por Fabrício Samahá
Taxa de compressão e limite de
giros
Gostaria
de dizer que sou um grande fã, inclusive participo da
lista de discussão do BCWS. Já ouvi dizer que rebaixar
o cabeçote para aumentar a taxa de compressão diminui a
vida útil do motor. Por quê? No consultório de
preparação há uma consulta sobre uma Pickup Corsa onde
se sugere um aumento na taxa em 0,8 na preparação
aspirada. Nesse caso, a pickup só poderá usar gasolina
premium ou a aditivada e a comum também podem ser usadas
normalmente? Essa preparação faz a pickup ficar pau a
pau com o Corsa GSi. Ela se classifica como leve, média
ou pesada? Preparar o carro, trocando comando e mudando a
taxa de compressão, muda o limite de giros do motor, ou
ele sempre será o mesmo? Um grande abraço e continuem
com o excelente trabalho que vocês fazem!
Daniel
Bayer
arlbayer@mtecnetsp.com.br
O aumento da taxa de compressão (saiba como
calcular seu novo valor)
é recurso bastante frequente em preparação aspirada,
Daniel. Com a alteração o motor passa a aproveitar
melhor a octanagem do combustível, otimizando o
desempenho e, ao contrário do que informam os menos
esclarecidos, também reduzindo o consumo e as emissões
poluentes.
Esse aumento,
contudo, tem limites. Há um ponto, determinado pelas
características construtivas do motor (a posição das
velas é uma delas), condições climáticas de onde o
veículo é utilizado (como temperatura e pressão
atmosférica, esta diretamente ligada à altitude), modo
de dirigir e qualidade do combustível, onde o desempenho
ideal dá lugar à detonação ou "batida de
pino" (saiba mais). É a ocorrência deste fenômeno que
leva ao desgaste acentuado e mesmo à quebra do motor.
Por isso, cada caso deve ser analisado individualmente
antes de se recorrer ao aumento da taxa de compressão.
A preparação sugerida para o Pickup Corsa (saiba mais), que se pode definir como média,
não inviabiliza o uso de gasolina comum ou aditivada,
mas observe que no pacote de modificações recomendado
consta o remapeamento de injeção. O procedimento, que
pode ser feito também isoladamente ou associado apenas
ao aumento de taxa, deve levar a conta a maior propensão
do cabeçote rebaixado à detonação, lançando mão de
um acerto preciso da mistura ar-combustível e da curva
de ponto de ignição para evitá-la.
Jamais eleve a taxa de compressão no patamar referido
(0,8 ponto) sem esse ajuste, o que pode danificar seu
motor em minutos de funcionamento. Evidentemente a
gasolina Premium, pela maior octanagem, permite o uso de
taxa mais alta sem grandes riscos, mas também aqui há
critérios a seguir (saiba mais).
Quanto ao limite de giros, nos carros alimentados por
injeção ele é determinado pela própria central
eletrônica. Um motor preparado com comando de válvulas
mais bravo pode atingir rotações mais elevadas, que
podem entrar em conflito com o corte determinado pela
injeção. Mais um motivo para efetuar um criterioso
remapeamento eletrônico, onde esse regime poderá ser
modificado ou -- o que não recomendamos -- removido. A
simples alteração de taxa, porém, não afeta de modo
significativo as rotações de trabalho do motor,
dispensando mudanças no regime de corte.
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