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CONSULTÓRIO TÉCNICO

por Fabrício Samahá

Motor 2-tempos: a ressurreição?


No início dos anos 90 muito se falou sobre o motor Orbital 2 tempos, que seria a grande promessa para a década pela sua simplicidade .Quais as diferenças em relação ao tradicional 2T? Este motor chegou a ser empregado em algum automóvel?

Comprei um Twingo 99 e gostaria de ter informações sobre o motor 1.2 Energy que equipa o carro, visto que o manual vem com poucas informações técnicas.

Marco Cruz
marcilia@plugue.com.br
Rio de Janeiro, RJ


A australiana Orbital ganhou notoriedade com um motor inovador que anunciou a "ressurreição" dos 2-tempos. Seu trunfo era um jato de ar por bomba auxiliar para mistura com o combustível, desenvolvido já em 1983, que provocava a injeção do ar numa corrente de alta velocidade -- como num 4-tempos a injeção -- e permitia o uso de injetores de baixa pressão. Além disso, empregava injeção eletrônica e um borrifo de óleo lubrificante no próprio jato de ar, em vez de misturá-lo ao combustível.

Testado num Escort americano da época, o Orbital de 3 cilindros, 1,2 litro e 85 cv permitia desempenho próximo ao 4-tempos de 1,9 litro de fábrica. O motor era 110 kg mais leve, 33% mais econômico em ciclo urbano e custaria US$ 200 mais barato. Outras marcas, como Fiat e BMW, também o testaram, mas nenhuma chegou a utilizá-lo num veículo de série. O Orbital parece ter tido o mesmo fim de outros conceitos inovadores, como o motor rotativo Wankel, que desapareceu da produção mundial quando a Mazda descontinuou o esportivo RX7.

Quanto ao atual Twingo, utiliza um motor menor que o dos modelos iniciais (1.149 contra 1.239 cm3), mas mais potente (58 contra 54 cv) e com maior torque (9,5 contra 9,2 m.kgf). É uma unidade com comando no cabeçote (antes vinha no bloco) e capaz de levá-lo a 150 km/h.


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