Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo e Alexandre
Makoto
Voyage: comando 288°,
Weber 40 e pistões de Kadett
Tenho um Voyage CL 1.8 95 a gasolina
com 49.000 km. Qual é o desempenho original com carburador
eletrônico? Qual a estimativa para seu desempenho com um comando
288º eixo-bruto, escapamento dimensionado com cano de 2,5 pol.
sem intermediário nem catalisador, carburador 3E de Opala,
filtro de ar esportivo e cabeçote rebaixado em 1,2 ponto? Como
seria com um Weber 44 com canetas F11? E com a mesma preparação
anterior mas com pistões do Kadett 1.8 a álcool? E com pistões
do Kadett 2.0 a álcool?
Alexandre Martins Fernandes
scassius@prudenet.com.br
Presidente Prudente, SP
O motor AP-1800 reage muito bem a trocas de comando de válvulas,
principalmente quando acompanhada de aumento na taxa de
compressão (atualmente está na faixa de 9,4:1), beneficiando
torque, consumo e emissões de poluentes. A substituição do
carburador original pelo Brosol 3E também contribui
substancialmente para o aumento no desempenho, já que
possibilita admissão mais livre, deixando o motor mais rápido
em baixos giros.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Voyage CL original (em azul), com a preparação
atual (em verde) e com pistões do Kadett 2-litros (em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
Levando-se em conta todas as alterações realizadas, a
preparação adotada neste motor está bem equilibrada. O
carburador ideal para este comando seria o Weber 40, pois permite
alimentação mais adequada em baixos regimes que o 3E, além de
uma marcha-lenta mais estável. O Weber também favorece a
alimentação do motor em altas rotações, ainda contando com os
benefícios do coletor de escapamento dimensionado, que melhora a
exaustão dos gases de escape e a "limpeza" da câmara
de combustão.
A adoção de pistões de Monza/Kadett visando a aumento de
cilindrada é viável. Com os pistões do motor 1,8-litro (de
84,8 mm) o motor VW passa de 1.781 cm³ (pistões de 81 mm) para
1.952 cm³, e com os do GM 2-litros (de 86 mm), para 2.007 cm³.
Os benefícios seriam os mesmos de um motor de maior cilindrada,
como aumento de torque e potência. As desvantagens ficam por
conta da usinagem requerida no bloco do motor para se adaptar aos
pistões de maior medida, usinagem que diminui as chances de
retíficas futuras, além de requerer um trabalho muito bem-feito
para que os resultados sejam satisfatórios. A utilização do
carburador Weber 40 por si só garante bom desempenho e custa
menos que o jogo de pistões mais a usinagem do bloco, revelando
melhor custo/benefício. Apenas não traz a vantagem do aumento
de torque -- ao contrário, este vai diminuir com a adoção
apenas do carburador Weber.
Se a opção for pelo uso dos pistões dos motores GM de 1,8 ou 2
litros, deve-se atentar ao fato de que o cabeçote utilizado deve
ser novo, com volume original das câmaras de combustão. Caso
seja mantido o atual cabeçote, com o aumento do volume de
mistura admitido pelo motor a taxa de compressão aumentará
muito, superando a marca de 10,5:1 em ambos os casos. O emprego
de pistões do 2-litros e cabeçote original já mantém a taxa
em patamar aceitável, cerca de 9,5:1 (com pistões do 1,8 seria
ainda mais baixa). Será mais vantajoso o uso dos pistões do
motor GM 1,8-litro, com medida de 84,4 mm, pois a usinagem será
menos agressiva que com os pistões de 86 mm do motor 2-litros.
A opção do uso destes pistões de maior diâmetro fica por
conta do usuário, devendo este levar em conta a qualidade do
processo de usinagem adotado -- o sucesso desta adaptação
depende muito dela --, bem como a irreversibilidade do processo,
durabilidade do motor após a adaptação e relação
custo/benefício.
Simulamos para o Voyage a preparação atual e o uso de pistões
GM 2-litros com o cabeçote original:
| Original | Preparação atual | Pistões de 86 mm | |
| Potência máxima | 86 cv | 113 cv | 126 cv |
| Rotação de potência máxima | 5400 rpm | 6200 rpm | 6200 rpm |
| Velocidade máxima | 167 km/h | 182 km/h | 189 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5030 rpm | 5510 rpm | 5710 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 11,2 s | 9,1 s | 8,4 s |
| Torque máximo | 14,5 mkgf | 14,0 mkgf | 15,6 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 3000 rpm | 3450 rpm | 3450 rpm |
| Encurtamento recomendado na relação de transmissão |
- | 11,0 % | 7,9 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo |
0,55 g | 0,69 g | 0,74 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
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