Quarenta anos de um mito

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O Mustang enfrentou crises, perdeu e recuperou sua
identidade e completa quatro décadas de sucesso

Texto: Marcelo Ramos - Fotos: divulgação
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O ousado conceito Mustang I, de 1962: leve e compacto, combinava um motor V4 de 90 cv a um chassi tubular com suspensão independente e freios a disco, raros à época

No Mustang II, um ano depois, as linhas e o porte já antecipavam os do modelo de produção. Embaixo, estilistas trabalham na definição do modelo de argila (clay)

De acordo com o Dicionário Aurélio, o verbete “mito” significa, dentre outros, “representação de fatos ou personagens reais, exagerada pela imaginação popular, pela tradição etc.”. O mito também era designado como justificativa para os fenômenos naturais que ocorriam na Grécia antiga, atribuídos aos desejos dos deuses. Como a razão (logos) ainda não havia sido apresentada, tudo que acontecia no mundo mitocêntrico tinha origem sobrenatural, por vontade de alguma divindade.

Com o nascimento da razão, os mitos se tornaram meras lendas. Com a revolução industrial e a comunicação de massa, os mitos retornaram, mas não como seres sobrenaturais. Eles transcendem cognitivamente seu corpo físico, tendo mais relevância sobre outros. Um desses mitos se chama Ford Mustang. No dia 17 de abril de 2004, em que este artigo é publicado, o mundo comemora 40 anos do lançamento de um dos mais famosos carros produzidos até hoje.

O começo   No início dos anos 1960 a Ford Motor Company assistia ao crescimento de um nicho de mercado: consumidores que buscavam carros menores, mais simples e baratos, mas com mecânica robusta e certa esportividade. A opção mais esportiva da Ford era o Thunderbird, lançado em 1954, que logo na primeira reformulação em 1957 já havia perdido seu ímpeto e se transformado em um “Cadillac da Ford”. Por outro lado, a General Motors estava sorrindo de orelha a orelha pelo sucesso de seu Chevrolet Corvette, que se mantinha como único carro esporte americano.

Em busca de um produto capaz de atender à nova demanda, Henry Ford II, o número 1 da empresa, solicitou a Lee Iacocca, presidente da divisão Ford, que desenvolvesse um carro barato com apelo esportivo, estilo jovial e porte pequeno. O primeiro resultado veio com o conceito Mustang, de 1962, desenhado por Joe Oros. O nome era uma homenagem dada por John Najjar, que trabalhou no projeto, ao P-51 Mustang, avião de caça da Segunda Guerra Mundial que ele havia pilotado.

Era um carro com desenho futurista e carroceria construída em alumínio sobre um chassi tubular. Compacto (3,91 metros de comprimento, 2,28 m entre eixos) e leve (apenas 700 kg), possuía um enorme capô no estilo “focinho de tubarão” (que anos mais tarde seria adotado pelo Dodge Charger Daytona), grandes tomadas de ar laterais, barra de proteção e traseira limpa, com escapamentos saindo da carroceria. Sua apresentação no GP dos Estados Unidos de Fórmula 1, em Watkins Glen, causou grande repercussão. Continua

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Data de publicação: 17/4/04

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