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CONSULTÓRIO TÉCNICO

por Fabrício Samahá

Mondeo e Vectra: a perda de potência


Adorei o site, é tudo que ando procurando nas revistas e na Internet e não encontro! Fiquei muito surpreso com a abordagem de assuntos bem profundos, nunca vi coisa igual em revistas e nem na Internet. São o tipo de informação teórica que realmente nos alimenta a curiosidade e confirma a grande bagagem técnica do Best Cars!

Gostaria de saber o que foi feito para que o Mondeo 2.0 de 130 cv (novo) perdesse 6 cv para o primeiro (de 136 cv, que também tem maior torque); e como, se possível, recuperar esses 6 cv perdidos. Qual o motivo do fabricante sacrificar esses 6 cv? Gostaria também de saber qual a potência do Vectra GSI 16v, Vectra CD 2.0 16v e CD 2.2 16v; e do simples GL 2.2. Por que o rendimento tão baixo do motor 2.2 16v da GM?

Thiago Perroni
perrony@uol.com.br
Ribeirão Preto, SP


Reduzir a potência máxima em alguns cavalos, em busca de melhor torque em baixas rotações, tem sido frequente na indústria do mundo todo, Thiago. Potências específicas da ordem de 75 cv/litro de cilindrada, como no Vectra GSi e nos primeiros Citroën Xantia de 2 litros e 148 cv, foram reduzidas à média de 65 cv/l, como nos atuais Mondeo e Xantia e no Vectra CD 2-litros. Razões para isso envolvem normas de emissões poluentes rigorosas, que requerem motores mais "mansos", e congestionamentos cada vez maiores, onde um motor com pouco torque em baixa rotação pode representar grande incômodo.

Vectra CD
No caso do Mondeo, a queda de 136 para 130 cv (às mesmas 6.000 rpm) ocorrida em 1997 deveu-se ainda à redução da taxa de compressão, de 10:1 para 9,5:1, dispensando o sensor de detonação antes adotado. O torque máximo, contudo, aumentou -- ao contrário do que você diz. Passou de 18,3 para 18,4 mkgf no mesmo regime de 4.000 rpm. Aumentar a taxa do motor atual para recuperar os 6 cv não é recomendável, pois pode ocorrer detonação ou o motor trabalhar mal em função da octanagem insuficiente da gasolina.

Menor taxa de compressão também explica a queda de potência do Vectra CD, de 141 para 136 cv, ocorrida ainda em 1996. O mesmo motor 2-litros desenvolvia 150 cv quando adotado na versão GSi, de modelo antigo, mas recebia críticas pelo fraco torque em baixas rotações. Ao ampliar a cilindrada para 2,2 litros, em 1998, a GM privilegiou mais uma vez o torque, obtendo ganho de apenas 2 cv em potência no motor 16V (de 136 para 138 cv). A potência específica caiu ainda mais, mas a fábrica alega estar atendendo às expectativas de conforto e desempenho do usuário médio. Na versão de oito válvulas o crescimento foi mais sensível, de 110 para 123 cv.


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