A hora das estrelas

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O eventro Brazil Classics Fiat Show em Araxá, MG,
reúne 290 carros antigos de altíssima qualidade

Texto: José Resende Mahar - Fotos: Valter de Paula

As reuniões de carros antigos de Araxá, MG sempre foram de alto nível, mas este ano o Veteran Car Club de Minas Gerais — organizador do Brazil Classics Fiat Show 2004 — extrapolou tudo o que se soube até hoje de eventos antigomobilistas.

Na praça central estavam carros extraordinários, e quem não for citado pode debitar a omissão à sobrecarga sensorial que pode ter acometido o intrépido repórter.

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Nem em Pebble Beach já se viu uma reunião de Mercedes SL como havia por lá.  Também extraordinário era o Cadillac V12 Town Car de 1935. Estrela do Salão de Nova York daquele ano, pertenceu a uma só família desde novo e até a placa é a original. Como esteve guardado durante muitos anos, a pintura estava gasta e não era o marrom original.

Uma das grandes estrelas foi sem dúvida o Rolls-Royce conversível da Presidência da República, cedido especialmente ao Veteran. Junto a ele foi exposto seu irmão fechado, que foi devolvido à família de Getúlio Vargas. Posteriormente vendido a Assis Chateaubriand, vem hoje a pertencer ao casal Carratu, que organiza o evento de Águas de Lindóia.

Outra sensação foi o Stanley Steamer, talvez o único automóvel com motor de combustão externa no Brasil.

Funciona a vapor, como as locomotivas antigas, e a queima de combustível é feita em uma caldeira, que fornece vapor em alta pressão a um pistão fora dela, o qual então é unido ao eixo traseiro e move o carro. Sai de leve e anda quase sem barulho, mas chega fácil a 120 km/h — naqueles pneus de bicicleta.

Finalmente o museu Agroman, de Orlândia, resolveu mostrar algumas de suas jóias raras. Foram três, mas de impressionar: um lindíssimo Packard 900 Roadster de 1932, um 120 sedã conversível de 1938 e um Chrysler Imperial Limousine de 1931. O museu Matarazzo, de Bebedouro, trouxe também pela primeira vez um Delahaye de 1912, que ficou ao lado de um Daimler 1921 inglês, a marca preferida da família real britânica.

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Uma fila de Alfa Romeo de rua e de corrida, oito Jaguars (inclusive uma réplica do C-Type de corrida que venceu a 24 Horas de Le Mans), mais um grupo grande de Mercedes de duas e quatro portas, um bom número de Porsches, um Aston Martin DB6, um monte de Ferraris (foto).

E um prêmio especial de paciência e determinação: Paulo Ferreira, que trouxe um Trabant 1971 ao Brasil e foi rodando de São Paulo a Araxá. Mais de 650 km à média vertiginosa de 70 a 80 km/h, ou seja: ele pode dizer que foi à velocidade máxima de casa até lá. Ninguém mais.

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Data de publicação: 22/6/04

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