Um raro Auto Union 1000 Sp alemão, recém-chegado do Peru, e o DKW que veio rodando de Canela, a 1.800 km de Pouso Alto

A partir da esquerda, Flávio Gomes, o "chefe", o carioca Caíque Pereira, Bob Sharp e Jan Balder

Jan Balder, Anísio Campos e Marinho: o passado, presente

Na estrada para Passo Quatro: hora de descarbonizar

"O site tornou-se o ponto de partida para a formação de uma enorme quantidade de amantes dos veículos DKW-Vemag, que acabou estendendo seus tentáculos com o início de um grupo de discussão montado por Carlos Egry, paralelamente à 'lista do Mattos', em Brasília", conta o carioca Carlos Zavataro, que está terminando a restauração de um GT Malzoni comprado há dois anos.

Os proprietários de DKW-Vemag formam hoje uma associação totalmente informal, sem constituição jurídica nem estatuto ou contribuição. O que a tornou possível foi a internet, sob a forma de grupo Yahoo, em que a troca de mensagens diárias é intensa — passam de 100 por dia — e aproxima todos independentemente de onde estejam. São dicas técnicas, localização de peças, indicação de mecânicos e até descobrir qual o nome exato de uma determinada cor. O grupo já tem cerca de 300 participantes e não pára de crescer.

Durante os três dias do Blue Cloud, foi bate-papo que não acabava mais no estacionamento na frente do hotel, no restaurante ou no bar, até à madrugada. Claro, em meio à conversa no estacionamento não poderia faltar o som característico do motor de três cilindros, muitos sendo ali mesmo afinados pelos seus donos ou amigos — caso deste colunista, que foi funcionário da fábrica, depois concessionário Vemag e chegou a correr bastante com a marca. Numa das dependências do hotel foi montado um minimercado, onde podiam ser compradas peças, manuais e miniaturas.

Na noite de sexta-feira (25/11), depois do jantar, no auditório do Serraverde, os participantes escutaram Marinho, Anísio Campos, Jan Balder, Anísio Campos e este colunista, sob a condução do jornalista e proprietário de carros DKW-Vemag, Flávio Gomes — um dos "chefes" do Blue Cloud —, falarem sobre suas vidas e experiências tendo a marca como foco. Foi um momento que tocou a todos.

A programação deste ano (a exemplo do Blue Cloud de 2004, que passou a ser monomarca) incluiu um passeio de trem no sábado, tracionado por locomotiva a vapor, de Passa Quatro ao alto da serra, na Estação Coronel Fulgêncio (chamava-se Estação Tunnel até a Revolução Constitucionalista de 1932), onde termina o percurso de 12 quilômetros. A estação fica bem próxima à boca do túnel de 1 km de extensão e em rampa de 3%, construído em 1884, e que em cujo meio exato está a divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo. O trem é operado pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (www.abpf.org.br), sediada em Campinas, SP.

Entre Pouso Alto e Passa Quatro são 24 quilômetros e praticamente todos os carros fizeram o percurso, não em lenta caravana, mas em ritmo normal de viagem, ocasião em que muitos aproveitam para "descarbonizar o motor", ou seja, acelerar forte na sinuosa e charmosa estrada.

No domingo o "circo" começou a ser desarmado, cada um voltando para sua cidade, mas já pensando no IV Blue Cloud, que já tem data marcada para 2006: 21 a 24 de novembro.

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