Embalagem longa-vida

Lançado ao mesmo tempo que o S10 nos Estados Unidos,
o Ranger teve duas gerações e ainda mostra vitalidade

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Não fossem as duas primeiras crises do petróleo, em 1973 e 1979, os americanos talvez nunca tivessem abandonado seus enormes automóveis com motor V8. A suposição aplica-se também ao mercado de picapes: se não existisse uma demanda por modelos mais econômicos, é possível que ainda não existisse o segmento médio — que no padrão deles é considerado compacto —, representado pelo Chevrolet S10 e o Ford Ranger, entre outros.

Assim como a General Motors com seu LUV, fornecido pela Isuzu, a Ford estreou nessa categoria com um modelo comprado dos japoneses: o Courier, produzido pela Mazda, da qual o grupo americano já detinha ações à época (apenas um homônimo do utilitário da linha Fiesta, feito na Europa e no Brasil). Discreto no estilo e no desempenho, o Courier atendia razoavelmente a quem precisava conciliar economia a capacidade de carga.

O Courier, acima, e o Ranger de 1983: estilo e robustez adaptavam-se às condições americanas

Enquanto a GM desenvolvia seu próprio picape médio, que se tornaria o primeiro S10, a Ford trabalhava no Ranger — ambos concebidos no próprio país, portanto mais adequados às preferências e ao tipo de utilização locais que os modelos fornecidos pelo Japão. Em 1982, dez anos após a chegada do Courier, o Ranger aparecia nas concessionárias como modelo 1983. Seu nome, que significa em inglês o equivalente a um guarda florestal, não era inédito na Ford: havia sido usado, nos anos 70, em uma versão de acabamento dos utilitários da marca, como os picapes pesados Série F e o jipe Bronco.

O veículo em si, porém, tinha sabor de novidade: um picape mais leve, compacto, destinado a aplicações mais urbanas e serviços menos exigentes, mas com muitos dos atributos que levaram o Série F à liderança da categoria. O primeiro Ranger oferecia versões com tração traseira ou nas quatro rodas, câmbio manual (de quatro ou cinco marchas) e automático (quatro marchas) e dois motores de quatro cilindros: um 2,0-litros de 72 cv e um 2,3 diesel de apenas 59 cv. O primeiro V6 chegava no ano seguinte, com 2,8 litros e ainda modestos 115 cv. Com chassi tipo escada e suspensão dianteira Twin-I-Beam, a Ford o apresentava como uma edição reduzida do Série F. A capacidade de carga era pequena, 680 kg, mas suficiente para boa parte das utilizações.

A versão STX de 1990, além da frente remodelada, vinha com acessórios fora-de-estrada; tração integral e motor turbodiesel já estavam entre as opções nessa época

Até então só era oferecido com cabine simples, mas em 1986 surgia o SuperCab, de cabine estendida, com a opção de pequenos bancos traseiros. O Ranger ganhava também injeção eletrônica, passando a 73 cv no motor 2,0 e 140 cv no V6, agora de 2,9 litros. No ano seguinte aparecia a versão High Rider STX, com altura de rodagem 35 mm maior que nas demais 4x4, e em 1988 o motor diesel recebia turbocompressor para chegar a 86 cv. Continua

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Data de publicação: 18/2/06

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