Carro
forçado fica mais rápido?
Fiquei
fascinado com as notícias, novidades e dúvidas
esclarecidas pelo site. É verdade que os carros que
sofrem maior aceleração, que estão sempre em altas
velocidades, ficam "acostumados" a correr e por
isso adquirem maior potência e velocidade? E que os
carros que nunca foram forçados a correr, sempre andam
nos limites, ficam com o motor "preso", mais
lento ou menos potente?
Alexandre Uchikawa
uchikawa@uol.com.br
Suzano, SP
A relação entre o
modo de dirigir e o desempenho obtido pelo veículo já
causou grande polêmica, Alexandre. Especialistas no
assunto se dividem entre os que atribuem a agilidade de
motor à pilotagem esportiva e os que descartam qualquer
ligação entre esses fatores.
A primeira corrente defende que motores utilizados sempre
em potência máxima -- o chamado W.O.T., wide open
throttle ou acelerador todo aberto -- tornam-se melhores
do que aqueles dirigidos "civilizadamente". O
assentamento das principais peças móveis (virabrequim,
bielas, pistões e anéis) nessas condições seria
aprimorado ao máximo grau, devido ao próprio esforço
efetuado. Com isso, o atrito entre elas diminui
consideravelmente.
Conta a história que a Porsche fabricou um motor 1,1-litro
para um 550 da equipe de fábrica, para competir na
classe até 1.100 cm3 na 24 Horas de Le Mans de 1953.
Esse motor era um 1,5 litro reduzido. Mediram o motor no
dinamômetro, como de praxe, e obtiveram 72 cv, em
seguida colocando o carro no transporte rumo à França.
O carro treinou, correu e venceu na sua classe. De volta
à fábrica, mediram o motor só por curiosidade, para
saber de quanto tinha sido a perda de potência em função
do desgaste. A potência tinha subido para 80 cv!
Outro exemplo célebre:
em meados da década de 60, quando Émerson Fittipaldi
era imbatível na Fórmula Vê 1.200, seu preparador
Roger Resny tinha um segredo. Os motores de corrida eram
colocados para rodar em Kombis de uso profissional, que
normalmente andavam bem carregadas -- e "pé em
baixo", pois o motor 1,2-litro de 30 cv mal
conseguia movimentar o utilitário com bastante peso a
bordo. Depois de cerca de 2 mil quilômetros os motores
eram retirados, as válvulas eram esmerilhadas e os cabeçotes,
limpos. Pronto, mais um motor "canhão".
Já os opositores da teoria do W.O.T. acreditam que usar
o motor esportivamente não resulta em melhor desempenho,
mas antecipa a fase de sua vida útil em que o motor
atinge a maior potência. Assim, o procedimento seria benéfico
apenas em veículos de competição, reduzindo a
necessidade de amaciamento até sua entrada nas pistas.
Para essa corrente, andar com aceleração total
encurtaria a durabilidade do motor, trazendo mais prejuízos
que vantagens.
Acreditar ou não na "mágica" do WOT, portanto,
cabe a cada um. Cabe lembrar que o termo está em desuso,
pois se referia especificamente à borboleta ou
borboletas do carburador. Devido aos sistemas de injeção,
em seu lugar usa-se TPS 100, que significa Throttle
Position Sensor 100 ou sensor de posição do
acelerador 100% movimentado. Preciosismos da era da alta
tecnologia...
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