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A preparação já efetuada é bem equilibrada. Todas as implementações foram feitas de forma proporcional, não
restando nenhum ponto e ser checado. O comando de válvulas é
compatível com o trabalho no corpo de borboleta, sendo ambos por sua
vez compatíveis com o conjunto de escapamento. O filtro foi bem
vindo, apesar de não trazer grande ganhos -- em preparação
aspirada até 2% a mais são interessantes. Só ficou faltando mesmo o coletor de
escapamento dimensionado, que poderia adicionar até 4% de
potência sobre o que já se tem.
A técnica usada para reajuste da regulagem é bem adequada: nestas
condições um bom remapeamento atende muito bem. A elevação da taxa
de compressão também é uma medida acertada. A taxa de
11:1 em um carro a gasolina é bastante alta, portanto propensa à detonação,
mas nada que um bom remapeamento não possa contornar. E os ganhos em
potência, torque, economia e até emissão de poluentes são
compensadores.
O trabalho feito na suspensão realmente ajuda bastante numa arrancada.
Baixar apenas a frente minimiza a tendência de
transferência de peso para as rodas traseiras em uma aceleração
forte, o que é benéfico, ainda mais em se tratando de um carro com
tração dianteira. O inconveniente é que esta medida deixa o carro
com um comportamento "nervoso" em curvas, tornando difícil
a correção de qualquer erro nas tomadas mais rápidas.
Evolução
Os melhoramento pensados para seu carro, apesar de um pouco radicais,
trarão resultados. Transformar o motor para funcionar com álcool, através
da troca dos pistões e dos bicos injetores pelos do modelo a álcool,
é o melhor procedimento. Nem o necessário remapeamento
após a operação foi esquecido. Em muitas transformações do
gênero o remapeamento é deixado de lado, mas sem ele a regulagem fica
longe do ponto ideal -- o motor fica mais fraco e consumindo mais.
A vantagem de levar o motor a funcionar com álcool está na maior
resistência à detonação que este combustível
apresenta. Permite,
assim, o uso de uma taxa de compressão mais elevada, que compensa a
perda de força devido ao menor poder calorífico do álcool. E ainda
pode trazer uma potência e torque a mais, se a nova taxa for
suficientemente alta.
Neste caso, a troca dos pistões elevará a taxa dos atuais 11:1 usados
com gasolina para 14,8:1, ideal para uso do álcool, e será bastante
alta pra trazer certo ganho em potência e torque. Mais uma vez a taxa ficará no limite de
detonação, mas nada que não seja
contornável pelo remapeamento.
O mais interessante do planejado para a evolução desta preparação
está no uso do sistema de admissão induzida, ou Ram Air. Esse sistema consiste em colocar uma
tubulação de admissão de forma a aproveitar a energia cinética do
ar que vai de encontro à frente do veículo, para induzir a admissão nos
cilindros -- o efeito é algo semelhante ao que faria um compressor tipo
Roots
ou blower, mas em escala bem menor.
Para que funcione corretamente, a tubulação não deve conter curvas
acentuadas ou qualquer outra forma de perda de carga, e sua entrada
deve ser localizada na região de maior pressão aerodinâmica positiva
na frente do veículo -- quer dizer, deve ficar onde o ar incide com
mais força.
O projeto enviado pelo leitor (veja desenho) tem somente dois
inconvenientes. O
primeiro é relacionado com o perigo de calço hidráulico: como a
tomada de ar fica muito baixa, qualquer alagamento,
mesmo pequeno, levará o motor a aspirar água, provocando o calço e
seus efeitos extremamente danosos (saiba
mais). O segundo é a presença de duas
curvas de 90° na tubulação de admissão: como são muito bruscas, causam grande perda de carga, reduzindo
em muito a
eficiência do sistema.
O melhor é fazer uma tubulação quase reta em direção à grade
dianteira, onde a pressão aerodinâmica é alta. A tubulação será
mais curta e quase não necessitará de curvas, podendo estas serem
feitas com baixa angulação e grande raio. Assim afasta-se o risco de
calço e a eficiência será bem maior. O resultado
disso? Continua
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