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por Iran Cartaxo
Ka e Fiesta 1.000: de remapeamento
a
turbo com 1 kg/cm2
Gostaria
de saber como ficaria o desempenho de um Fiesta 1.0 com
turbocompressor com 1 kg/cm2. Qual seria a redução da
vida útil do motor? Quais outras modificações devo
fazer no carro (suspensão, freio, etc.)? Se eu apenas
remapear o motor, qual é o desempenho esperado? Isso
reduz a vida útil do motor?
Marcelo Haruo Tsuruta
cjishii@carpa.ciagri.usp.br
Piracicaba, SP
Tenho um Ford Ka 1.0 e gostaria de dar uma mexida para
ganhar em torno de 25% de potência. O que posso fazer?
Marcos José Silva
marcos_estrada@ftdcom.com.br
São Paulo, SP
Com pressão de
sobrealimentação de 1 kg/cm2, e se forem feitos um bom
dimensionamento do kit turbo e uma boa regulagem do
sistema de injeção e ignição para trabalhar com as
novas condições, tanto o Fiesta como o Ka terão sua
potência praticamente dobrada, equiparando-os a motores
de cilindrada bem maior. O desempenho também seria
consideravelmente melhorado, chegando em ambos os casos a
pouco mais de 180 km/h de velocidade final, e aceleração
de 0 a 100 km/h em cerca de 10 segundos.
Para chegar a tal resultado deve-se lançar mão de bons
métodos, ou seja, a turbina utilizada não pode ter um
grande tamanho, devendo ser menor que a usada no Uno
Turbo. Apesar de a pressão de trabalho neste caso ser
maior, os 400 cm² a menos de cilindrada requerem uma
turbina menor. Deve-se obrigatoriamente usar um
intercooler a fim de manter o combustível ou taxa de
compressão originais e obter maior potência. Além
disso deve ser feito um ótimo ajuste da curva de ignição
e da injeção, quer através de remapeamento, quer através
do uso de caixa de gerenciamento extra.
Apesar do aumento de esforços sobre as peças do motor,
sua vida útil depende mais da forma como é usado. Um
motor que teve sua
potência dobrada através de sobrealimentação pode
durar 30% da vida útil original, ou ainda menos, se for
exigido a fundo e acima do limite de rotações para o
qual foi projetado, ou durar 110% da vida útil normal
caso seja usado abaixo dos regimes de costume.
Em qualquer dos modelos é importante redimensionar o
conjunto, empregando amortecedores mais firmes (no Ka
pode-se adotar o estabilizador dianteiro da versão de 1,3
litro, já existente no Fiesta), rodas e pneus mais
largos (a medida 185/60 R 14 H é boa opção) e
pastilhas e lonas de freio mais macias.
O remapeamento isolado, Marcelo, aumenta muito pouco a
potência do motor. Serve mais para revigorá-lo em
regimes de baixa rotação, adotando maior injeção de
combustível e um eventual aumento no avanço do ponto de
ignição, o que pode resultar em ligeiro aumento do
consumo e da vitalidade do motor em baixa rotação, mas
nunca ultrapassa os 5% de incremento na potência. A redução
na vida útil será também mínima, caso o motor seja
usado em condições normais. O que pode não resistir,
se o remapeamento não for da melhor qualidade, é o
catalisador, em função da maior quantidade de emissões
poluentes.
Quanto ao Ka: apesar de ser relativamente simples obter
tal aumento de potência em qualquer motor, em um de 1.000
cm³ os 25% de aumento pretendidos se tornam um pouco
complicado. Explica-se: para este nível de preparação,
a vertente mais indicada seria um veneno aspirado, pois
com a troca do comando e um retrabalho na admissão e
exaustão do motor pode-se obter esse resultado, ficando
a relação custo/benefício ainda dentro dos aceitáveis
R$ 25 por cv ganho. Mas em um motor de baixa cilindrada a
preparação aspirada não é indicada, pois via de regra
reduz um pouco o torque, que já é bastante escasso
nestes motores, ficando assim o carro com a
dirigibilidade em trânsito comprometida.
A solução seria recorrer a sobrealimentação, mas
estas só atingem uma relação custo/benefício razoável
em motores 1.000 acima de 45% de aumento de potência.
Para obter os 25% de aumento, então, teremos de quebrar
a regra da preparação aspirada de reduzir o torque,
recorrendo ao dois principais artifícios que compensam
essa tendência: o aumento de taxa de compressão e o
aumento de avanço do ponto de ignição. Mas esta
mistura é perigosa, pois aumenta o risco de detonação,
assim deve-se recorrer a um preparador experiente e
utilizar equipamentos confiáveis e de qualidade para
proceder as alterações no comportamento do sistema de
injeção e ignição. Isso aliado a um comando levemente
mais bravo, cerca de 10° a mais de duração e 0,8 mm a
mais de levantamento, e a um coletor de escapamento
dimensionado bem feito, deve manter a curva de torque próxima
ao original nos regimes mais baixos e ainda obter os 25%
de aumento de potência desejados.
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