Consultório de Preparação
por Iran Cartaxo
Escort 16V com turbo vai a
mais de 230 km/h
Tenho um Escort 16V. Onde poderia remapear o chip? Um escapamento
dimensionado ajudaria na performance? Qual a pressão ideal de
turbo para que ele tivesse a mesma vida útil do original? Qual
seria sua potência e velocidade final?
Fausto Cesar Canteli
gcanteli@nutecnet.com.br
Várzea Paulista, SP
Após várias pesquisas na Internet, finalmente consegui
encontrar as respostas para minhas dúvidas. Vocês estão de
parabéns! Tenho um Escort 16V ano 97, rodas aro 15, pneus
205/50, dei uma rebaixada de leve e coloquei amortecedores
pressurizados. Gostaria de saber se é possível adaptar um
turbocompressor com uma pressão que não necessite de
intercooler. Qual a pressão máxima ideal? Qual o kit
recomendado?
Marcos José Pereira dos Santos
pereira@saude.gov.br
Gostaria de saber o que se pode fazer
com um Escort 16V 97 para melhorar seu desempenho, desde aspirado
até turbo, passando pelo nitro, que acabei de adquirir.
Felipe Imianoski
imianoski@uol.com.br
A preparação por sobrealimentação é a mais recomendada para
este motor. Não que ele seja impróprio para a preparação
aspirada, mas pelo pouco tempo de mercado e por seu desempenho
já interessante, existem ainda poucas opções nessa área,
sendo necessário recorrer a importações de componentes. Como
os preparadores brasileiros já tem larga experiência no
desenvolvimento e aplicação de kits turbo, esta acaba sendo uma
boa opção para um veneno de baixo custo de manutenção. A
outra opção seria a sobrealimentação por óxido nitroso, mas
possui um maior custo de manutenção, pois a recarga do cilindro
é cara e frequente. Por outro lado, sua instalação é simples
e barata.
As curvas de potência (as mais altas) e de torque
estimadas para o Escort 16V original (em azul), com remapeamento
e coletor dimensionado (em marrom), com turbo a 0,4 kg/cm2
(em rosa), com óxido nitroso (em verde) e com turbo a 0,6 kg/cm2
e intercooler (em vermelho)
Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas
O turbo acaba sendo a escolha para quem tem mais dinheiro para
gastar inicialmente, mas não deseja a complicação e o custo de
ficar recarregando o cilindro de óxido nitroso. As maiores
dificuldades serão fabricar um coletor de escapamento apropriado
para alojar a turbina e adaptar a injeção para as novas
condições de funcionamento. Nada que seja grande impecilho para
uma boa loja de preparação, pois a fabricação de coletores
já é bastante difundida no meio e podem-se encontrar
equipamentos de grande qualidade. A adaptação da injeção ao
turbo pode ser feita tanto através de remapeamento como pelo uso
de caixa de gerenciamento adicional, ambas as técnicas dominadas
por preparadores de renome. Observe-se que é necessário
recorrer a uma boa loja de preparação para ter um turbo
adaptado de forma correta, pois são muitos os casos de
insucesso.
O uso do intercooler só traz vantagens em qualquer pressão, mas
para pressões muito baixas, até 0,4 kg/cm², as vantagens são
reduzidas e pode-se dispensá-lo para um custo de instalação
mais baixo. Para pressões mais altas os benefícios -- aumento
de potência, proteção do motor e possibilidade de uma
regulagem mais econômica -- valem definitivamente o custo, em
torno de R$ 250. O óxido nitroso é uma opção para quem deseja
uma instalação simples, fácil de reverter e a um custo mais
baixo. Mas, pelo alto custo e frequência de recarga do cilindro,
em um ano de uso, em média (cerca de 18 recargas), seu custo
supera o do turbo.
Apesar da maior dificuldade que se enfrenta na preparação
aspirada deste motor, pode-se optar por um veneno simples e de
bom resultado: o remapeamento aliado a um bom coletor
dimensionado. Por se tratar de um motor 16V ele responde de forma
excepcional a venenos que priorizam regimes de alta rotação,
mas perde-se bastante em torque nos regimes mais baixos, com
prejuízo à dirigibilidade. Mas receitas leves permitem
encontrar um ajuste equilibrado, que permita o uso em rua sem
problemas e possa até elevar o valor do torque máximo.
Simulamos para o Escort 16V as seguintes receitas:
- aspirada leve, com remapeamento e coletor de escapamento dimensionado;
- turbo com pressão de 0,4 kg/cm2;
- óxido nitroso com 4 injetores de óxido nitroso de 0,013 pol. e 4 injetores extras de combustível de 0,019 pol., um par para cada cilindro;
- turbo
com pressão de 0,6 kg/cm2 e intercooler;
Observe o desempenho estimado:
| Original | Aspirado leve | Turbo a 0,4 kg/cm2 | Óxido nitroso | Turbo a 0,6 kg/cm2 | |
| Potência máxima | 115 cv | 128 cv | 161 cv | 184 cv | 192 cv |
| Rotação de potência máxima | 5750 rpm | 6100 rpm | 5600 rpm | 5600 rpm | 5600 rpm |
| Velocidade máxima | 200 km/h | 207 km/h | 224 km/h | 234 km/h | 237 km/h |
| Rotação à velocidade máxima | 5200 rpm | 5360 rpm | 5780 rpm | 6045 rpm | 6125 rpm |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 9,5 s | 8,7 s | 7,8 s | 6,9 s | 6,7 s |
| Torque máximo | 16,3 mkgf | 18,2 mkgf | 22,8 mkgf | 26,1 mkgf | 27,2 mkgf |
| Rotação de torque máximo | 4500 rpm | 4750 rpm | 4500 rpm | 4500 rpm | 4500 rpm |
| Alteração recomendada na relação de transmissão | - | 11,8
% mais curto |
0,5
% mais longo |
5,1
% mais longo |
6,5
% mais longo |
| Aumento recomendado na injeção de combustível | - | - | 33,3 % | 50,0 % | 50,0 % |
| Aceleração longitudinal no interior do veículo | 0,65 g | 0,73 g | 0,91 g | 1,05 g | 1,09 g |
| A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão. |
| Algoritmo de
simulação de preparação de motores desenvolvido pelo
consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF. |
A receita de pneus e suspensão usada pelo Marcos é correta para
arrancadas: um pequeno endurecimento das molas, provocado pelo
rebaixamento bem leve, e a colocação de amortecedores de maior
carga, aliados a pneus largos, ajuda bastante no momento da
aceleração. Mas para uso normal do carro recomendamos manter a
altura de suspensão original (clique aqui
para saber por quê), recorrendo a amortecedores mais firmes
e estabilizadores mais grossos para ganho em controle nas curvas.
Alternativas de pneus com menor sensibilidade a buracos e
irregularidades são 195/60 R 14 H, com rodas originais, ou
195/55 R 15 V com aros de 15 pol., esta obrigatória para um
aproveitamento integral do desempenho das três preparações
mais bravas.
Quanto à transmissão, originalmente longa no Escort, deve ser
encurtada para o veneno aspirado. As demais receitas permitem
manter o câmbio e diferencial originais, com a vantagem de que o
Zetec passará a "encher" a quinta marcha na velocidade
máxima. Vai dar trabalho para muitos esportivos importados.
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