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A alteração das relações
de transmissão pelo diferencial, entre as várias versões de um
mesmo modelo, é mais comum sempre que se pretende manter o
escalonamento das marchas, isto é, o espaçamento entre suas
relações. A principal razão é o menor custo de produção:
modifica-se apenas o par cônico do diferencial em vez de uma série
de engrenagens da caixa de câmbio.
Em termos operacionais, contudo, não há diferença entre alongar
todas as marchas em 5%, por exemplo, ou aplicar um diferencial 5% mais
longo: as relações finais de transmissão serão 5% menores
(numericamente mais baixas) em ambos os casos. No caso do Gol 1,0 16V
(leia avaliação) houve
encurtamento do diferencial e pequeno alongamento da quinta marcha, de
modo que se tornasse mais afastada da quarta.
Em
automóveis de tração traseira, em que há árvore de transmissão (cardã),
o expediente de compensar as alterações pode ser mais proveitoso. A
BMW introduziu na Série 3 de 1990 uma quinta direta (relação 1:1)
em vez de multiplicada (como a da geração anterior, 0,81:1),
compensando a mudança no diferencial.
Vantagens: rotação do diferencial 20% mais baixa, para menores
ruído e vibração, e eliminação de perdas mecânicas na quinta
marcha, que deixa de ser um par de engrenagens -- a exemplo da quarta
do modelo anterior e da maioria dos carros de tração traseira. A
propósito, a dificuldade em modificar uma marcha direta é razão
para que a mudança de diferencial seja muito comum quando a tração
é posterior: se apenas as demais marchas fossem modificadas, o
escalonamento seria prejudicado.
Quanto à cilindrada, o valor exato é mera escolha do fabricante, que
considera fatores como desempenho (maior com maior cilindrada), custos
(pode ser interessante utilizar os pistões ou o virabrequim de um
motor de cilindrada diversa da mesma família, o que define o
diâmetro ou o curso dos pistões) e limitações do bloco (por
exemplo, o veterano Ford CHT nunca ultrapassou 1.565 cm3, atingidos
pelo Renault 19 argentino).
Pode-se observar que em menores cilindradas a tendência é o
fabricante aproximar-se mais do valor "comercial", como nos
motores de 1,0 litro, que têm de 994 (Fiat "Fiasa") a 999
cm3. Em cilindradas maiores o arredondamento chega perto de 60 cm3,
como no Brava/Marea (1.746 cm3 = 1,8 litro), Palio (1.242 cm3 = 1,3),
Corolla (1.762 cm3 = 1,8) ou Marea (2.445 cm3 = 2,4).
O BCWS, por coerência, arredonda para cima num máximo de 49
cm3, utilizando a casa centesimal se necessário: para nós, o Palio
citado é de 1,25 litro, o Brava de 1,75 e o Marea, de 2,45 litros.
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