por Iran Cartaxo Santana 2,0: receitas aspiradas para 0-100 em 8 s
Alexandre Magno Nóbrega de Lima |
Realizar uma preparação aspirada forte é cada vez mais raro hoje em dia. Com o sucesso do turbo e a facilidade do nitro, esta modalidade está ficando cada vez mais reservada aos puristas, apaixonados por motores que giram muito e respiram por seus próprios esforços. Esta tendência se reflete também nos profissionais que trabalham com preparação: cada vez está mais raro encontrar alguém que saiba trabalhar bem com preparações aspiradas fortes. Como atualmente são vendidos cada vez mais motores de baixa cilindrada, que têm tendência a oferecer pouca força em baixos regimes, e as preparações aspiradas elevam os regimes de rotação, levando o torque para fora da faixa de uso mais comum no trânsito, cada vez será maior a tendência ao abandono das preparações aspiradas fortes, sendo substituídas por sobrealimentação. Realmente, proprietários que resolvem ir aos limites da preparação aspirada tendem, cada vez mais, a ter um motor com configurações exclusivas. |
As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Santana 2,0 original (em azul); com comando bravo, escapamento dimensionado e trabalho no cabeçote (em verde); e com a mesma preparação e um carburador maior (em vermelho) |
![]() |
| A preparação já feita neste motor está no
caminho correto, já que os objetivos de desempenho são bem ambiciosos. Serão necessários cerca de 160 cv para conseguir chegar
aos 210 km/h, e 180 cv para ter o tempo de aceleração de 0 a 100
km/h em 8 s. O comando de válvulas deverá ser bem forte
para permitir que, junto a outras mudanças, este patamar de potência seja
atingido. O comando escolhido tem 45° a mais de duração que o original, o que casado com os 2 mm a mais de levantamento fazem dele um comando bem bravo. Como o Santana é um carro pesado, um comando como este não é o mais apropriado, pois eleva bastante os regimes de rotação -- e um carro pesado precisa ter torque em baixas rotações para ser agradável de dirigir no trânsito. Mas neste caso, sem um comando assim, o desempenho objetivado não será atingido. Portanto, este comando deve ser mantido e o "piloto" deve se acostumar a esticar marchas para obter bom desempenho. Atualmente, apenas com o comando mais bravo, sem o trabalho no cabeçote (que está sendo feito), sem um coletor de escapamento dimensionado e considerando como base o motor original a álcool do Santana 90, a simulação indica que este carro deve estar com potência de 147 cv a 6.400 rpm e torque de 18,6 m.kgf a 4.200 rpm. Claro que considerando um carburador e ignição muito bem ajustados. Isso resulta em 205 km/h de velocidade máxima e tempo de aceleração de 0 a 100 km/h em 9,3 s. Um ótimo aumento, considerando o desempenho original, mas ainda aquém do que foi estabelecido como meta. Nota-se logo a força deste comando, que sozinho traz 37 cv a mais, mas cobra por isso uma elevação de 800 rpm no regime de torque máximo e de 1.200 rpm no de maior potência. Mas é claro que um comando assim está sendo mal aproveitado ("estrangulado") se for colocado em um motor com todos os outros componentes de admissão e alimentação originais. Assim, para não sub-utilizar o comando, o trabalho no cabeçote e o uso de coletor de escapamento dimensionado são opções acertadas. O aumento do diâmetro das válvulas permite ao motor "respirar" melhor nos altos giros exigidos pelo comando, sendo 42 mm de diâmetro uma medida de fácil montagem no cabeçote VW AP e suficiente para as exigências. O aumento na taxa de compressão só traz benefícios se feito na medida certa. É uma das poucas alterações que obtêm maior potência e menor consumo, pois aumenta a eficiência do ciclo térmico do motor, aumentando a energia retirada da mistura ar-combustível. A única desvantagem fica pelo maior risco de detonação ou pré-ignição com taxas de compressão mais elevadas. Se o cabeçote usado para trabalho, porém, foi o original do motor do Santana 90, com taxa de 12:1, a taxa obtida com 1 mm de passe deve ter ficado próxima dos 13,5:1, que é ótima e ainda segura. Caso o motor seja um mais novo, com taxa original de 12,5:1, a nova taxa fica em torno de 14,1:1, o que já traz certa dificuldade para contornar a detonação. Se realmente a taxa está em torno de 14,5:1, é bom tomar bastante cuidado, abastecer com álcool de qualidade comprovada e ter uma curva de ignição sempre bem ajustada, para evitar a perigosa detonação. O coletor de escapamento dimensionado deve ser confeccionado com tubos de aço dobrados e soldados, com curvas com o maior raio permitido pela geometria do cofre do motor, para que o fluxo seja bem livre. Como sempre afirmamos, o coletor deve ter uma aparência de qualidade, sem rebarbas ou soldas mal feitas, e o aço dos tubos e da solda deve ser bom. Afim de evitar que o coletor rache com os trancos do motor, apresentando vazamentos, é bom pedir um coletor com paredes de tubos de 2 mm, mas 1,5 mm ainda é bem aceitável para motores aspirados. Continua |
Consultório de Preparação - Página principal - e-mail © Copyright 2001 - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados |
|