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por Fabrício Samahá
Subesterço, sobreesterço
e tração integral
Se um carro de tração dianteira tem
tendência de sair de frente e um de tração traseira tende a
sobreesterçar, qual é o comportamento de um carro 4x4, como os
Subaru, numa curva acima do limite? E quando um carro de tração
dianteira foge de traseira, como devemos corrigir?
Humberto Sammarco
fercam21@prestonet.com.br
São Paulo, SP
A tendência a sair de frente (subesterço) ou de traseira
(sobreesterço) numa curva não está vinculada ao eixo motriz,
Humberto, como muitos acreditam. Salvo sob aceleração forte,
quando a aplicação de potência faz desgarrar o eixo
correspondente às rodas motrizes, tanto um carro de tração
dianteira quanto um de traseira podem subesterçar ou
sobreesterçar. Basta que a configuração de suspensão e/ou dos
conjuntos rodas-pneus leve a isso. Exemplo claro são os Uno e
Palio de competição: a acentuada cambagem positiva das rodas
traseiras e negativa das dianteiras (clique aqui para saber mais
sobre alinhamento) provoca atitude
sobreesterçante, apreciada pelos pilotos por facilitar o
contorno de curvas fechadas.
A tração integral tende efetivamente a melhorar o comportamento
em curvas, pois divide entre as quatro rodas a transferência de
potência ao solo. Vale aqui a regra de que a capacidade de gerar
força lateral dos pneus (isto é, de permitir maior velocidade
em curvas) está em proporção inversa à força longitudinal
(aceleração, ou aplicação de potência).
No entanto, há um limite para isso: em qualquer carro haverá um
momento em que os pneus estarão gerando menos força lateral do
que a carga lateral imposta a eles (velocidade excessiva na
curva) e não evitarão que o veículo desgarre. Em modelos de
tração 4x4 é provável que isso ocorra com ambos os eixos, mas
também neles é possível "provocar" saídas de frente
ou de traseira por meio da geometria de suspensão e/ou da
repartição de potência entre os eixos. Por exemplo, é comum
repartição 70% atrás e 30% à frente quando se deseja
comportamento neutro para levemente subesterçante. Um carro com
repartição 50-50% sairá demais de frente quando dirigido de
maneira forte.
Quando um carro de tração dianteira sai de traseira, o
motorista, além de girar o volante em direção oposta à da
curva (o chamado contra-esterçamento), deve acelerar, desde que
a velocidade na curva possa aumentar. Com a aceleração, o eixo
dianteiro perde aderência, na maior parte das vezes suficiente
para devolver o equilíbrio ao veículo. Mas a manobra exige
bastante habilidade e experiência, razão pela qual todos os
automóveis costumam ser projetados para apresentar ligeiro
subesterço em curvas no limite de aderência, não importa se a
tração é dianteira, traseira ou integral.
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