O interior parece espartano para os padrões de hoje, mas era surpreendente para um utilitário àquele tempo. Tinha bom número de instrumentos em um painel compacto, bancos em tecido suave, piso acarpetado, cuidado com os detalhes. O Range usava chassi separado da carroceria e eixos rígidos à frente e atrás. As molas helicoidais eram outra característica voltada ao conforto, a um tempo em que até os automóveis usavam feixes de molas semi-elíticas na traseira com freqüência. A tração integral permanente incluía diferencial central, que podia ser bloqueado por um sistema pneumático, e reduzida. Os pneus radiais tinham a medida 205-16.

O primeiro Range Rover, em 1970: jeito robusto mas simpático, amplos vidros, entreeixos curto e um estilo que se tornaria clássico

O motor V8, com bloco e cabeçotes de alumínio e comando de válvulas no bloco, era o mesmo lançado em 1961 nos modelos Oldsmobile F-85, Pontiac Tempest e Buick Special, da GM americana, e já usado desde 1965 no Rover 3500. No utilitário desenvolvia 135 cv e torque de 25,5 m.kgf (valores líquidos), suficientes para velocidade máxima de 153 km/h, mas o material de divulgação da marca não deixava por menos: prometia "tempos de aceleração que se aproximam dos de muitos sedãs de grã-turismo". Na verdade, de 0 a 96 km/h precisava de 15,2 segundos, ainda notável para um utilitário na época.

A aceitação da nova proposta foi expressiva: durante a maior parte da década, listas de espera formaram-se nas concessionárias da marca e quem conseguia comprar o seu podia vendê-lo com lucro no mercado paralelo. A Mercedes-Benz aparentemente seguiu a mesma fórmula para criar seu Classe G, em 1979. Mas as pesquisas de opinião apontavam que esse sucesso podia ser ainda maior se fossem atendidas algumas reivindicações.

O motor V8 de 3,5 litros, originário da GM, fornecia desempenho dos melhores para a categoria;
a abertura da tampa traseira em dois segmentos era um de seus recursos bem elaborados

Uma versão de cinco portas chegava em 1981, tornando-se tão importante que acabaria aposentando a de três na maioria dos mercados, seis anos depois. Na Alemanha era introduzida a série especial Trophy, alusiva à participação do Range no reide Camel Trophy (leia boxe abaixo), com pintura em bege e preto, guincho dianteiro, proteção frontal para grade e faróis, bagageiro e bússola, entre outros acessórios. Continua

Em provas e expedições
O Range Rover demonstrou sua valentia e sua robustez em competições e reides diversos. Já em 1972, duas unidades foram os primeiros veículos na história a cruzar as Américas do Alasca, no norte, a Chigorodo, no sul. A expedição levou 99 dias.

No primeiro rali Paris-Dacar – que ligava a capital francesa à do Senegal, na África –, em 1978, o Range foi o mais rápido. Só não levou o maior prêmio porque uma moto Yamaha chegou antes e, na época, não havia categorias
separadas. Voltaria a vencer a famosa prova em 1981.

O Range também esbanjou resistência no Camel Trophy, competição fora-de-estrada em condições extremamente severas, que algumas vezes foi disputada no Brasil. Foi o veículo oficial nas edições de 1981 (Sumatra), 1982 (Papua Nova Guiné) e 1987 (Madagascar). As duas primeiras edições tiveram 1.600 quilômetros; a outra, 2.250 km, e contaram com a participação de equipes dos mais diversos cantos do mundo.
Embora longe do requinte atual, o interior já estava bem acima do padrão usual em veículos fora-de-estrada, com itens de conveniência e bom acabamento

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