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Pressão do turbo: como adaptar o
motor à sua variação


Dirigi um F-1000 HSD (2,5 litros turbodiesel) e fiquei com algumas dúvidas. Andando em velocidade constante a cerca de 2.000 rpm, rotação na qual o turbo já entrou plenamente em funcionamento, o manômetro registra uma pressão de 0,3. Se você entra em um aclive e pressiona o acelerador, mantendo as mesmas rpm e velocidade, a pressão do turbo aumenta, estabilizando em um valor que vai dos 0,3 até 0,9 (a máxima), dependendo da intensidade da subida. Voltando a 2.000 rpm e 0,3 de pressão, se o acelerador é totalmente pressionado, o ponteiro do manômetro cola em 0,9 e o motor responde melhor. Resumindo, em uma mesma rotação o motor pode trabalhar com diferentes pressões do turbo.

Sei que motores de ciclo Otto (gasolina e álcool) turbinados também apresentam esse comportamento dinâmico da pressão do turbo em relação às rotações. Minhas dúvidas são as seguintes:

1) Quando é feito um remapeamento em um motor aspirado para turbiná-lo, como ficam os ajustes do ponto de ignição e do débito de combustível, já que a pressão é tão variável? Esses ajustes são realizados para a pressão máxima, visando evitar a detonação, mas correndo o risco da mistura ficar rica e o ponto muito atrasado quando se anda sem exigir o motor? Ou são feitos considerando uma pressão menor, esperando que, quando o motor for mais exigido, o débito seja incrementado pela maior pressão no acelerador e esse enriquecimento na mistura proteja contra a detonação? Enfim, como se faz para não poluir, gastar muito e agredir o catalisador quando se dirige de forma mais tranquila e não ocorrer detonação quando se pilota esportivamente?

2) Nos motores turbo originais como é resolvido esse problema? A pressão é levada em conta para fazer esses ajustes de injeção/ignição?

3) As caixas extra de gerenciamento da injeção/ignição têm na pressão do turbo uma variável para cálculo ou esta serve apenas para ativá-las?

Fernando Assis Silva
fassis@dedalus.lcc.ufmg.br
Belo Horizonte, MG



Parabéns pelo nível técnico da questão, Fernando. A pressão do turbo não varia só em função da rotação, mas principalmente da carga do motor. É função do volume de gases expelido pelo motor, que depende destas duas variáveis: rotação e carga. Por isso pode-se ter o motor a 5.000 rpm quase sem pressão no turbo (caso se acelere o motor livre, com a embregem acionada); obter pressão mais baixa em rotações intermediárias, como em uma descida com carga menor; ou mais alta em uma subida, com carga maior.

1) Todos os ajustes feitos para carros turbo, através de remapeamento, tomam por base a rotação, já que não há como adicionar um sensor de pressão do turbo ao sistema. As regulagens são feitas para as condições máximas. Mesmo assim, em condições intermediárias não se fica entregue à sorte, pois todo sistema de injeção tem como medir a vazão de ar e a qualidade da mistura, usando essas informações para corrigir (dentro de certos limites) a injeção de combustível. Com o remapeamento, em um carro turbo, a correção feita pela injeção continua a funcionar, mas com parâmetros mais altos, determinados pelo próprio remapeamento.

Em um bom remapeamento, assim, até a resposta da injeção aos sinais de seus sensores originais é alterado, permitindo uma maleabilidade que contorna o comportamento variável da pressão do turbo de forma bastante satisfatória -- sendo inclusive compatível com os índices de emissões e queima originais. Mas é sempre importante salientar: só um remapeador muito experiente atinge tal nível de preciosismo na regulagem.

2) Na injeção original pode-se ou não ter a pressão de admissão (positiva ou negativa) como informação de entrada para a injeção, o que depende das características do sistema. O importante é que a injeção tenha a informação de quanto ar está sendo admitido. As outras informações são auxiliares e servem para refinar e aumentar o controle sobre a queima no motor. O fabricante da injeção pode ou não utilizar um sensor de pressão do turbo. Se a resposta da injeção a seus sensores for apropriada esse sensor pode ser dispensado. Mas, quanto mais informação a injeção obtiver, maior será seu controle sobre o motor, por isso um sensor de pressão do turbo é sempre bem-vindo em motores turbo originais, mesmo que apenas para que a injeção possa limitar a pressão máxima.

3) A regulagem para o turbo feita com caixas adicionais é também direcionada para as condições máximas de exigência, assim como no remapeamento. Também altera os parâmetros de funcionamento da injeção, sem contudo limitar seu natural ajuste -- estes passam só a ocorrer de forma mais ampla e alta. Entre as caixas de fabricação nacional, consta que nenhuma até agora utilize a pressão do turbo como informação de entrada -- ela tem sido usada apenas para acionamento da caixa. Entre as caixas importadas, algumas usam a pressão do turbo como informação, principalmente para ajuste do ponto de ignição -- por exemplo, procedem um atraso no ponto de 2° para cada 0,2 kg/cm² de pressão. Claro, existem caixas bem mais complexas (e caras), mas corre-se o risco de fugir da principal vantagem das caixas diante do remapeamento -- a simplicidade na regulagem --, já que o preço dos dois métodos hoje é equivalente.


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