




O desenho era inspirado nos carros esporte europeus, mas com um toque
americano nos pequenos rabos-de-peixe da traseira. Em 1954 (foto
inferior) surgiam opções de cores.
No alto, o modelo 1953 ao lado
do 2003: meio século despertando paixões |

Em junho de 1951 era
iniciado o projeto Opel (apenas coincidência com a marca alemã
pertencente à GM desde 1927). A princípio o carro se chamaria Korvette,
palavra homófona de Corvette (corveta), em referência à pequena e veloz
embarcação de escolta da Marinha inglesa. Mais tarde a letra “K” seria
substituída por “C”, tanto para ficar de acordo com marca Chevrolet
quanto para grafar o nome corretamente.
Em 1952, o presidente da GM Harlow Curtice dava carta-branca para o
engenheiro-chefe de motores, Ed Cole, e o especialista em chassis
Maurice Olley trabalharem juntos no protótipo EX-122. Harley Earl, chefe
do departamento de estilo da corporação, tinha em mente a construção de
um modelo inspirado nos carros de corrida europeus. Conseguiu a proeza
de passar do estágio de modelagem em argila para a série-piloto em
apenas 15 meses, prazo admiravelmente curto mesmo hoje.
Em 17 de janeiro de 1953 o chefe de engenharia Zora Arkus-Duntov
apresentava no Motorama, evento automobilístico realizado no
aristocrático hotel Waldorf Astoria, em Nova York, o primeiro modelo do
Corvette. A reação do público que acompanhava o lançamento foi de
frenesi e surpresa. Era um carro nunca visto nos padrões americanos:
pequeno, baixo, com visual limpo e esportivo, o novo Chevy avisava que
deixaria seu nome na história do automobilismo.
Seu estilo, por mais que fosse baseado nos esportivos europeus, guardava
traços do desenho americano, como a traseira no estilo Cadillac, com
lanternas na ponta do pequeno rabo-de-peixe. Os faróis eram protegidos
por telas que, porém, dificultavam sua limpeza. Sua cor branco Pólo e o
interior revestido de couro vermelho se tornariam padrão no primeiro ano
de produção.
Apesar das linhas atraentes, o primeiro Vette decepcionava em
desempenho. Era equipado com o velho motor de 235 polegadas cúbicas
(3.859 cm3) e seis cilindros em linha, ainda com quatro mancais de apoio
para o virabrequim, chamado de Blue Flame, e a conhecida caixa
automática Powerglide de apenas duas marchas, com tração traseira.
Não que fosse tão lento: com carburação especial, taxa de compressão
mais alta e escapamento duplo, rendia 150 cv de
potência bruta, levando-o a atingir 170 km/h e acelerar de 0 a
96 km/h em 11 segundos. Mas não tinha o “empurrão” a que os americanos
estavam acostumados e que suas formas sugeriam.
Continua
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