Classe média com muita classe

Intermediário entre o Série 3 e o 7, o BMW Série 5 foi
o primeiro a surgir e já acumula 31 anos de evolução

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

No início da década de 1970, a linha chamada de New Class (nova classe) da BMW, lançada em 1961 com o modelo 1500 e que havia evoluído até o 2000 tii, estava completando 10 anos e, portanto, envelhecida diante de novos concorrentes. O conceito de sedã com toque esportivo, de carro familiar com aptidão para dar o mesmo prazer ao dirigir rápido que um cupê esporte, precisava ser renovado.

No Salão de Frankfurt de 1972 a Bayerische Motoren Werke (Fábrica de Motores Bávara) apresentava seu sucessor: o Série 5, codinome E12, representado inicialmente pelas versões 520 e 520i. A denominação, adotada pela primeira vez pela marca, identificava a linha de carroceria com o primeiro algarismo e a motorização (2,0 litros no caso) pelos outros dois, enquanto "i" indicava o uso de injeção de combustível. Uma regra simples mas que, como veremos adiante, teria algumas exceções mais tarde.

Muitos dos elementos de estilo do E12, ao lado, chegaram ao E39, no alto: conservar o melhor da tradição, enquanto o restante evolui, é mesmo a marca da BMW

O Série 5 inaugurava um novo padrão de desenho para a BMW, em que a ampla área envidraçada se destacava na vista lateral. A frente conservava o estilo já conhecido da marca, com a grade "duplo-rim" e os quatro faróis circulares, o mesmo ocorrendo com a "quebra" na parte inferior das janelas laterais traseiras. A tampa do porta-malas, em suave declínio, harmonizava-se com a linha do capô. Era um sedã elegante e que antecipava tendências para a década.

A geração E12 foi a primeira na BMW a utilizar mais extensamente computadores para o projeto da estrutura, ainda que de modo primitivo como se espera de 1972. A carroceria contava com zonas de deformação programada em caso de colisões, na frente e na traseira, e uma cabine reforçada com barras de proteção no teto, para o evento de uma capotagem.

Estrutura com deformação programada, motores de seis cilindros com 115 e 130 cv, suspensões eficientes: desempenho e comportamento dinâmico já se destacavam no 520 de 1972

O motor dos 520 e 520i era um quatro-cilindros de 2,0 litros com a mesma tecnologia de swirl combustion chambers (câmaras de combustão com turbilhão) já adotada desde 1968 no seis-cilindros da marca. O desenho das câmaras gerava três "redemoinhos", um deles próximo à vela de ignição, medida para afastar a detonação e reduzir o consumo. A versão com dois carburadores desenvolvia 115 cv, e a dotada de injeção, 130 cv.

Havia novidades também no chassi se comparado ao New Class: maiores distância entre eixos (2,636 metros; o comprimento era de 4,62 m) e bitolas, suspensão dianteira McPherson com as colunas inclinadas para trás e maior curso das molas. A traseira mantinha o sistema independente por braços semi-arrastados, dos mais eficientes para a época.
Continua

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Data de publicação: 15/11/03

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