por Iran Cartaxo O elegante Calibra torna-se um supercarro
Douglas Di Giglio Millan |
Muitas pessoas já estariam satisfeitas em ter um esportivo veloz como o Calibra, mas a emoção quando se trata de automóveis parece suplantar os limites da satisfação -- sempre aparece quem quer mais. Já houve até quem turbinasse um Lamborghini Diablo, e foram necessárias quatro turbinas. O criador do famoso jogo Doom também foi longe, instalando dois turbos em seu Ferrari F50. Nestas horas se pensa: o que um Diablo ou F50 não tem, em termos de esportividade, que levaria alguém a fazer uma coisa destas? O ser humano é assim mesmo, e quem condenaria? Na realidade os leitores devem estar pensando em que resultado esses supercarros obteriam aqui no Consultório. Estão vendo o que leva alguém a preparar um Calibra? |
As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Calibra original (em azul); com turbo a 0,5 kg/cm² (em verde); e com turbo a 0,8 kg/cm² (em vermelho) |
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| A curiosidade aqui é por
resultados de desempenho. Na fase de definição da
preparação é realmente esse o sentimento: não há
muita preocupação sobre como fazer, mas sim sobre o que
fazer, e é nesta hora que a simulação ajuda mais. Com
os resultados de desempenho indicados na simulação pode-se
decidir o que se deseja, e só então imaginar como fazer
-- hora em que a simulação fica mais de lado, dando
lugar para a consultoria. A linha de preparação mais indicada para o Calibra é realmente a sobrealimentação, pois não eleva os regimes de rotação do motor. Neste motor dois-litros de 16 válvulas -- exatamente o mesmo do extinto Vectra GSi -- estes regimes já são bem altos, e se ficarem ainda mais elevados, o uso em rua, principalmente trânsito ficará prejudicado, exigindo muitas trocas de marcha e "queimadas" de embreagem para sair. Neste ramo existem três opções básicas: turbocompressor, compressores de acionamento mecânico e injeção de óxido nitroso, sendo
que esta última pode ser combinada com as duas
anteriores facilmente. De qualquer forma, o ideal é
fazer uma opção que entre em funcionamento bem cedo,
para compensar um pouco a falta de vida do Calibra abaixo
dos 3.000 rpm.Os compressores de acionamento mecânico são a opção que entra em funcionamento mais cedo, pois fornecem pressão desde os mais baixos regimes. Mas precisam de força para serem acionados e um motor de volume abaixo de três litros não é o ideal para essa tarefa. Um compressor eficiente, tipo parafuso, de pequeno tamanho poderia ser usado, mas é uma solução mais cara, mesmo sendo a que alcança os melhores resultados em termos de dirigibilidade. Aliando custo, facilidade de obtenção no Brasil e custo de manutenção, a escolha recai sobre um turbo de baixa inércia, dimensionado para ter a maior eficiência nos regimes médios e chegando ao limite junto com o motor. Desta forma o retardo da turbina será o menor possível, e a dirigibilidade será quase equivalente à que se teria com um compressor mecânico, desde que o motorista saiba lidar com o turbo. As opções de preparação feitas vão desde uma preparação básica, até uma que transformará o Calibra em um foguete. É claro que, com o aumento da potência, aumentam os sistemas que devem ser redimensionados ou reforçados, assim sobem também o custo e complexidade da preparação. O maior problema será mesmo contornar a tendência à detonação que este motor apresentará. A taxa de compressão é muito alta, 10,5:1 -- a maioria dos motores atuais fica em torno de 9,5:1 --, por isso é menor o limite da pressão que pode ser usada antes que a detonação se torne perigosamente difícil de contornar com regulagem. A solução é embarcar tecnologia: apenas com ela pode-se garantir uma "esticadinha" a mais nos limites. O segredo está em regular de forma precisa a mistura, o que não quer dizer mistura rica como muitos pensam, e atrasar a curva de ponto de ignição apenas o necessário para contornar o problema. Tomando estas medidas na dose certa, a detonação não acontecerá e o consumo e desempenho ficarão otimizados. |
| As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Calibra com turbo a 1,2 kg/cm² (em azul); com turbo a 1,2 kg/cm² e nitro (em verde); e com turbo a 2 kg/cm² e nitro (em vermelho) | ![]() |
| E que tecnologia é essa?
Tanto um ótimo remapeamento como aparelhos não lineares
podem ser usados. Equipamentos mais simples, de
funcionamento linear, não atingem o grau de precisão
necessário na regulagem. Muito menos o uso de um
carburador. Claro que estas soluções não estão
proibidas, mas sua imprecisão levaria a regular parâmetros
bem mais frouxos, devido ao limite imposto pela taxa. O
consumo subiria e o desempenho seria bem menor, além de
impedir o uso de pressões mais altas. Qualquer equipamento ou solução que permita ajustar a mistura e ponto, de forma dedicada a cada regime de rotação e condição de carga, será adequado. Tanto uma injeção adicional como uma central eletrônica auxiliar, ou um atrasador/adiantador não linear, ou mesmo um bom remapeamento se prestam a este nível de ajuste. Mais detalhes sobres estes equipamentos podem ser lidos em recente consulta. Outros recursos ajudam a afastar a detonação. Um importante é fazer o turbo aspirar ar frio -- nada daqueles filtros cônicos colocados no bocal do compressor, pois montado assim o turbo aspirará ar quente do cofre do motor. O filtro deve ser montado em um local onde aspire ar fresco, normalmente próximo uma entrada de ar frontal. Continua |
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