Fusca: tampa aberta refrigera mais?
Estive
lendo o artigo sobre lendas e restou uma dúvida. Tenho
um Fusca 76, concordo que a traseira é uma zona de baixa
pressão, só que na prática funciona. Meu carro falha a
115 km/h subindo a serra na Fernão Dias, e com a tampa
um pouco aberta isso não acontece. A bomba de gasolina
não esquenta tanto. Já fiz esse teste várias vezes no
mesmo local e pisando do mesmo jeito e a resposta é
sempre a mesma. Como pode? E os baja bugs, que têm o
motor à mostra? Como ficam? Fundem todos?
Luis Moreira
luis@netsystems.com.br
Belo Horizonte, MG
A questão do mito da tampa aberta refere-se ao ar
aquecido ser sugado de volta para a turbina de
arrefecimento. Se o veículo tivesse termômetro de
óleo, a diferença tampa fechada/tampa aberta (mais
quente no segundo caso) seria notada sem nenhuma dúvida.
Saiba-se que a bomba não pode perder eficiência da
maneira descrita. Alguma coisa deve estar errada com o
componente, mas é preciso levar em conta a atual
porcentagem de álcool na gasolina -- oficialmente 24%,
na prática podendo ser mais --, em que o bloqueio por
vapor (vapor lock) torna-se mais crítico.
É sempre bom existir retorno de combustível do
carburador para o tanque, pois nesse caso a bomba mantém
constante o bombeamento e esfria-se (poucos sabem, mas
quando a cuba do carburador fica cheia, a bomba pára
momentaneamente). Quando a adição de álcool passou de
12% para 22%, em 1992, todos os carros que tinham retorno
tiveram o furo calibrado do retorno aumentado, para
aumentar a vazão.
Tudo o que a tampa aberta faz é reduzir a temperatura no
compartimento do motor (não do motor propriamente dito),
com benefício óbvio para a bomba de combustível que
esteja crítica -- provavelmente o que está ocorrendo
com o VW do leitor. Nos Bajas, o fluxo de ar de saída é
totalmente diferente, pois não existe uma tampa aberta
criando zona de depressão, sem esquecer que a maior
altura do veículo em relação ao solo concorre para
melhor dispersão do ar aquecido.
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