Consultório de Preparação
por Alexandre Makoto e Iran
Cartaxo
Vectra 2,2 8V: 230 km/h
com turbo ou nitro
Como seria o desempenho do vectra 2.2
8V com kit turbo e nitro?
Fábio Hiroyuki
fabio_hiroyuki@uol.com.br
Pretendo comprar um Vectra GL 2.2 e gostaria de saber como andar
mais sem que o motor perca em vida útil, e sem perder torque em
baixa rotação.
Orfeu da Cunha Albuquerque
albuquerque@datacontrol.com.br
Porto Alegre, RS
O recente motor de 2,2 litros do Vectra apresenta boas
características para preparação, pois não possui potência
específica muito alta, tem bom torque e os regimes de rotação
são baixos, o que revela existir boa margem para trabalho. Mas,
para evitar ter de abrir o motor, as opções acabam se
restringindo ao óxido nitroso e ao turbo. Pode-se considerar
também a possibilidade de uma preparação aspirada, a que os
motores GM em geral respondem bem. Contudo, neste caso, a
relação r/l desfavorável (clique aqui
para saber mais) implicaria vibrações na faixa de giros
mais utilizada pelo motor preparado.
Com turbo a 0,6 kg/cm² é possível obter aumento considerável
de potência sem necessidade de troca de componentes internos por
outros reforçados, bastando os cuidados inerentes a todo carro
preparado: não abusar das rotações nas primeiras marchas,
evitar o choque da roda contra buracos, lombadas e outros
obstáculos em acelerações fortes -- cuidado este que ajuda a
manter em bom estado tanto o câmbio como o diferencial, muito
exigidos em situações limite.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Vectra 2,2 de 8 válvulas original (em azul),
com óxido nitroso (em verde) e com turbo a 0,6 kg/cm2
(em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
Para esta preparação, as alterações seriam as seguintes:
1. Remapeamento do módulo eletrônico,
adequando o programa ao novo regime de funcionamento do motor.
Aumenta-se o volume de combustível injetado de acordo com a
necessidade de alimentação do motor, sobretudo nos regimes mais
críticos (a partir de onde o turbocompressor começa a atuar
até sua rotação limite) e nos momentos onde houver tendência
à detonação. Pode também ser feito um ajuste para obter
melhora no torque antes da atuação do turbo, deixando o carro
mais agradável também em baixas rotações.
O ajuste da mistura deve ser rigoroso, estequiométrico, pois se
for muito pobre há risco de detonação e consequentes danos ao
motor. Se a mistura for rica demais o consumo torna-se elevado,
as emissões crescem muito e existe ainda o risco de
contaminação do lubrificante, reduzindo sua eficácia e
propiciando desgaste ao motor. E em caso de vistorias técnicas
para a aprovação de equipamento adaptado, o veículo certamente
seria reprovado por poluir demais.
2. Reajuste da curva de avanço da ignição. A
curva de avanço deve ser regulada sempre no limite antes da
detonação, para se obter a melhor relação entre consumo e
desempenho. Deve ser menos acentuada após o funcionamento do
turbo devido ao aumento da tendência à detonação. A curva de
avanço pode -- e deve -- ser otimizada para melhor
dirigibilidade antes do funcionamento do turbo, evitando a
detonação após o acréscimo de pressão do equipamento.
3. Troca das velas de ignição por outras mais
frias, também para evitar detonação.
Se não for possível, ou desejável, o remapeamento, pode-se
adotar módulo extra que gerencie bicos adicionais de
combustível e que controle também a curva de avanço da
ignição. Devem ser evitadas soluções "milagrosas"
como o aumento puro e simples da pressão da linha de
combustível, que aumenta o volume injetado em todas as
rotações e deixa o veículo muito poluente e gastador.
