Best Cars Web Site Consultório Técnico

por Fabrício Samahá 

Alongar as marchas ou o
diferencial: o efeito é o mesmo


O BCWS é escola até para mecânicos. Conteúdo sério e extremamente técnico, excelente! Qual a diferença em encurtar o diferencial ao invés do câmbio? Exemplo: a alteração que a VW fez recentemente no Gol 16V. Há diferença em alongar o diferencial e encurtar o câmbio ou vice-versa?

Gostaria de saber por que os motores nunca possuem uma cilindrada exata. Ex.: ao invés de 1.600, 1.555 cm³, ou 1.800 contra 1.781 cm³. Por que é tão difícil chegar num valor exato?

Alan Fonseca Rocha
São Paulo, SP
alanfr@uol.com.br

A alteração das relações de transmissão pelo diferencial, entre as várias versões de um mesmo modelo, é mais comum sempre que se pretende manter o escalonamento das marchas, isto é, o espaçamento entre suas relações. A principal razão é o menor custo de produção: modifica-se apenas o par cônico do diferencial em vez de uma série de engrenagens da caixa de câmbio.

Em termos operacionais, contudo, não há diferença entre alongar todas as marchas em 5%, por exemplo, ou aplicar um diferencial 5% mais longo: as relações finais de transmissão serão 5% menores (numericamente mais baixas) em ambos os casos. No caso do Gol 1,0 16V (leia avaliação) houve encurtamento do diferencial e pequeno alongamento da quinta marcha, de modo que se tornasse mais afastada da quarta.

Em automóveis de tração traseira, em que há árvore de transmissão (cardã), o expediente de compensar as alterações pode ser mais proveitoso. A BMW introduziu na Série 3 de 1990 uma quinta direta (relação 1:1) em vez de multiplicada (como a da geração anterior, 0,81:1), compensando a mudança no diferencial.

Vantagens: rotação do diferencial 20% mais baixa, para menores ruído e vibração, e eliminação de perdas mecânicas na quinta marcha, que deixa de ser um par de engrenagens -- a exemplo da quarta do modelo anterior e da maioria dos carros de tração traseira. A propósito, a dificuldade em modificar uma marcha direta é razão para que a mudança de diferencial seja muito comum quando a tração é posterior: se apenas as demais marchas fossem modificadas, o escalonamento seria prejudicado.

Quanto à cilindrada, o valor exato é mera escolha do fabricante, que considera fatores como desempenho (maior com maior cilindrada), custos (pode ser interessante utilizar os pistões ou o virabrequim de um motor de cilindrada diversa da mesma família, o que define o diâmetro ou o curso dos pistões) e limitações do bloco (por exemplo, o veterano Ford CHT nunca ultrapassou 1.565 cm3, atingidos pelo Renault 19 argentino).

Pode-se observar que em menores cilindradas a tendência é o fabricante aproximar-se mais do valor "comercial", como nos motores de 1,0 litro, que têm de 994 (Fiat "Fiasa") a 999 cm3. Em cilindradas maiores o arredondamento chega perto de 60 cm3, como no Brava/Marea (1.746 cm3 = 1,8 litro), Palio (1.242 cm3 = 1,3), Corolla (1.762 cm3 = 1,8) ou Marea (2.445 cm3 = 2,4).

O BCWS, por coerência, arredonda para cima num máximo de 49 cm3, utilizando a casa centesimal se necessário: para nós, o Palio citado é de 1,25 litro, o Brava de 1,75 e o Marea, de 2,45 litros.

Página principal - e-mail

© Copyright 2001 - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados