Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Mustang V6 superalimentado
supera o Cobra V8
Em primeiro lugar gostaria de
parabenizá-los pelo ótimo trabalho que estão realizando neste
site. Tenho um Mustang V6, motor 3,8 litros, e gostaria de saber
se é possível a colocação de turbo e qual seria a melhor
configuração. É possível a colocação de turbo em carros
automáticos?
Eduardo Martins
dulymartins@msn.com
Berkeley, Califórnia
Estados Unidos
A preparação de um motor nos EUA é muito mais fácil e barata
que no Brasil. Há uma comunidade muito maior de preparadores,
que convivem há muito mais tempo com alta tecnologia e são
desenvolvidos inúmeros venenos para uma grande variedade de
carros. A única dificuldade é manter o motor preparado dentro
dos rigorosos limites de emissões que devem ser obedecidos para
que o carro tenha sua circulação liberada, mas os preparadores
americanos já estão também acostumados a isso.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Mustang V6 original (em azul), com compressor
centrífugo a 1 kg/cm2 (em verde) e
com dois turbos a 1 kg/cm2 (em
vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
Adaptar um turbo ao motor V6 do Mustang é possível e não chega
a ser complicado, mas devem-se usar dois turbos, pois o motor
está configurado em V, o que dificulta a adaptação de somente
um. Além disso o uso de dois turbos é o mais indicado para
motores de 6 cilindros (clique aqui para
saber mais). Com isso o kit pode ficar caro, e vale lembrar
que nos Estados Unidos é muito fácil encontrar um compressor
centrífugo de acionamento mecânico já desenvolvido para seu
motor. Embora mais caro que um turbo, o compressor centrífugo é
mais barato que um kit biturbo, sobretudo num país onde essa
preparação é bem mais desenvolvida que no Brasil.
O biturbo teria a vantagem de resultar em um carro mais
econômico e potente, mas o compressor centrífugo, por ser
acionado por polia, pode entrar em operação desde as rotações
mais baixas, o que resulta em um motor de reações mais
rápidas.
Não há nenhuma complicação em preparar um carro equipado com
câmbio automático, quer seja uma preparação aspirada ou por
sobrealimentação. Mas, em qualquer grande alteração nas
características do motor, o câmbio deve ser reajustado, podendo
ser necessário um alongamento ou encurtamento de suas
relações, reforços ou até, para os mais exigentes,
alterações nos regimes de rotações onde o câmbio automático
efetua as mudanças de marcha.
Fazendo uso da gasolina de maior octanagem disponível nos postos
dos EUA e aproveitando a baixa taxa de compressão original deste
motor, 9:1, pode-se adaptar tanto um turbo como um compressor
centrífugo à pressão de 1 kg/cm², lançando mão de um
intercooler para ajudar a evitar a detonação e elevar ainda
mais a potência produzida. Observe o desempenho estimado:
| Original | Compressor centrífugo | Biturbo | |
| Potência máxima | 152 cv | 304 cv | 323 cv |
| Rotação de potência máxima | 4000 rpm | 4000 rpm | 4000 rpm |
| Velocidade máxima | 180 km/h | 227 km/h | 231 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 2820 rpm | 3550 rpm | 3620 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 9,3 s | 5,6 s | 5,4 s |
| Torque máximo | 29,8 mkgf | 59,6 mkgf | 63,2 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 2500 rpm | 2500 rpm | 2500 rpm |
| Encurtamento recomendado na relação de transmissão |
- | 11,2 % | 9,5 % |
| Aumento recomendado na injeção de combustível |
- | 83,3 % | 83,3 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo |
0,67 g | 1,11 g | 1,16 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
A preparação aspirada deste motor também surtiria ótimos
resultados, pois seus regimes de rotação original são baixos
-- de acordo com o gosto americano -- mas podem ser elevados,
aumentando em muito a potência sem prejudicar a dirigibilidade.
Uma preparação neste sentido pode envolver a troca do comando
por um com 40° a mais de duração e 1,2 mm a mais de abertura
das válvulas, aumento da taxa de compressão em um ponto,
aumento do diâmetro das válvulas em 3 mm, aumento proporcional
dos dutos de aspiração e escape, e corpo da borboleta de
admissão de 10 mm a mais de diâmetro. Seria uma preparação
aspirada pesada se aplicada a qualquer outro motor, mas no V6 do
Mustang não passa de uma preparação média. Não prejudicará
de forma nenhuma a dirigibilidade e vai resultar em potência
máxima de 215 cv a 4.800 rpm, velocidade final de 202 km/h e 0 a
100 km/h em 7,1 segundos, além de manter um torque bem
razoável: 26,4 mkgf a 3.000 rpm.
O câmbio automático do Mustang V6 é muito longo: na última
marcha (quarta) e em velocidade máxima o motor ainda está a uma
rotação 29,5 % inferior à de potência máxima, quando deveria
coincidir os regimes para o máximo desempenho. Trata-se
claramente de opção do fabricante considerando os baixos
limites de velocidade vigentes nos EUA -- em apenas dois estados
não há limite -- e a proposta comportada desta versão do pony
car, pois há outras bem mais potentes.
Desta forma, mesmo com uma preparação por sobrealimentação
(que usualmente requer um alongamento do câmbio), seu carro
ainda pede encurtamento das relações. Pode-se conservar as
relações de câmbio originais após a preparação, mantendo
assim o baixo nível de ruído, grande conforto e menor consumo,
sem preocupação com falta de força nas rodas devido ao torque
absurdo (mais de 59 mkgf) que ficará disponível. Mas deve-se
ter em mente que o carro pode ficar mais ágil e atingir
velocidade máxima maior caso o câmbio seja encurtado.
Tanto o conjunto de freios, como componentes da suspensão e
pneus podem ser adaptados ao novo desempenho aproveitando-se
peças da versão V8 do carro. Os freios são maiores e a
suspensão mais esportiva, o que resultará em comportamento mais
neutro sob condições severas de uso. Os pneus 245/45 ZR 17 são
bem mais indicados que os atuais, e darão maior aderência tanto
em curvas como em freadas.
Pode-se observar que a preparação do Mustang V6, de desempenho
hoje modesto, pode resultar em um carro bastante esportivo,
fazendo frente às versões esportivas do modelo como a Cobra V8
de 305 cv. Isso tudo a um baixo custo, mantendo ampla
confiabilidade (resultado do meio de preparação onde será
adaptado o veneno) e com facilidade, pois se dispõem de versões
mais esportivas das quais pode-se adaptar um conjunto mais
adequado ao novo desempenho. Caso queira um carro mais nervoso e
disponha de dinheiro para tal, Eduardo, você pode pensar em
conjugar a preparação aspirada a uma sobrealimentação,
chegando facilmente aos 440 cv, beirando os 4,5 segundos de 0 a
100 km/h e uma velocidade máxima de 260 km/h. Seria de dar água
na boca, e de assustar muitos donos de Ferrari e Porsche!
© Copyright 1998/1999 - Best Cars Web Site - Todos os direitos
reservados