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por Fabrício Samahá
Gasolina Premium: até onde
aumentar a taxa
Gostaria de saber quantas octanas têm
as gasolinas comuns e Premium, se existe alguma Premium com mais
octanas que outra, e para quanto eu poderia aumentar a taxa de
compressão de um Gol 1.8 com injeção monoponto se me
dispusesse a utilizar somente gasolina Premium de maior
octanagem. A potência iria aumentar? Para quanto?
Manuel Correa Fortes
manuelfortes@openlink.com.br
Rio de Janeiro, RJ
Ao se falar em octanagem, Manuel, é preciso deixar claro que há
dois modos de se medir esse número de octanas da gasolina,
relacionado a sua maior ou menor resistência à detonação
(quando mais octanas, menor a tendência a detonar e maior pode
ser a taxa de compressão). No Brasil é utilizado o método MON,
Número de Octanas Motor, enquanto o mundo todo emprega o método
RON, ou Número de Octanas Pesquisa. Os EUA utilizam ainda uma
média aritmética entre esses dois métodos -- e foi o padrão
escolhido pela Petrobrás para ressaltar a superioridade da
gasolina Premium sobre a comum e a aditivada, estas de mesma
octanagem.
A maior octanagem da gasolina Premium permite
aumentar a taxa de compressão do motor, mas o resultado é pouco
expressivo sem remapeamento de injeção
Pelo método RON, que é o realmente válido para comparação
com gasolinas vendidas mundo afora, a Premium de qualquer marca
possui 98 octanas, e as demais, comum e aditivada, cerca de 94
octanas. Como se vê, a gasolina nacional não oferece baixa
octanagem (poucos motores de importados exigem mais de 95
octanas), sendo seus maiores problemas a presença de 24% de
álcool -- exclusividade mundial --, fator que propicia
corrosão, e a falta de homogeneidade entre os postos, para não
falar nos condenáveis "batismos" por distribuidores
desonestos.
O Gol de 1,8 litro e injeção monoponto, que utiliza taxa de
compressão de 10:1, pode passar a trabalhar com 10,3:1 se
abastecido apenas com gasolina Premium, sem remapeamento de
injeção. Mas a alteração não compensa, pois traria apenas
0,5 cv a mais. Remapeando a injeção, num serviço muito
bem-feito, pode-se chegar a até 11:1, com um ganho de 2,2 cv em
potência, 2 km/h em velocidade máxima e menos 0,4 segundo de 0
a 100 km/h. Mas é imperativo usar combustível de qualidade: um
único abastecimento com gasolina comum ou "batizada"
pode provocar detonação e causar sérios danos ao motor.
O maior benefício do aumento da taxa de compressão é a
melhora na curva de torque, que se torna mais plana. Isso se
traduz em mais força nas rotações mais baixas, e portanto
melhor dirigibilidade no trânsito ou em subidas. Para o aumento
de taxa de 0,3 ponto este benefício mal será sentido pelo
motorista, mas o aumento de 1 ponto (taxa de 11:1) já permite
perceber a melhora no comportamento do carro. Outros benefícios
são a redução do consumo e da emissão de poluentes, mas estes
fatores são muito dependentes da regulagem feita no
remapeamento, e também só se percebem com um aumento maior da
taxa, como o de 1 ponto.
A título de curiosidade, preparações de competição utilizam
com freqüência taxas da ordem de 14:1, o que fornece 7,5 cv e 5
km/h a mais, e 1 segundo a menos na aceleração. O limite que
já vimos sem detonação foi 17:1, mas com gasolina muito
aditivada, melhor que a de aviação. O resultado no Gol seria de
11,5 cv e 7 km/h a mais e 1,4 segundo a menos -- mas a
modificação é impensável para um carro de uso cotidiano.
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