Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Ipanema e Corsa EFI
aceitam preparação, sim
Sempre me disseram que carros com
injeção EFI não têm jeito para preparação, e que a
solução é colocar um carburador. Isso é verdade? Como ficaria
uma Ipanema 2.0 EFI e um Corsa 1.4 EFI com 0,8 kg de turbo e
intercooler? E com um comando de válvulas mais avançado? Quais
são os números de fábrica de arrancada e final desses carros,
e como andariam depois de preparados? A página de vocês esta
ótima, continuem assim. Parabéns!
Carlos Marcon Junior
marconjr@mandic.com.br
Não há carro que não possa ser preparado, Junior: tudo é uma
questão de capacidade técnica e conhecimento para realizar a
preparação. A lenda de que carros com injeção não podiam ser
retrabalhados surgiu nos primeiros anos em que a injeção
desembarcou no Brasil, quando os preparadores ainda não sabiam
como ajustá-la para funcionar com o veneno. A troca da injeção
por um carburador só trará desvantagens. O carburador exige
maior manutenção, é menos confiável e mais sujeito a desgaste
e falhas de alimentação que a injeção.
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À esquerda as curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para a Ipanema 2-litros original (em azul), com comando bravo (em verde) e com turbo a 0,8 kg/cm2 (em vermelho)
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Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas de ambos os modelos
Os motores Chevrolet EFI (injeção monoponto) já são bastante
conhecidos dos envenenadores brasileiros, que possuem uma diversa
gama de desenvolvimentos aspirados, turbo e nitro para esses
motores.
Para instalar turbocompressor é necessário remapear a injeção
ou recorrer a formas alternativas de adaptação da injeção,
como caixas de controle paralelas, bicos injetores adicionais ou
"engano" dos sensores da injeção. Com a central
eletrônica devidamente adaptada ao turbo, não deve haver
problemas de funcionamento do motor e os resultados serão
melhores que os obtidos com a troca da injeção pelo carburador.
Adotar um comando mais bravo também requer a readaptação da
injeção para perfeito funcionamento, mas as alterações serão
menores que com o turbo.
Simulamos para ambos os carros a troca do comando por um de 15°
a mais de tempo de abertura e 0,5 mm a mais de levantamento das
válvulas, assim como um turbo com intercooler e pressão de 0,8
kg/cm². Este é o desempenho estimado:
| Ipanema 2 litros | Original | Comando | Turbo |
| Potência máxima | 110 cv | 120 cv | 208 cv |
| Rotação de potência máxima | 5600 rpm | 5850 rpm | 5600 rpm |
| Velocidade máxima | 179 km/h | 184 km/h | 221 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 4780 rpm | 4920 rpm | 5920 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 11,5 s | 10,6 s | 6,5 s |
| Torque máximo | 16,6 mkgf | 15,7 mkgf | 31,4 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 3200 rpm | 3350 rpm | 3200 rpm |
| Alteração recomendada na relação de transmissão | - |
15,7
% mais curto |
5,7
% mais longo |
| Aumento recomendado na injeção de combustível | - | - | 66,7 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,54 g | 0,59 g | 1,02 g |
| Corsa 1,4 litro | Original | Comando | Turbo |
| Potência máxima | 60 cv | 66 cv | 114 cv |
| Rotação de potência máxima | 5200 rpm | 5450 rpm | 5200 rpm |
| Velocidade máxima | 156 km/h | 161 km/h | 193 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5100 rpm | 5260 rpm | 6310 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 14,0 s | 12,8 s | 7,4 s |
| Torque máximo | 11,1 mkgf | 10,5 mkgf | 21,0 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 2800 rpm | 2900 rpm | 2800 rpm |
| Alteração recomendada na relação de transmissão | - |
3,3
% mais curto |
21,5
% mais longo |
| Aumento recomendado na injeção de combustível | - | - | 66,7 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,44 g | 0,49 g | 0,84 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
A troca do comando pelo especificado na simulação não reduz o
torque de forma sensível. Esta deve ser uma preocupação
sobretudo no Corsa, que possui motor de pequena capacidade
cúbica.
O turbo trará bons resultados em ambos os casos, mas o ganho de
potência com 0,8 kg/cm² é um pouco alto e demanda alterações
na capacidade de frenagem e estabilidade dos carros. Considere a
substituição dos freios, ajustes na suspensão e a troca dos
pneus por mais largos. No Corsa são suficientes os 185/60 R 14
das versões de topo da linha. Já na Ipanema, o uso de todo o
potencial do motor implica o emprego de pneus da série V
(código de velocidade para 240 km/h) e perfil mais baixo, como
195/55 R 15 ou 205/50 R 15. Atenção em ambos para utilizar
rodas de boa qualidade e, se possível, que mantenham a
profundidade de montagem original de 49 mm (clique aqui para saber mais).
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