Consultório de Preparação
por Alexandre Makoto
Mille: carburação Weber
e outros venenos
Gostaria que vocês me dessem as
opções para modificar meu Uno Mille 91 carburado com Weber 250,
dando a relação e progressões, com apenas troca de carburador
e com turbo.
Carlos Henrique Valentim
cvalenti@uol.com.br
A preparação do motor do Mille é bastante fácil hoje em dia,
devido ao grande desenvolvimento de receitas, causado pelas
inúmeras procuras por um aumento de desempenho. Três receitas
de veneno de custo moderado, com pouco prejuízo ao consumo e à
vida útil do motor são as seguintes:
- aspirada leve, com reajuste do carburador e da
curva de avanço da ignição, comando com 10° a mais de
duração de abertura e 0,5 mm a mais de levantamento das
válvulas e aumento de 0,5 ponto na taxa de compressão, que vai
melhorar o torque do motor, o consumo e emissões de poluentes;
- aspirada média, com reajuste do carburador e
da curva de avanço da ignição, comando com 15° a 20º a mais
de duração de abertura e 0,8 a 1,2 mm a mais de levantamento
das válvulas, além de coletor de escapamento dimensionado e
aumento de 0,5 ponto na taxa de compressão -- procedimento que
compensará eventual perda de torque causada pelo comando mais
esportivo aliado ao coletor dimensionado;
- turbo: considerada a melhor opção para o
aumento de potência em um Mille, pois não reduz o torque do
motor e mantém o regime de rotação do motor original.
Turbocompressor a 0,4 kg/cm² de pressão de sobrealimentação,
sem intercooler, e ajuste no carburador, é uma boa receita. Com
um ajuste cuidadoso na curva de avanço da ignição e na
mistura, é possível manter a taxa de compressão e o
combustível originais. O intercooler custa cerca de R$ 250 e
pode ser dispensado para uso em baixas pressões, mas mesmo
nestas condições trará ganhos em potência, torque e
possibilidade de uma regulagem para menor consumo, além de
diminuir o risco de detonação.
Para as três preparações citadas, o ideal é que o avanço
final seja fixado no limite antes que ocorra detonação, visando
ao melhor aproveitamento da queima da mistura ar-combustível,
aliado à regulagem fina da mistura, que deve ser sempre
estequiométrica -- na proporção exata de ar e combustível.
Modificações relativas ao carburador não surtirão grande
efeito se não forem aliadas a outros tipos de equipamentos, como
um comando ou escapamento dimensionado, mas pode-se proceder
algumas mudanças e desfrutar de uma melhora no desempenho. Em
uma linha de produção dois motores nunca são iguais, sendo que
tais modificações contribuem para o aproveitamento de tal
tolerância na regulagem e produção dos motores. O uso de
venturis maiores permite um maior fluxo de ar, e consequentemente
mais mistura admitida nos cilindros, mas atenção: não devem
ser usados venturis muito grandes, sob pena de perda de torque em
baixa rotação. Esta medida deve ser seguida de reajuste dos
diâmetros dos giclês, visando a otimizar a relação
estequiométrica da mistura admitida em todos os regimes de
rotação. Mistura rica não deve ser utilizada em hipótese
alguma, pois implicará grande aumento no consumo e na emissão
de poluentes.
Se o carburador utilizado for de corpo duplo, pode ser realizado
um pequeno adiantamento na abertura do 2º. estágio, o que no
caso de troca de comando de válvulas e/ou uso de coletor de
escapamento dimensionado aliviaria a sensação de um carro ágil
apenas em altas rotações. A troca por um carburador de maior
diâmetro permite alimentar melhor o motor, sobretudo no caso de
troca do comando de válvulas por um mais esportivo, o que
melhoraria as respostas do motor em toda as faixas de rotação.
Em certos casos pode ser utilizado um carburador para motor de
maior cilindrada, como por exemplo o do Uno 1.5 R, que é
indicado para uso mais esportivo, além de contar com acionamento
mecânico do segundo estágio. Dependendo do carburador a ser
utilizado, pode ser necessária a troca do coletor de admissão,
até mesmo para evitar o estrangulamento na admissão do motor.
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