Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Venenos pesados levam o
Opala 250-S a 300 cv!
Sou proprietário de um Opala 250-S de
1979, que tenho interesse em tornar um pouco mais forte. Qual
seria o melhor sistema de alimentação: três carburadores
duplos Weber 40 ou 44 IDF, ou um Quadrijet? Qual seria um comando
perfeito para este tipo de carburação, que respondesse
prontamente e não fosse tão forte a ponto de morrer nos
cruzamentos? A taxa é de 7,8:1; devo aumenta-la? Seria viável
mexer na transmissão? Meu carro utiliza rodas de aro 15 com
pneus 195/50. Peço conselhos para melhorar o sistema de freios,
que confesso ser muito ruim.
Daniel Trindade
opala250@uol.com.br
São Paulo, SP
O Best Cars tem-se mostrado um ponto de encontro entre
os aficcionados por motores potentes. Depois do Maverick V8 (clique aqui para ler), recebemos agora a
consulta de um "Opaleiro" fanático, a ponto de
utilizar o nome do carro em seu e-mail.
A potência e torque informados no manual e que você nos
forneceu, Daniel (169 cv e 32,5 mkgf), foram obtidos pela norma
SAE (clique aqui para saber mais).
Para os padrões normativos atuais, e considerando o desgaste que
o motor já deve ter sofrido, estimamos uma potência em torno de
125 cv.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Opala 250-S original (em azul), com taxa de
compressão maior (em marrom), com Quadrijet (em rosa), com 3
Weber 40 (em cinza), com 3 Weber 44 (em verde) e com turbo a 1,2
kg/cm2 (em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
Começando pela carburação e comando, a receita para conseguir
pronta resposta do motor e evitar marcha-lenta irregular é
associar carburadores maiores a comandos mais bravos. Assim se
pode conseguir uma regulagem ideal, que aproveita a maior vazão
do carburador e supre o motor com a quantidade de mistura
requerida pelo novo comando. Pode-se usar tanto um Quadrijet como
vários Weber, desde que se coloque um comando apropriado.
A vantagem do Quadrijet é a facilidade de regulagem, pois há um
só carburador. O uso de múltiplos Weber exige mais trabalho
para equilibrar a quantidade e relação da mistura a ser
fornecida a cada cilindro. Por outro lado, três Webers permitem
uma regulagem individual de cada cilindro, o que contribui para
um menor consumo e melhor desempenho. A menor distância entre a
entrada de ar e os cilindros proporcionada pelos Weber também
permite atingir uma maior potência -- mas reduz um pouco o
torque.
A taxa de compressão de seu motor é muito baixa, adequada à
baixa octanagem da gasolina vendida na época. Hoje se pode usar,
com a devida regulagem da curva de ignição, taxas em torno de
9:1 -- ou até mais se for utilizada gasolina Premium. Para obter
tal taxa basta usinar o cabeçote (dar um "passe"),
retirando a quantidade de material necessária para atingir a
taxa desejada. Mas tenha cuidado: o projeto da câmara de
combustão de seu motor é antigo e o cabeçote é de ferro
fundido (nos motores modernos se emprega alumínio); com isso
fica-se mais sujeito à detonação. Além disso, recorra a um
preparador experiente pois, se o passe for excessivo e elevar
demais a taxa, será muito difícil voltar atrás sem substituir
o cabeçote.
Algumas receitas interessantes de preparação para o 250-S:
- Aumento da taxa de compressão em 1,5 ponto,
puro e simples;
- Adaptação de um Quadrijet de 650 CFM, com o
coletor de admissão apropriado, coletor de escape dimensionado,
comando de 40o a mais de duração e 1 mm a mais de
levantamento de válvulas, e aumento da taxa de compressão em
1,5 ponto.
- Adaptação de três carburadores Weber 40,
com os coletores de admissão apropriados, coletor de escape
dimensionado, comando de 50o a mais de duração e 2
mm a mais de levantamento de válvulas, e aumento da taxa de
compressão em 1,5 ponto.
- Adaptação de três carburadores Weber 44,
com os coletores de admissão apropriados, coletor de escape
dimensionado, comando de 60o a mais de duração e 2,5
mm a mais de levantamento de válvulas, e aumento da taxa de
compressão em 1,5 ponto.
- Colocação de um turbocompressor
com intercooler e pressão regulada para 1,2 kg/cm2,
aproveitando a baixa taxa de compressão original do motor.
Observe o desempenho estimado:
| Taxa alta | Quadrijet | Weber 40 | Weber 44 | Turbo | |
| Potência máxima | 134 cv | 203 cv | 243 cv | 271 cv | 294 cv |
| Rotação de potência máxima | 4950 rpm | 6100 rpm | 6700 rpm | 7100 rpm | 4800 rpm |
| Velocidade máxima | 184 km/h | 212 km/h | 225 km/h | 233 km/h | 239 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5360 rpm | 6170 rpm | 6544 rpm | 6794 rpm | 6979 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 9,8 s | 7,5 s | 6,4 s | 5,8 s | 5,5 s |
| Torque máximo | 26,7 mkgf | 23,0 mkgf | 22,2 mkgf | 21,5 mkgf | 58,8 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 2700 rpm | 3300 rpm | 3600 rpm | 3800 rpm | 2600 rpm |
| Alteração recomendada na relação de transmissão | 8,1
% mais longo |
0,8
% mais longo |
2,1
% mais curto |
4,0
% mais curto |
45,4
% mais longo |
| Aumento recomendado na injeção de combustível | - | - | - | - | 100,0 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,63 g | 0,96 g | 1,15 g | 1,28 g | 1,39 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
Como se observa na tabela, ajustar a relação de transmissão é
especialmente recomendado no caso de uso do turbo. A troca do
diferencial por um com a relação apropriada em geral é a
melhor opção, pois altera todas as marchas e evita que se perca
o escalonamento do câmbio (não se corre o risco de que algumas
das marchas fiquem muito espaçadas ou muito próximas).
Entretanto, isso não é o bastante no seu caso: para chegar
perto dos 45,4% necessários você terá de utilizar um
diferencial mais longo que o atual de 3,08:1 e ainda recorrer ao
câmbio de cinco marchas que equipou os últimos Diplomata, em
1992. Sua quinta marcha tinha relação de 0,84:1, 16% mais longa
que a quarta de seu Opala.
O sistema de freios pode, sem dificuldades, ser trocado pelo do
último Diplomata, que possui quatro discos e é bem mais
eficiente que o usado em seu carro -- freios traseiros a disco
são especialmente adequados a carros de tração traseira. A
medida de pneus que você utiliza favorece a estabilidade em
curvas e, pelo composto esportivo, a aderência em frenagens. Mas
está em total desacordo às especificações originais de
perímetro (clique aqui para saber mais),
pelas quais recomendamos as medidas 195/65 R 15 e 205/60 R 15 --
originais dos Omega, por isso fáceis de encontrar. Você não
informou quais as rodas utilizadas, mas é ideal que sejam as
originais do Diplomata, que mantêm o off-set especificado (clique aqui para saber mais).
Com estas preparações e o devido redimensionamento de freios e
pneus, seu Opala vai ganhar desempenho muito atual e bom nível
de segurança, tornando-se um terror para os donos de esportivos
modernos.
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