|
Pickup Corsa: motor de Vectra 16V e turbo!
Estou pensando em adquirir um Pickup Corsa 1.6
MPFI e gostaria de saber como ficaria seu desempenho com os seguintes
casos de preparação:
1) adição de turbo a 0,8 kg/cm2;
2) colocação de um motor do Vectra GSi antigo com turbo (além de
preparações em escape, admissão, etc.) e o valor aproximado para esta
preparação;
3) apenas troca de comando (qual seria o ideal para o dia-a-dia?) e
pequenas modificações como velas, cabos, escape e admissão, e o valor
para essas trocas.
Antecipadamente agradeço a atenção e gostaria de parabenizá-los pelo
ótimo serviço e por fazerem a home-page mais interessante que já visitei
até hoje.
Hugo Leonardo Mendes Martins
hugom@cci.fei.br
Todas as preparações citadas são possíveis, Hugo. Algumas são simples, a
turbo e a aspirada. Já a troca do motor pelo do Vectra GSi será uma
verdadeira maratona.
A GM equipa seus modelos atuais de tração dianteira com duas linhas de
motores: a Família 1, que vai de 1 a 1,6 litro e impulsiona os Corsa, e
a Família 2, que começou com o Monza de 1,6 litro em 1982, teve a versão
1,8 e hoje conta com os motores de 2 e 2,2 litros do Kadett e Vectra (o
mesmo utilizado no Omega GLS). O motor de 2 litros do Vectra é portanto
da Família 2 e possui maior distância entre os centros dos cilindros que
a Família 1. Apesar da semelhança externa, os motores da série 2 têm
bloco mais comprido, de que resulta grande dificuldade em acomodá-lo no
cofre do Corsa. Pode ser preciso retrabalhar as chapas do cofre. Mas a
missão não é impossível e até já existe um precedente -- um Corsa
hatchback foi equipado com o motor GM de 2 litros e 8 válvulas.
As
curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Pickup
Corsa original (em azul), com preparação aspirada (em rosa), com turbo a
0,8 kg/cm2 (em verde) e com o motor do
Vectra GSi e turbo a 0,6 kg/cm2 (em
vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
O motor do Vectra GSi era importado e, segundo a GM, não está mais
disponível na rede de concessionárias, o que nos leva a duas
alternativas: optar pelo do Vectra CD de 2 litros -- com 136 cv em vez
dos 150 cv do GSi -- ou procurar o motor antigo num desmanche. Neste
último caso, faça questão absoluta da nota fiscal. Comprar peças em
desmanches sem nota, além de fomentar o roubo de carros e componentes,
pode ser enquadrado como crime de receptação culposa, previsto no art.
180, parágrafo 1o., do Código Penal.
A preparação de melhor custo-benefício em seu caso é a com
turbocompressor, com uma relação de cerca de R$ 16 por cv de potência
obtido. No veneno aspirado, embora o custo seja menor (cerca de R$ 500
contra R$ 1.200 do turbo), a relação está por volta de R$ 25 por cv.
Para a troca do motor pelo do Vectra e a instalação de turbo, estima-se
um custo total da ordem de R$ 15.000, o que leva a uma relação de R$ 100
por cv. A relação pode ser melhorada com uma maior pressão do turbo
(mais cv sem grande alteração de custo), mas então o pickup exigiria
extenso trabalho de reforços e adaptações. Isso elevaria em muito o
custo da aventura, prejudicando novamente a relação custo-benefício.
Para a adaptação do turbo, assim como no veneno aspirado, é necessário
recalibrar o sistema de injeção do pickup Corsa. O ajuste mais eficiente
é o remapeamento, mas pode-se lançar mão de outros meios (veja na
consulta do Gol GTi turbo). Para adaptar o motor do Vectra é
necessário ainda adquirir todo o sistema eletrônico de injeção e
adaptá-lo ao turbo. Simulamos, assim, três preparações.
- Aspirada: troca do comando por um com 20° a mais de
duração de abertura e 0,8 mm a mais de levantamento das válvulas,
coletor de escapamento dimensionado, remapeamento da injeção e aumento
da taxa de compressão em 0,8 ponto. Não reduz muito o torque do Corsa e
permite seu uso no dia-a-dia.
- Turbo:
com intercooler e pressão de 0,8 kg/cm².
- Troca de motor:
instalação do motor do Vectra GSi equipado com turbo a 0,6 kg/cm² e sem
mais mudanças, para não exigir reforços extensos no pickup.
O desempenho esperado é o seguinte:
| |
Original |
Preparação
aspirada |
Turbo a
0,8 kg/cm2 |
Motor do
Vectra GSi e turbo |
| Potência máxima |
92 cv |
110 cv |
174 cv |
250 cv |
| Rotação de potência
máxima |
5600 rpm |
6100 rpm |
5600 rpm |
6000 rpm |
| Velocidade máxima |
169 km/h |
179 km/h |
209 km/h |
236 km/h |
| Rotação à velocidade
máxima |
5200 rpm |
5530 rpm |
6440 rpm |
7260 rpm |
| Aceleração de 0 a 100
km/h |
10,8 s |
9,0 s |
6,7 s |
5,0 s |
| Torque máximo |
13,0 mkgf |
12,8 mkgf |
24,6 mkgf |
33,3 mkgf |
| Rotação de torque
máximo |
2800 rpm |
3100 rpm |
2800 rpm |
4600 rpm |
| Alteração recomendada
na relação de transmissão |
- |
9,8 %
mais curto |
15,0 %
mais longo |
21,1 %
mais longo |
| Aumento recomendado na
injeção de combustível |
- |
- |
66,7 % |
50,0 % |
| Aceleração
longitudinal no interior do veículo |
0,57 g |
0,69 g |
1,09 g |
1,56 g |
| A margem de erro é
de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação
bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração
longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da
eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original.
Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a
recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de
pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida
com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os
resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar
eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é
calculada considerando a relação atual de transmissão. |
Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo consultor
Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
A preparação aspirada requer um encurtamento do câmbio que pode ser
obtido, em parte (5,5%), com a troca do diferencial de relação 4,29:1 do
pickup pelo do Corsa Wind, de 4,53:1. A adoção do diferencial do extinto
Corsa GSi, com relação 3,74:1 (13% mais longa), é um meio de adequar a
transmissão às necessidades do turbo. Quanto à adaptação do motor do
Vectra, não há um diferencial apropriado, mas o do Corsa GSi atenuaria o
problema do câmbio curto demais.
As preparações mais simples, aspirada e turbo, deixarão o pickup Corsa
com desempenho superior ao de muitos esportivos -- a primeira delas já
resulta numa potência maior que a do Corsa GSi 16V. Caso o leitor e a
oficina de primeiro nível que ele escolher aceitem o desafio da troca do
motor, apesar das dificuldades a enfrentar, teremos aí um carro inédito
no Brasil e muito, muito interessante. Não se esqueça de nos contar
depois como ficou.
|