Consultório Técnico
Compressor centrífugo:
funcionamento e adaptação
Li a matéria sobre o supercharger, um
equipamento que não conhecia, e gostaria de obter maiores
informações sobre ele, pois pelo que me pareceu é um veneno
bastante interessante pela sua fácil instalação e
reversibilidade. Gostaria de saber para que tipo de motor é
indicado, qual a pressão máxima que atinge e alguns
detalhes sobre a montagem; se como o turbo ele também usa
válvula de prioridade e pop-off; se pode ser instalado em outro
veículo após ser retirado e também preço estimado.
Roberto Guimarães
cobexec@uol.com.br
Taubaté, SP
As vantagens do compressor centrífugo de acionamento
mecânico, ou supercharger, sobre o turbo estão detalhadas na
consulta do Silverado V8 (leia no
Consultório de Preparação), mas podemos acrescentar que
ele permite a utilização de um coletor de escapamento
dimensionado. O turbo usa um coletor apropriado para alojar a
turbina, o que não permite a utilização de um dimensionado.
Atenção: não se pode confundir turbina bipulsativa, onde o
coletor de escapamento tem dois canos de entrada para a turbina,
com coletor dimensionado para turbo, que não existe.
O compressor
centrífugo de acionamento mecânico: fácil de instalar e mais
compacto que o blower
Suas vantagens sobre o blower são:
- necessita de menor potência pra funcionar, quando comparado a
um blower equivalente;
- comprime a mistura em seu interior e não no coletor, como o
blower, o que permite a utilização de intercooler para aumentar
a potência e proteger o motor da detonação;
- tem uma instalação bem mais simples; não exige a troca do
coletor ou a adaptação de uma base ao(s) carburador(es), como
é necessário no blower para ligar os carburadores ao blower e
este ao coletor;
- ocupa um espaço muito menor do que o blower, por isso pode ser
alojado com facilidade no cofre de quase todos os carros.
Tanto o compressor centrífugo como o blower permitem o uso de
polias eletromagnéticas, para que o motorista assuma o controle
de sua entrada em funcionamento pelo interior do carro. Mas no
compressor esta solução é mais simples, pois ele não oferece
tanta resistência ao fluxo do ar de admissão: esta pode ser
feita pelo circuito normal, ou seja, passando pelo compressor
desligado. No blower, a maior resistência à passagem do ar com
o equipamento desligado prejudica o funcionamento normal do
motor. Pode-se então abrir um circuito paralelo para o ar quando
o blower estiver inativo, o que reduz mas não elimina a
resistência à passagem do ar.
![]() |
A aparência do compressor (à esquerda) lembra a do turbo (à direita), mas seu acionamento é por polia e não pelos gases de escapamento | ![]() |
Cabe lembrar que ambos os aparelhos, quando desligados, ainda
roubam um pouco de potência do motor pela polia (apesar de girar
em falso, ela oferece um certo atrito) e há redução da
potência pelo aumento da resistência ao escoamento do ar.
O compressor pode ser instalado em qualquer motor com potência
suficiente para não ter seu funcionamento prejudicado enquanto
ele não estiver pressurizando (o que requer certa rotação).
Recomenda-se o compressor para motores acima de 2 litros. A
adaptação em motores de 1,6 ou mesmo 1 litro é possível, mas
requer habilidade e criatividade para não prejudicar o torque em
baixa rotação. A pressão pode chegar a 4 kg/cm², como no
turbo, mas o sistema de polias pode limitar a rotação do
compressor -- elas podem não ter a resistência necessária para
girar tanto. Com folga se utilizam pressões de até 2,5 kg/cm²,
limite usado pelos preparadores brasileiros em média.
O equipamento é montado em uma base fixa dentro do compartimento
do motor, geralmente a seu lado para fácil acesso à polia do
motor. Adapta-se uma polia e uma correia à polia já existente,
e liga-se a nova polia ao compressor. O sistema de lubrificação
varia de compressor para compressor e o resto da montagem é como
no turbo, ligando-se as mangueiras de ar e ar comprimido, além
de se poder colocar um intercooler no circuito.
Válvula de prioridade e pop-off são dois nomes para o
mesmo recurso, que pode ser adaptado no circuito de ar comprimido
do compressor de forma idêntica à do turbo. Mas não há razão
para isso, pois o compressor centrífugo é acionado pela polia
do motor e não sofre a freada do ar comprimido quando a
borboleta de aspiração é fechada. A única função da
adaptação seria evitar uma sobrecarga de pressão sobre a
borboleta -- ou produzir o famoso "assobio" --, mas o
compressor demoraria um pouco para pressurizar o circuito
novamente. Desta forma uma válvula de prioridade teria um efeito
contrário, criando uma espécie de turbo-lag (retardo)
no compressor centrífugo.
O equipamento pode ser reaproveitado em outro veículo, desde que
se possa adaptar o sistema de polias ao novo motor. É a mesma
dificuldade do turbo, que requer a compra de um novo coletor de
escapamento. Há também um tamanho de compressor apropriado ao
volume do motor e à pressão de uso, como no turbo. Por isso é
bom não querer aproveitar o de um V8 a um motor de 2 litros.
O compressor centrífugo não tem desvantagem técnica diante do
blower, pelo que este não é mais usado pelos fabricantes.
Entretanto, é bem mais caro que o turbo e um pouco mais caro que
o blower. Custa em torno de R$ 2.500 a R$ 3.000, e só é
encontrado novo se for importado.
© Copyright 1998/1999 - Best Cars Web Site - Todos os direitos
reservados