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CONSULTÓRIO TÉCNICO

por Fabrício Samahá

Potência específica e torque


Quero congratulá-los pelo excelente serviço prestado. Só a Best Cars supre minha necessidade de informações. Hoje vocês são a melhor revista sobre carros do país. Peço que me diferenciem dois conceitos, bastante básicos, mas que ainda não ficaram bem claros para mim. Qual a relação de cilindrada e potência? Isto é, na prática, qual motor "anda" mais: um de 2,5 litros e 88 cv (como o 250 do Opala) ou um de 2 litros e 110 cv (como o do Kadett)?

Eulen Mesquita da Silva
eulen@zipmail.com.br


Minha família mora aqui na Itália e meu pai tem um Alfa 156 2.0. A matéria Alfa 156 vs. Passat me criou uma dúvida: o que viria a ser potência específica? Quais suas vantagens e desvantagens? E o que é na prática o "torque" de um motor?

Tiago Matias
matias@mclink.it



Potência específica é como se expressa a relação entre potência e cilindrada de um motor. A cilindrada é uma dimensão obtida pelas medidas de diâmetro dos cilindros, curso dos pistões e número de cilindros. Já a potência sofre influência de diversos fatores, como a concepção do motor, o tipo de veículo a ser utilizado (automóveis em geral são mais potentes que utilitários com o mesmo motor, como no GM 4,1-litros de 138 cv, para o pickup Silverado, e 168 cv no antigo Omega), o número de válvulas e comandos, entre outros.

Motor do Alfa 156
A divisão da potência (em cv) pela cilindrada (em litros, que correspondem a 1.000 cm3) dá origem à potência específica. No caso do motor Opala citado -- que não é o 250, pois este número indicava a cilindrada em polegadas cúbicas do 6-cilindros de 4,1 litros --, 88 cv por 2,5 litros resultam em 35,2 cv/l, uma potência específica baixa, típica dos velhos motores norte-americanos. Já no Kadett, 110 cv por 2 litros são 55 cv/l, índice interessante para um motor desse conceito (de 8 válvulas e não esportivo). A título de comparação, o antigo Vectra GSi extraía 150 cv do mesmo motor 2-litros (75 cv/l) e motores de superesportivos com turbo ultrapassam os 150 cv/l, como o Ferrari F40 (3 litros biturbo, 478 cv e 159,3 cv/l).

Motores de potência específica elevada costumam ter como inconveniente a falta de torque, ou força, em baixa rotação. Torque, potência e rotação estão diretamente relacionados. No caso citado pelo Eulen, o motor do Opala oferece muito mais força em baixos regimes que o do Kadett. Assim, embora em termos absolutos este seja mais potente, o motor do veterano sedã sairia na frente em retomadas de baixa rotação.

Mesmo em motores conceitualmente similares é possível notar essa diferença: ao elevar a cilindrada do Vectra 16V para 2,2 litros, a GM ganhou apenas 2 cv (a potência específica caiu de 68 para 62,7 cv/l), mas o torque foi favorecido. Essa é a tendência dos motores modernos, em função das normas de emissões cada vez mais rigorosas, que exigem motores "mansos", econômicos e pouco poluentes.


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