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Então, nestes casos, o aparente radicalismo de trocar o motor começa
a se tornar uma opção racional. Qual
o motor então? O ideal é usar um do mesmo fabricante, pois com isso
aumenta a probabilidade de poder aproveitar componentes em comum, o
que simplifica a adaptação do novo motor. No caso do Gol, o ideal
é mesmo partir para um modelo da linha AP.
Comprar e adaptar um motor destes não chega a ser caro. Muitas vezes
é mais barato que uma preparação que dobre a potência. Podem ser adquiridos
legalmente em desmanches, mesmo usados, bastante completos. E toda a documentação do carro pode facilmente ser
legalizada bastando que se tenha em mãos todas as notas e comprovantes.
A adaptação do AP-2000 no lugar do AT-1000 pode ter a complexidade
que se desejar, sabendo-se que quanto mais complexa, também mais
completa e correta ficará a adaptação. Complexidade, neste caso,
significa que mais sistemas sejam trocados e não só o motor. Não
serão criadas soluções ou peças, como é necessário em algumas trocas de motor.
Vejamos a descrição de uma troca ideal de motor para este
caso. Além do motor, os coxins, suporte de fixação, sistema de
refrigeração, de alimentação, câmbio, semi-árvores de
transmissão, suspensão e freios deveriam ser substituídos pelos do
Gol 2,0 original de fábrica. No oposto, a
adaptação mínima seria somente colocar o motor com um carburador,
ligá-lo ao câmbio e ao sistema de refrigeração originais --
e deixar todo o resto como está.
A primeira tem a vantagem de se poder desfrutar de toda a tranqüilidade
e segurança de um projeto original, e a desvantagem de ser cara. A
segunda tem a vantagem de ser barata, mas a desvantagem de que todo o
resto ficará subdimensionado, limitando o uso da potência ou a
segurança.
Mesmo a opção mais simples é recheada de detalhes, dúvidas e
pequenas dificuldades, que requerem inúmeras decisões. Por sorte a
maioria é de esclarecimento simples, e vamos a elas:
É possível, sim, utilizar os pontos de fixação originais, mas o
ideal é trocar todos os coxins por outros do Gol 2,0, que têm o
dimensionamento da parte emborrachada mais adequado às novas forças
que atuarão.
A injeção seqüencial original pode ser adaptada,
inclusive usando todos os sensores originais do 1,0. Mas terá de ser
feito extenso trabalho de reprogramação e a troca de injetores (ou retrabalho dos originais). São poucos os profissionais no
Brasil capazes de obter bons resultados em tal tarefa.
Existe sempre a opção do carburador. Aí cabe ao proprietário
comparar o custo de uma injeção do motor 2,0, o do retrabalho da
injeção original e o do carburador. As duas primeiras
opções obtêm melhor resultado em desempenho, homogeneidade de
resposta e economia; a última é mais barata e também obtém
resultados aceitáveis.
Dos agregados vale a pena manter o alternador e o compressor do ar-condicionado.
As polias podem ser adaptadas ao novo motor: é só
conseguir um mecânico bom em geometria espacial, pois será
um trabalho de rearrumar peças. Não aceite resposta do tipo "não
dá para fazer, pois vai bater em peça tal ou vai tomar o lugar de
outra peça" -- são problemas menores e de fácil solução.
Bombas d'água e de óleo, distribuidor, mangueiras e agregados menores
devem ser adquiridos junto ao novo motor, que muitas vezes já é
vendido com essas partes, principalmente se adquirido em
desmanche. As mangueiras devem ser novas, para evitar
vazamentos e surpresas desagradáveis por causa de componentes tão
baratos.
O câmbio ficará extremamente curto. Já é um pouco curto para o
motor 1.000, imagine com o 2.000 e todo seu torque. Em velocidade
máxima, por exemplo ,o câmbio atual resultará em excesso de mais de 1.800 rpm,
como se observa na simulação. Como solução pode-se trocar o
câmbio original pelo do Gol 1,6 ou mesmo o do antigo 1,8 (até 1994),
que era ainda mais longo.
A troca apenas do diferencial já traz resultado mais que satisfatório,
baixando a rotação a 185
km/h para 5.600 rpm. Mas pode-se encontrar uma pechincha de câmbio
inteiro, inclusive com platô e embreagem, o que permite guardar o
outro câmbio ou dá-lo na troca. São opções que o
proprietário deve avaliar.
Disco e platô da embreagem devem ser os mesmos do Gol ou Santana 2,0, sob
risco de trocas freqüentes do disco ou de perder
potência em uma arrancada devido ao mau acoplamento do conjunto.
Mas outras soluções são possíveis, como um reforço no conjunto
original ou o uso do sistema da Kombi. Desde que a embreagem suporte
bem a
força, tudo estará bem.
Muita coisa? Tudo isso ainda não é nem um décimo das questões que
podem aparecer. Continua
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