Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Uno 1.6 R envenenado ganha
do Turbo original
Tenho um Uno 1.6 R mpi e gostaria de
turbiná-lo com 0,6 ou 1 kg/cm². Qual o desempenho com essas
pressões e qual a mais adequada? Um intercooler seria bem-vindo?
Quais as medidas dos novos pneus? Se eu colocasse amortecedores
da Fórmula Uno o carro ficaria mais estável? Além de turbinar,
se eu aumentasse a cilindrada para 1.8, como ficaria o
desempenho? Parabéns pelo site, principalmente pela parte de
preparação!
Rodrigo Bernardes Borges
mgborges@zaz.com.br
Goiânia, GO
Estou em dúvida entre um Uno Turbo e um Uno 1.6 R mpi. O que
posso fazer com um Uno 1.6 R mpi com até R$ 2.000? Um irmão tem
um Uno Turbo e estamos na disputa.
Carlos Eduardo Serrano
guisin@olimpianet.com.br
Olímpia, SP
Como ficaria um Uno 1.6 R mpi turbinado com intercooler? Qual o
custo deste veneno? Teria que fazer outras alterações
(suspensão, escape, freios)?
Bruno C . Pepe
pepe@olimpo.com.br
Rio de Janeiro, RJ
A preparação turbo de um motor de cilindrada média ou reduzida
é sempre uma ótima opção. Somado ao baixo peso e à agilidade
do Uno 1.6 R, o veneno pode resultar em um ótimo esportivo, com
respostas imediatas e comportamento nervoso. A opção pelo uso
do intercooler, feita pelos três leitores, é também acertada e
só trará vantagens em desempenho e proteção ao motor. Mas
para atingir um bom resultado e preciso adequar o conjunto do
carro às novas características do motor.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Uno 1.6 R mpi original (em azul), com turbo a
0,6 kg/cm2 (em verde) e com turbo a
1 kg/cm2 (em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
Com o turbo o Uno 1.6 R pode atingir um desempenho até superior
ao do Uno Turbo de fábrica. Isto ocorre por dois motivos: a
maior cilindrada (1.581 cm3 contra 1.372 cm3) e o desenvolvimento
aspirado do motor original do 1.6 R, que dará ao motor turbinado
um comportamento mais bravo. Daí a diferença de comportamento
entre os carros turbo de fábrica e os adaptados, que apresentam
uma entrada mais brusca e perceptível da superalimentação.
Mas a vantagem de desempenho do 1.6 R traz também a exigência
de alterações mais profundas que as realizadas pela própria
Fiat no Uno Turbo. Não basta copiar o dimensionamento de freios,
suspensão e pneus do esportivo original: é preciso ir além,
sendo boas soluções o uso de pastilhas de freio mais macias,
pneus mais largos, barra estabilizadora mais grossa e molas e
amortecedores de maior carga. Pode-se optar pelos componentes
utilizados pelos Uno de competição, embora consegui-los não
deva ser tarefa fácil. Os pneus 165/70 R 13 originais podem ser
substituídos por 185/60 R 14 (como no Turbo de fábrica) ou,
melhor ainda, 195/50 R 15. Em ambos os casos é importante
verificar se rodas e pneus não interferem com os pára-lamas e
os amortecedores traseiros -- este risco é particularmente comum
no Uno. Faz-se necessário ainda rever as regulagens de
alinhamento da suspensão, mas neste caso os ajustes utilizados
nas pistas de competição não devem ser reproduzidos: como são
específicos para corridas, implicam desgaste elevado de pneus e
um comportamento "nervoso", pouco adequado a ruas e
estradas.
O essencial a ser feito é a adequação do motor ao turbo. Para
tanto podem-se recorrer a um remapeamento ou ao uso de caixas
adicionais de gerenciamento de injeção e ignição, além de
bicos injetores extras (clique aqui para
saber mais). Vale a pena cogitar de um disco de embreagem
mais resistente, mas isso depende do estilo de
"pilotagem" do motorista, que se não for muito
agressivo pode manter o disco original. O câmbio também está
sujeito a pedir reforços no caso de preparação mais forte,
como a de turbo a 1 kg/cm². Mas o custo elevado e a dificuldade
em obter peças justifica uma avaliação prévia da relação
custo-benefício. A possibilidade de quebras pode ser minimizada
com certos cuidados do motorista:
- evitar arrancadas violentas em terreno irregular, com buracos
ou lombadas, que podem provocar fortes trancos no conjunto de
transmissão;
- não "queimar" a embreagem (acelerar e soltar o pedal
com o motor em rotação elevada), o que desgasta prematuramente
o disco e, num motor turbinado, pode resultar em sua queima
imediata;
- aliviar um pouco a aceleração durante as trocas de marcha,
procedimento que poupará todo o conjunto de transmissão,
sobretudo a embreagem.
Simulamos o Uno 1.6 R mpi equipado com turbo e intercooler,
trabalhando às pressões de 0,6 kg/cm²
e 1 kg/cm². O custo estimado
gira em torno de R$ 1.200 e de R$ 1.800, na ordem, e não inclui
alterações em câmbio, suspensão, freios, etc. Este é o
desempenho estimado:
| Original | Turbo
a 0,6 kg/cm2 |
Turbo
a 1 kg/cm2 |
|
| Potência máxima | 92 cv | 153 cv | 195 cv |
| Rotação de potência máxima | 5750 rpm | 5750 rpm | 5750 rpm |
| Velocidade máxima | 171 km/h | 202 km/h | 219 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5560 rpm | 6595 rpm | 7150 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 11,5 s | 7,4 s | 6,4 s |
| Torque máximo | 13,0 mkgf | 21,7 mkgf | 27,6 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 3500 rpm | 3500 rpm | 3500 rpm |
| Alongamento recomendado na relação de transmissão |
- | 14,7 % | 24,3 % |
| Aumento recomendado na injeção de combustível |
- | 50,0 % | 83,3 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo |
0,54 g | 0,90 g | 1,15 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
Aumentar a cilindrada não é uma boa opção, pois não há
componentes disponíveis. Pode-se tentar a adaptação de
pistões de outro modelo, mas os resultados seriam de eficácia
duvidosa -- mesmo porque o motor Fiat de 1,6 litro já tem curso
bem menor que o diâmetro, e não convém acentuar essa
disparidade. Podemos assegurar que o uso de pressão mais alta no
turbo, ou o emprego de uma turbina com entrada em rotação mais
baixa, traria facilmente a sensação de "motor grande"
que o leitor Rodrigo procura. E mesmo a receita mais
"mansa" que simulamos aqui já seria o bastante para
deixar na poeira o Uno Turbo de fábrica.
© Copyright 1998/1999 - Best Cars Web Site - Todos os direitos
reservados