O uso de intercooler possibilita uma regulagem mais econômica,
com maior desempenho e ainda afasta o risco de detonação, por
resfriar o ar comprimido pela turbina. Aumenta, assim, a
confiabilidade do conjunto. Com 0,6 kg/cm² basta a
substituição das rodas e pneus e a troca das pastilhas de freio
por outras mais macias. Se puder, escolha o Vectra com freios a
disco também na traseira (opcionais na versão GLS). Rodas 6 x
15 pol. -- não as da versão CD, que não se aplicam às demais
pelo diferente número de elementos de fixação -- e pneus
195/60 R 15 V são boa opção, mas os amantes da pilotagem podem
escolher perfil ainda mais baixo.
Abastecimento com combustível de boa qualidade é
indispensável. Não adianta ter o melhor preparo e resolver
fazer economia na hora de abastecer. O barato pode sair caro,
desde desempenho abaixo do esperado com alto consumo, até
quebras no motor em casos mais sérios. Deve ser evitada a
eliminação do limite de giros do motor. A vantagem de uma
preparação turbo reside exatamente em não aumentar a faixa de
rotações, o que só traria prejuízos. Evite a alteração do
combustível original para álcool com esta pressão. Pode ser
adotado um novo sistema de escapamento, mais adequado ao maior
volume de gases expulso pelo motor, que elevaria um pouco mais o
rendimento.
Outra opção seria o uso de óxido nitroso. Perceba pela
simulação que a potência obtida pelas preparações utilizando
nitro e turbo pode ser muito próxima. A vantagem do nitro está
na facilidade de instalação e de um possível reaproveitamento
em outro veículo, caso o proprietário troque de carro ou se
desfaça do equipamento. Existe também a vantagem do baixo risco
de detonação proporcionado pelo nitro, que ao dissociar-se no
interior do cilindro refrigera-o através do nitrogênio. O
oxigênio resultante da dissociação serve para ser combinado ao
combustível extra injetado pelos bicos adicionais, aumentando
assim a potência do motor. A desvantagem fica por conta do
aumento brusco da rotação do motor, que desgasta seus
componentes internos, e do custo pelas recargas nos cilindros de
nitro, suficientes para 30 a 50 injeções.
No caso deste tipo de preparação as alterações seriam:
1. Instalação de um kit nitro com 4 injetores
de óxido nitroso de 0,018 pol. e 4 injetores de combustível de
0,024 pol.
2. Adoção de pastilhas de freio mais macias e
de rodas e pneus mais apropriados, como citado acima.
O uso de coletor de escapamento dimensionado (clique aqui para saber mais) deixaria o
carro mais ágil a partir de médias rotações, mesmo sem o
acionamento do nitro. Jamais elimine o limite de giros do motor,
pois há risco significativo de quebras se o nitro for acionado
em altas rotações.
Observe o desempenho estimado:
| Original | Óxido Nitroso |
Turbo
a 0,6 kg/cm2 |
|
| Potência máxima | 123 cv | 197 cv | 205 cv |
| Rotação de potência máxima | 5200 rpm | 5200 rpm | 5200 rpm |
| Velocidade máxima | 195 km/h | 227 km/h | 231 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5045 rpm | 5905 rpm | 5985 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 12,2 s | 8,5 s | 8,3 s |
| Torque máximo | 19,4 mkgf | 31,0 mkgf | 32,3 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 2800 rpm | 2800 rpm | 2800 rpm |
| Alongamento recomendado na relação de transmissão |
- | 13,5 % | 15,1 % |
| Aumento recomendado na injeção de combustível |
- | 50,0 % | 50,0 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo |
0,51 g | 0,73 g | 0,75 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
Em ambos os casos deve ser evitado o corte das molas da
suspensão na tentativa de aumentar a estabilidade (clique aqui para saber mais). Além de
perigoso em pista com ondulações, deixa o veículo com
comportamento inadequado ao trânsito cotidiano e raspando o
fundo em obstáculos, além do desgaste prematuro de toda a
suspensão e até de provocar trincas na estrutura do veículo. O
uso de molas e amortecedores especiais é a melhor providência a
ser tomada nestes casos. Custa mais, mas evita problemas e
prejuízos futuros.
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