do carro e que não
prejudique o consumo e emissões de poluentes. Para obter bons
resultados os giclês devem ser trocados por outros maiores, e
nunca ter o diâmetro aumentado por broca, procedimento que
resulta em pouco controle da medida do giclê e dificulta
encontrar o diâmetro correto.
- Retrabalhar os venturis para aumentar seus
diâmetros: dará ao carburador certas características de um
carburador maior, facilitando a admissão de ar. Pode-se
encontrar, dependendo da marca e modelo do carburador, venturis
maiores para substituir os antigos, bastando encaixá-los. Caso
não existam os venturis maiores à venda para seu carburador
pode-se usinar os atuais, mas a operação é delicada e requer
mão-de-obra bastante especializada. Muitas vezes o reajuste nos
venturis não se justifica, podendo-se a um custo pouco superior
trocar todo o carburador por um maior.
- Adiantar a abertura do segundo estágio do
carburador: vai ajudar a admissão de ar quando a rotação
começar a subir e o comando mais bravo se fizer presente,
reduzindo aquela impressão de que o motor só ficou melhor em
altas rotações depois da troca do comando.
Caso opte-se pela troca, o carburador que melhor se adapta ao
comando de 288° é o Weber 40. Consegue alimentar corretamente o
motor em regimes de baixa rotação, devido ao fluxo de ar que
consegue admitir, e permite ao comando desenvolver toda sua
capacidade, sem restrições, em altas rotações. Se não
desejar a troca do coletor de admissão original pelo do Weber
40, prefira os carburadores Brosol 2E ou 3E, mais adequados a
motores com vocação esportiva que o TLDZ ou TLDE. O 3E
proporciona melhores resultados em todas as rotações, mas mesmo
com o Brosol 3E ainda ocorrerá sensível perda de torque em
baixos regimes. A falta de torque, ocasionada pelo comando de
maior permanência, pode ser aliviada com o aumento na taxa de
compressão em cerca de um ponto.
No caso do carburador Weber deitado, não ocorre mudança na
direção do fluxo de ar admitido, o que favorece a potência em
altos giros mas traz perda de torque em baixos regimes. Quando a
válvula de admissão se fecha, a onda de choque formada pela
brusca interrupção do fluxo se propaga livremente, prejudicando
toda a admissão. Em regimes de alta rotação o efeito não é
sentido, pois a velocidade de admissão é alta e a onda de
choque não consegue prejudicar o fluxo.
Já com o carburador Weber de fluxo "em pé" ocorre uma
mudança no fluxo de ar, de que decorre um maior turbilhonamento
da mistura, portanto, melhor emulsificação da gasolina. Também
por causa da mudança na direção do fluxo, a onda de choque
formada pelo fechamento da válvula de admissão encontra a
parede da curva em seu caminho, reduzindo sua força e
minimizando os efeitos prejudiciais ao fluxo de ar -- o que
favorece o torque em baixos giros. Mas a mudança de direção do
fluxo é fonte de resistência à admissão, e o resultado será
potência um pouco menor nos regimes de alta.
O Gol equipado com este comando será um carro bem rápido,
principalmente em médias e altas rotações. O consumo aumenta
um pouco, mas o comando de 288° ainda mantém bom compromisso
entre potência e consumo. Pode-se ainda adotar um coletor de
escapamento dimensionado do tipo 4-em-1, que aumenta ainda mais o
rendimento da preparação.
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