Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Santana com 1,5 kg/cm2 e
injeção vs. carburador
Tenho um Santana GL 2.000 e gostaria de
saber como ele ficaria colocando 1,5 kg/cm² de pressão de
turbo. Gostaria que vocês me dissessem tudo o que mudaria. Estou
querendo trocar este carro por um Corsa GSi 16V. O que vocês
acham? Gostaria também de saber se um carro com carburador corre
mais que um com injeção.
Agnelo da Conceição Vinagre
vinagre@inetminas.estaminas.com.br
Como ocorre com qualquer carro pesado, sempre haverá entre os
proprietários de Santana quem queira tirar um pouco mais do
motor, e para isso é que existem as preparações. O
turbocompressor é uma boa opção, sobretudo para o nível de
potência que você quer alcançar, Agnelo. Mas colocar um turbo
funcionando a 1,5 kg/cm² sem prejudicar o motor, o câmbio ou a
suspensão requer muitas alterações.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Santana 2.000 original (em azul) e com turbo a
1,5 kg/cm2 (em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
No motor deve-se optar pelo álcool como combustível, com taxa
de compressão entre 8,5:1 e 10:1, a critério do preparador.
Deve-se remapear a injeção, visando sua adaptação ao turbo.
Colocar um intercooler é indispensável para esta pressão, pois
trará muitos ganhos em termos de potência e proteção ao
motor. Além disso fazem-se as alterações de praxe, como troca
de velas, do escapamento, etc.
No câmbio é preciso adotar uma embreagem mais reforçada, pois
o desgaste prematuro da embreagem original acabaria exigindo
constantes trocas. Pode-se reforçar as engrenagens de câmbio e
rolamentos, para obter maior durabilidade, mas estas peças
reforçadas são muito difíceis de encontrar. O uso de
engrenagens de dentes retos, mais fáceis de achar, é
desaconselhável em função do ruído que produzem.
A suspensão e os freios têm de ser extensamente revistos, pois
o conjunto original não suporta tal potência com segurança.
Procure reprojetar estes conjuntos lançando mão de peças
destinadas a competições, de modo a manter o comportamento do
carro dentro dos padrões desejáveis. Utilize freios a disco nas
quatro rodas, molas e amortecedores mais duros e estabilizador
mais grosso (que o Santana só possui na frente). Evite, porém,
recorrer ao rebaixamento de suspensão (clique
aqui para saber mais).
Por fim, rodas e pneus devem ser substituídos por unidades
adequadas ao novo desempenho, sendo uma alternativa os pneus
205/50 R 15 V em rodas 6 x 15 pol. do Gol GTI 16V. Outras rodas
podem ser empregadas, mas fique atento à profundidade de
montagem (clique aqui para saber mais).
Veja o desempenho estimado para o Santana com tais alterações:
| Original | Turbo a 1,5 kg/cm² | |
| Potência máxima | 112 cv | 284 cv |
| Rotação de potência máxima | 5600 rpm | 5400 rpm |
| Velocidade máxima | 183 km/h | 250 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5070 rpm | 6915 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 12,1 s | 5,8 s |
| Torque máximo | 17,6 mkgf | 44,7 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 3000 rpm | 2900 rpm |
| Alongamento recomendado na relação de transmissão |
- | 27,4 % |
| Aumento recomendado na injeção de combustível |
- | 125,0 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo |
0,51 g | 1,30 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
A troca de um sedã tradicional como o Santana por um Corsa GSi
envolve fatores nos quais pouco podemos interferir, como gosto
pessoal e utilização típica do veículo. Em resumo, pode-se
afirmar que você terá um carro bem mais ágil (sem recorrer a
preparações), divertido de guiar e prático no uso urbano,
além de mais econômico -- em que pese o desempenho alegre do
motor de 1,6 litro e 106 cv. Em contrapartida, perderá muito em
conforto, seja no espaço interno, seja na firmeza da suspensão
ou na indisponibilidade de quatro portas. O porta-malas do Corsa
também é muito menor que o do Santana. Cabe a você pesar os
prós e contras e decidir se é uma troca oportuna.
Quanto ao desempenho dos sistemas de alimentação, a regra é
que a injeção proporciona melhor potência e torque em todos os
regimes de rotações, tornando o carro "eletrônico"
mais rápido e agradável de dirigir. As exceções decorrem de
motores com carburação e calibragem mais desenvolvidas que
passam a adotar injeção monoponto com calibragem modesta, como
ocorreu com o AP-1600 da Volkswagen no Gol '95. A potência do
motor a gasolina caiu de 80 para 75,7 cv, voltando a 89 cv dois
anos depois, quando a injeção passou a multiponto (motor Mi).
Nos demais casos, vantagem sempre para a injeção: mais 3 cv no
Kadett 1,8 a gasolina (1992), mais 2 cv no Uno Mille (EP, 1996) e
assim por diante.
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