Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Opala 4-cilindros:
receitas de 123 a 255 cv
Tenho visto as consultas e achado de
qualidade excelente. Tenho um Opala 76 cupê, motor 4 cilindros a
gasolina, com pistões retos (flat head), cabeçote rebaixado em
0,7 mm, aumento do giclê de 145 para 185 e ignição
eletrônica. Uso pneus 205/55 R 15 na traseira e 195/50 R 15 na
dianteira. Gostaria de saber a taxa de compressão e a potência
atual; que tipo de melhoria eu teria com comando do Opala SS ou
um 286; e se um carburador 446 ou Holley 380 faria muita
diferença. Além dos carburadores, que outra melhoria pode ser
realizada para uma maior potência?
Alex Cristiano Hammes
ach@fastlane.com.br
Florianópolis, SC
Tenho um Opala 82 com 128.000 km originais, 4 cilindros a
gasolina e carburador de corpo simples. Existe alguma receita
simples e que não reduza a vida útil para aumentar o
rendimento? O turbo seria a melhor opção, ou uma leve
preparação teria um resultado aceitável? Gostaria apenas que
não ficasse muito para trás em comparação aos novos carros.
Marcos
mroad@brasilia.com.br
O motor de 4 cilindros do Opala permite muitas soluções em
termos de preparação. É possível tanto uma preparação
aspirada, pois existe torque suficiente em baixas rotações,
como a instalação de turbo. Há grande folga para
desenvolvimento; os regimes de rotação e potência específica,
bastante baixos, podem ser facilmente elevados. Entretanto, o
comando de válvulas no bloco e o acionamento de válvulas por
varetas, utilizados neste motor, trazem riscos em rotações
elevadas, como flutuação de válvulas e até empenamento das
varetas. Para um maior desenvolvimento aspirado será
necessário, portanto, um redimensionamento desta parte do motor,
mas como ele nunca foi alvo de interesse mais dedicado dos
preparadores, é difícil encontrar peças apropriadas.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Opala original (em azul), com preparação
aspirada leve (em marrom), aspirada média (em rosa), turbo
média (em verde) e turbo pesada (em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
A opção é não recorrer a comandos muito bravos ou
carburadores muito grandes, que alteram a curva de potência e a
levam para rotações mais elevadas, ou a válvulas maiores, pois
são mais propensas a flutuação por causa do maior peso.
Venenos como ampliação da cilindrada, aumento da taxa de
compressão e sobrealimentação constituem ótimas opções.
Na preparação feita pelo Alex, o aumento da giclagem é boa
alternativa para adaptar o carburador original à maior vazão de
ar permitida pelo comando 286. Mas seria benéfica a troca deste
carburador por um de maior capacidade, como o 446, Holley 380 ou
o Weber duplo 40, que permitiriam ao motor "respirar"
melhor com o comando de que agora dispõe. Todos estes
carburadores produzem resultados semelhantes em termos de
potência e torque, mas o Weber 40 é o que melhor se adapta ao
comando 286. Cabe ressaltar que os resultados obtidos dependem da
regulagem do carburador e da curva de avanço do ponto de
ignição, além de detalhes como a abertura dos eletrodos das
velas.
O cálculo da taxa de compressão é um procedimento complexo,
que só atinge precisão com uma medição por líquido (clique aqui para saber mais). Contudo, um
cálculo aproximado para as alterações citadas pelo Alex nos
permite estimar a taxa atual em cerca de 1,5 ponto mais alta que
a original, algo como 9:1, bom patamar para a gasolina atual. Com
essa taxa e as demais alterações, seu Opala deve estar com 116
cv a 5.650 rpm de potência, 15,3 mkgf a 3.000 rpm de torque, 167
km/h de velocidade máxima e acelerando de 0 a 100 em 12,3
segundos (compare com os resultados da tabela).
Pistões com sobremedida, utilizados para preencher com a folga
ideal os cilindros usinados no ato da retífica, só devem ser
usados por desgaste do motor original. A substituição com fins
de veneno não se justifica, pois só aumentam (no caso do Opala)
em 3 cv a potência e em 0,3 mkgf o torque -- o que não compensa
de forma alguma o custo da operação e a perda de uma
sobremedida a ser usada em caso de retífica.
As seguintes preparações são simples de implementar e produzem
resultados que vão da simples equiparação aos carros atuais
até a transformação do Opala em um verdadeiro bólido:
- aspirada leve, com aumento da taxa de
compressão em 1,5 ponto; troca do comando pelo de 286O de duração na abertura das
válvulas; troca do carburador por Weber 40 duplo ou equivalente;
coletor de escapamento dimensionado;
- aspirada média, com elevação da cilindrada para 3 litros, por meio de virabrequim de maior curso encontrável em lojas de preparação; aumento da taxa de compressão em 1,5 ponto; troca do comando pelo de 286O de duração na abertura das válvulas; troca do carburador por Weber 40 duplo ou equivalente; coletor de escapamento dimensionado;
- turbo média com pressão de 0,8 kg/cm2 e intercooler; troca do comando pelo de 286O de duração na abertura das válvulas; troca do carburador por Weber 40 duplo ou equivalente;
- turbo pesada com pressão de
0,8 kg/cm2 e intercooler; elevação da cilindrada
para 3 litros, por meio de virabrequim de maior curso; troca do
comando pelo de 286O de
duração na abertura das válvulas; troca do carburador por
Weber 40 duplo ou equivalente.
Observe o desempenho estimado:
| Aspirada leve | Aspirada média | Turbo média | Turbo pesada | |
| Potência máxima | 123 cv | 148 cv | 213 cv | 255 cv |
| Rotação de potência máxima | 5800 rpm | 5800 rpm | 5550 rpm | 5550 rpm |
| Velocidade máxima | 171 km/h | 181 km/h | 204 km/h | 217 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 4280 rpm | 4550 rpm | 5130 rpm | 5450 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 11,6 s | 9,6 s | 7,7 s | 6,6 s |
| Torque máximo | 17,2 mkgf | 20,6 mkgf | 29,6 mkgf | 35,5 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 3150 rpm | 3150 rpm | 3000 rpm | 3000 rpm |
| Encurtamento recomendado na relação de transmissão | 26,4 % | 21,8 % | 7,6 % | 1,8 % |
| Aumento recomendado na injeção de combustível | - | - | 66,7 % | 80,0 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,54 g | 0,64 g | 0,92 g | 1,11 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
As preparações mais fortes aqui sugeridas exigem um completo
reajuste do conjunto do Opala, com o enrijecimento da suspensão,
melhorias nos freios e o emprego de rodas e pneus apropriados.
Esses aperfeiçoamentos são bem-vindos mesmo na receita aspirada
leve, já suficiente para emparelhar o Opala de 4 cilindros aos
modelos de 6 cilindros e 4.100 cm3.
No caso do Opala de Alex, seria interessante adotar pneus com
perímetro próximo ao original, o que não ocorre com os atuais.
Nada de errado com a ligeira diferença de largura, que a
tração traseira torna até conveniente. Mas as medidas corretas
para aro de 15 pol. são 195/65 e 205/60, jamais 195/50 (de
perfil extremamente baixo) como a adotada na dianteira. Pneus de
perímetro tão distante do especificado desajustam a geometria
de direção e suspensão, alteram o centro de gravidade -- pois
o carro se curva para a frente, um fator desfavorável em freadas
-- e deixam a frente do veículo muito próxima do solo.
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